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Polícia Militar apreende 800 kg de carne de cavalo proveniente de abate clandestino em Campo Belo

Uma operação da Polícia Militar de Meio Ambiente revelou um grave esquema de abate clandestino de cavalos na zona rural de Campo Belo, no Centro-Oeste de Minas Gerais. A ação ocorreu na manhã desta quinta-feira (05) e resultou na apreensão de aproximadamente 800 quilos de carne de cavalo, armazenados de forma irregular em freezers dentro de uma propriedade rural.

A fiscalização teve início durante uma verificação de rotina em uma área de desmate, quando os militares identificaram fortes indícios de crimes ambientais e sanitários. Ao avançarem na vistoria, os policiais se depararam com uma cena considerada chocante, marcada por crueldade animal, degradação ambiental e total ausência de controle sanitário.

No local, foram encontrados restos de cavalos abatidos, incluindo cabeças, cascos, carcaças, vísceras e grande quantidade de sangue espalhada pelo solo. Todo o material estava descartado de maneira irregular, sem qualquer preocupação com o meio ambiente ou com os riscos à saúde pública.

Durante a inspeção minuciosa da propriedade, os militares localizaram cinco freezers contendo cerca de 800 quilos de carne de cavalo, já fracionada e embalada, pronta para comercialização ilegal. A carne não possuía qualquer tipo de selo, inspeção veterinária ou autorização dos órgãos competentes.

Fiscais do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e da Vigilância Sanitária foram acionados e compareceram à fazenda, confirmando que se tratava de carne de cavalo oriunda de abate clandestino, realizada em condições extremamente insalubres.

Os órgãos constataram que o local não apresentava nenhuma estrutura adequada para o abate de animais, muito menos para o processamento de carne destinada ao consumo humano. Não havia equipamentos de higiene, refrigeração adequada, controle de pragas ou manejo correto de resíduos.

Segundo os fiscais, o consumo desse tipo de carne representa grave risco à saúde, uma vez que pode transmitir doenças, parasitas e contaminações bacterianas severas. Diante disso, todo o material apreendido foi imediatamente inutilizado e descartado, seguindo os protocolos sanitários.

A perícia técnica da Polícia Civil também esteve no local para registrar a ocorrência e levantar elementos que irão compor o inquérito policial. O objetivo é reunir provas técnicas que comprovem os crimes cometidos e reforcem a responsabilização criminal do autor.

As autoridades destacaram que o abate clandestino de cavalos é proibido no Brasil, especialmente quando realizado sem métodos humanitários. No local, foi constatado que os animais foram mortos de forma cruel, sem qualquer técnica que minimizasse o sofrimento.

Além da crueldade contra os animais, o descarte irregular de restos orgânicos causou poluição ambiental significativa, contaminando o solo e representando risco para cursos d’água próximos, animais silvestres e moradores da região.

O responsável pela propriedade foi identificado e, segundo a Polícia Militar, é reincidente nesse tipo de prática criminosa. No entanto, ele não foi localizado durante a operação e segue sendo procurado pelas autoridades.

Mesmo sem a prisão em flagrante, o autor responderá criminalmente por uma série de infrações ambientais, sanitárias e contra a relação de consumo, todas devidamente caracterizadas no boletim de ocorrência e nos laudos técnicos.

De acordo com a Polícia Militar de Meio Ambiente, crimes dessa natureza costumam estar ligados a redes ilegais de comercialização, que colocam no mercado produtos impróprios para consumo, enganando consumidores e colocando vidas em risco.

A Polícia reforça que a população deve denunciar qualquer suspeita de abate clandestino, venda irregular de carnes ou maus-tratos a animais, pois essas práticas configuram crimes graves e não podem ser toleradas.

O caso também reacende o debate sobre a necessidade de fiscalização contínua em áreas rurais, especialmente em regiões onde há histórico de crimes ambientais e reincidência por parte dos infratores.

As investigações seguem em andamento para apurar se há outros envolvidos no esquema, incluindo possíveis compradores e intermediários da carne ilegal.

As autoridades alertam que o consumo de carne de origem desconhecida, sem inspeção oficial, é extremamente perigoso e pode causar doenças graves, além de contribuir para o financiamento de atividades criminosas.

O material apreendido foi completamente descartado, impedindo que a carne chegasse ao mercado e evitando um potencial surto de problemas de saúde pública.

O caso será encaminhado ao Ministério Público, que deverá analisar o conjunto de provas para oferecimento de denúncia criminal.

A Polícia Militar de Meio Ambiente reforça seu compromisso com a proteção da fauna, do meio ambiente e da saúde da população, destacando que operações como essa continuarão sendo intensificadas em toda a região.


📋 Crimes ambientais e penais constatados na ocorrência

CrimeFundamentação legalPena prevista
Maus-tratos a animais (crueldade)Art. 32 da Lei 9.605/98Detenção de 2 a 5 anos + multa
Abate clandestino de animalLei 1.283/1950 e Decreto 9.013/2017Detenção e multa
Crime contra a saúde públicaArt. 268 do Código PenalDetenção de 1 mês a 1 ano
Crime contra a relação de consumoArt. 7º da Lei 8.137/90Detenção de 2 a 5 anos
Poluição ambientalArt. 54 da Lei 9.605/98Reclusão de 1 a 4 anos
Descarte irregular de resíduosLei 12.305/2010Multa e sanções administrativas

➡️ Somadas, as penas podem ultrapassar 10 anos de prisão, além de multas elevadas e outras sanções administrativas.

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