Minas Gerais

Ministério Público denuncia homem por feminicídio e ocultação de cadáver após morte de jovem em Juatuba

O Ministério Público de Minas Gerais denunciou um homem de 43 anos pelos crimes de violência contra a mulher seguida de morte, feminicídio e ocultação de cadáver em Juatuba, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A denúncia foi apresentada à Justiça na segunda-feira, 13 de abril, e envolve a morte de Vanessa Lara de Oliveira, de 23 anos, encontrada sem vida em fevereiro deste ano.

O denunciado foi identificado como Ítalo Jefferson da Silva. Ele está preso e, caso a Justiça aceite a denúncia apresentada pelo Ministério Público, passará à condição de réu no processo. A ação tramita sob segredo de Justiça.

Homem em pé com expressão séria, vestindo uma camiseta preta com texto em branco, em um ambiente com parede clara.

De acordo com o Ministério Público, os fatos ocorreram no dia 10 de fevereiro de 2026, em uma área de mata localizada na faixa de domínio da Rodovia BR-381, nas proximidades do bairro Bela Vista, em Juatuba.

As investigações apontam que Vanessa havia saído do trabalho e seguia a pé em direção ao ponto de ônibus quando passou a ser seguida pelo denunciado. Segundo o órgão, os dois não tinham qualquer vínculo ou relacionamento anterior.

A jovem trabalhava em Juatuba e morava em Pará de Minas. Conforme informações divulgadas durante a apuração do caso, ela prestava serviço para uma empresa terceirizada e buscava custear a faculdade de psicologia.

Ainda segundo a denúncia, Vanessa foi abordada em um trecho ermo, com vegetação densa. O Ministério Público sustenta que o crime ocorreu após violência contra a mulher e que a morte teria sido provocada para assegurar a impunidade do delito anterior.

O órgão afirma que a morte foi causada por asfixia mecânica. A denúncia também aponta que o crime foi praticado por razões relacionadas ao menosprezo à condição do sexo feminino, elemento que fundamenta a acusação de feminicídio.

Após o crime, conforme o Ministério Público, o denunciado teria ocultado o corpo da vítima em uma canaleta de drenagem, sob vegetação alta. A medida, segundo a acusação, teria sido adotada para dificultar a localização do cadáver.

O corpo de Vanessa foi encontrado no dia seguinte, depois de buscas feitas por familiares e populares. As informações divulgadas indicam que um drone auxiliou na localização da vítima.

O caso mobilizou moradores, familiares e forças de segurança desde o registro do desaparecimento. Vanessa havia sido vista pela última vez no Sistema Nacional de Emprego, em Juatuba, local onde prestava serviço.

A Polícia Civil conduziu as investigações e reuniu elementos que foram encaminhados ao Ministério Público. Com base nesse conjunto de informações, o órgão apresentou a denúncia à Justiça.

O Ministério Público sustenta que o homicídio se enquadra como feminicídio por ter sido praticado em razão da condição do sexo feminino. A acusação também aponta que a morte teria ocorrido para garantir a impunidade de outro crime.

A denúncia cita o artigo 121-A do Código Penal, que trata do feminicídio, além do artigo 211, referente à ocultação de cadáver. O texto considera ainda as alterações introduzidas pela Lei nº 14.994/2024.

Além da responsabilização criminal, o Ministério Público requereu à Justiça a fixação de indenização mínima não inferior a R$ 100 mil. O valor seria destinado à reparação dos danos causados aos familiares da vítima.

O pedido de indenização tem base no artigo 387, inciso IV, do Código de Processo Penal, que permite ao juiz fixar valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração penal em caso de condenação.

A denúncia ainda será analisada pelo Poder Judiciário. Se for recebida, o denunciado responderá formalmente pelos crimes apontados pelo Ministério Público ao longo da ação penal.

Ítalo Jefferson da Silva foi preso em 12 de fevereiro, dois dias após o corpo de Vanessa ser encontrado. Segundo informações divulgadas à época, ele foi localizado em Carmo do Cajuru, no Centro-Oeste de Minas Gerais.

A prisão ocorreu quando o suspeito viajava em um vagão de trem de carga. Conforme a Polícia Militar, ele tentou fugir ao perceber a aproximação das equipes, mas acabou detido.

Com o homem, os policiais encontraram uma faca, roupas e alimentos. À polícia, ele teria confessado o homicídio, mas negado a violência sexual, conforme informações divulgadas durante as investigações.

A Polícia Civil informou, em fevereiro, que o suspeito tinha condenações anteriores por estupro. Segundo a corporação, ele estava em regime semiaberto domiciliar antes do crime investigado em Juatuba.

Ainda conforme as informações divulgadas pela polícia, ele deveria ter retornado para instalação de tornozeleira eletrônica, o que não ocorreu. Esse ponto também passou a integrar o contexto da investigação.

O Ministério Público informou que o denunciado está preso no Presídio José Martinho Drumond, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

O caso segue em tramitação na Justiça. Como o processo está sob segredo, novas informações dependerão de manifestação oficial dos órgãos responsáveis.

A denúncia não representa condenação. Nesta etapa, o Ministério Público apresenta a acusação formal, e caberá à Justiça analisar o recebimento do caso e conduzir as fases processuais.

A defesa do denunciado poderá se manifestar nos autos, apresentar argumentos e requerer as medidas previstas em lei. O julgamento dependerá do andamento processual e das decisões judiciais.

A morte de Vanessa Lara de Oliveira segue sob apuração judicial, com base nos elementos reunidos pela Polícia Civil e na denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais.

Até decisão definitiva, o denunciado responde às acusações dentro do processo criminal, observadas as garantias legais de defesa e o devido processo judicial.

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