Divinópolis

Esteja presente!

Ômar Souki

No afã de aproveitar o tempo, eu tenho me distraído bastante. Por exemplo, enquanto faço minhas refeições busco no celular notícias sobre sanções americanas sobre a corrupção de autoridades brasileiras, ou procuro saber quando finalmente o governo da Venezuela cairá de Maduro. Será que estou, de fato, usando bem o meu tempo? Ou estou deixando de desfrutar do sagrado momento da refeição, como uma oportunidade de nutrir, não só o corpo, mas também a minha mente?

Sei que isso não ocorre só comigo.  Às vezes, converso com a minha esposa e percebo que ela não está ali presente, mas longe, revivendo situações conflituosas de seu trabalho.  Com frequência nos iludimos pensando que podemos estar em dois lugares ao mesmo tempo. Quando tentamos isso—além de nos estressarmos mais—perdemos preciosas oportunidades que somente a presença plena pode nos oferecer. Foi realizada uma pesquisa nos Estados Unidos onde as pessoas eram perguntadas em qual atividade tinham o foco mais concentrado, isto é, estavam de fato presentes. A maioria respondeu que era quando estavam na academia malhando.

Se tivesse participado daquela pesquisa, eu responderia que há dois momentos que mais seguram a minha atenção. O primeiro é quando estou ministrando uma palestra. O outro, quando estou escrevendo, como estou fazendo agora. Fico totalmente envolvido na atividade, isto é, entro no estado de fluxo, no qual todos os meus neurônios apontam numa mesma direção. Consigo fazer mais com menos esforço, pois acontece uma harmonia entre o pensar, o sentir e o agir: corpo, mente e espírito em total sintonia. Isso produz enorme satisfação, pois todo o resto desaparece enquanto saboreio da gostosa presença no aqui, agora.

Há uma tradição milenar no Japão que estimula o foco das pessoas no aqui, agora. Chama-se Ikegai, que significa “senso de propósito”. Responde a seguinte pergunta: “O que farei hoje ao despertar?”. Consiste em fazer quatro coisas: aquilo que você ama, aquilo em que você é bom, aquilo que você é pago para fazer e aquilo que o mundo precisa.

01. Aquilo que você ama. Engloba as paixões e interesses pessoais, ou
 seja, tudo o que proporciona alegria e satisfação.

02. Aquilo em que você é bom. Faça uma lista de suas habilidades,
 talentos e competências. São coisas que estão relacionadas às
 experiências profissionais. Revelam o que você faz bem e as
 atividades nas quais tem sobressaído.

03. Aquilo que é pago para fazer. São os talentos e habilidades
 valorizados pelo mercado. Algo que garante o salário mensal.
 Em outras palavras, cultive competências capazes de dar
 sustentação financeira à sua existência.

04. Aquilo que o mundo precisa. Pense nas necessidades, nos desafios
 e nas demandas da sociedade. Como você, por meio de suas
 habilidades e talentos, pode ser útil para o bem-estar dos outros e
 para a construção de um mundo melhor?

Ao executarmos essas quatro atividades—além de contribuirmos para a melhoria do planeta—estaremos também nos presenteando com a possibilidade de permanecermos por mais tempo no único lugar que, de fato, existe: o aqui, agora!

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