Divinópolis

Fé, tradição e história marcam os 114 anos de Divinópolis; veja a programação

Divinópolis celebra, neste 1º de junho, 114 anos de emancipação político-administrativa com uma programação marcada pela fé, pela memória e pelo reconhecimento da trajetória de uma cidade que se consolidou como uma das principais referências do Centro-Oeste de Minas Gerais. A agenda comemorativa reúne Missa em Ação de Graças, Hasteamento das Bandeiras, Desfile Cívico-Militar e Culto em Ação de Graças, em uma homenagem à história, à identidade e ao orgulho da população divinopolitana.

As comemorações oficiais começam às 7h, com Missa em Ação de Graças na Catedral do Divino Espírito Santo. Às 8h, está previsto o Hasteamento das Bandeiras na Praça Dom Cristiano. Em seguida, às 8h30, a tradicional Avenida Primeiro de Junho recebe o desfile comemorativo, um dos momentos mais esperados da data. À noite, às 19h, a programação religiosa segue com o Culto Comemorativo na Igreja Batista Bom Pastor. A Estação Cultural também integra a agenda, com atividades previstas das 16h às 22h, na antiga Estação Ferroviária, próximo ao Samu.

A celebração deste ano também traz homenagem à escritora Adélia Prado, uma das principais referências culturais nascidas em Divinópolis e nome de destaque da literatura brasileira. A presença simbólica da autora na programação reforça a ligação da cidade com a arte, a palavra, a fé e o cotidiano, elementos que atravessam a identidade divinopolitana e ajudam a projetar o município para além das fronteiras de Minas Gerais.

A história de Divinópolis começou muito antes da emancipação política. O território onde hoje está o município tem suas origens ligadas aos rios Itapecerica e Pará, caminhos naturais que marcaram a ocupação da região. Segundo registros históricos, a formação inicial remonta a 13 de janeiro de 1767, quando cinquenta famílias que viviam no sertão dos rios Itapecerica e Pará, lideradas por João Pimenta Ferreira, deram origem ao núcleo conhecido como Paragem da Itapecerica.

A localização era estratégica. A passagem da Itapecerica, marcada pela presença do rio e pelas formações naturais, tornou-se ponto de circulação de sertanistas, fazendeiros, religiosos, trabalhadores, grupos de exploradores e viajantes que se deslocavam pelo interior mineiro. A região, que hoje forma uma cidade urbana, populosa e economicamente ativa, nasceu ligada à geografia das águas, das trilhas e das rotas abertas no período colonial.

Em 24 de março de 1770, o povoado passou a ser conhecido como Espírito Santo da Itapecerica, após a doação de terras feita pelo sertanista Manoel Fernandes Teixeira à Igreja, com a finalidade de incentivar a formação da povoação. A fé, portanto, esteve presente desde os primeiros movimentos de organização comunitária, muito antes de Divinópolis se tornar município.

Ao longo dos séculos XVIII e XIX, o território passou por diferentes vinculações administrativas. Antes de alcançar autonomia, a localidade esteve ligada a comarcas e municípios como Sabará, Vila São José do Rio das Mortes, Pitangui e Itapecerica. Essa trajetória mostra que Divinópolis não surgiu isolada, mas como parte de um processo histórico mais amplo de ocupação, disputa territorial, organização religiosa, circulação econômica e formação de comunidades no interior de Minas Gerais.

O século XIX trouxe mudanças importantes para o antigo arraial. A região manteve sua vocação de ponto de passagem e começou a ganhar relevância com a expansão das conexões viárias e econômicas. A chegada da Estrada de Ferro Oeste de Minas, em 1890, com a inauguração da Estação de Henrique Galvão, tornou-se um dos acontecimentos decisivos para o crescimento local. A ferrovia aproximou o povoado de outros centros, estimulou o comércio, facilitou a circulação de pessoas e mercadorias e criou as bases para o desenvolvimento urbano.

A ferrovia foi uma das grandes forças de transformação de Divinópolis. Em 1909, a localidade conquistou o entroncamento ferroviário que ligava Belo Horizonte ao Triângulo Mineiro. Em 1910, teve início a construção das Oficinas da Rede, além da inauguração do trecho ferroviário entre Belo Horizonte e a Estação Henrique Galvão. Esses movimentos deram novo ritmo à economia, atraíram trabalhadores, impulsionaram serviços e fortaleceram o desejo de autonomia política.

A emancipação foi resultado de articulação, liderança comunitária e visão de futuro. Em 30 de agosto de 1911, a legislação estadual incluiu o então distrito do Espírito Santo, com o nome de Vila Henrique Galvão, entre as localidades emancipadas. A luta pela autonomia contou com nomes como Pedro X. Gontijo, padre Matias Lobato, Francisco Ribeiro de Carvalho, Antonio Olympio de Moraes e Francisco Machado Gontijo, personagens associados à mobilização política que antecedeu a criação do município.

Em 1º de junho de 1912, o município de Divinópolis foi oficialmente instalado. A data passou a marcar o aniversário da cidade e se tornou símbolo da autonomia política e administrativa de uma comunidade que já demonstrava força econômica, localização estratégica e capacidade de crescimento. Três anos depois, em 1915, a sede municipal foi elevada à categoria de cidade, consolidando uma etapa decisiva da história local.

A partir da emancipação, Divinópolis entrou em um período de organização urbana e institucional. Em 1913, foi construído o prédio da Câmara Municipal, na rua São Paulo. Em 1916, foi inaugurada a atual estação ferroviária, que se tornaria um dos marcos da memória urbana da cidade. Em 1918, vieram a Santa Casa de Misericórdia e a Usina Hidrelétrica do Bracinho, ao lado da ponte do Niterói, reforçando a estrutura de saúde e energia em uma cidade que avançava rapidamente.

Na década de 1920, Divinópolis deu novos passos em direção à modernização. Em 1920, foi inaugurada a luz elétrica proveniente da usina na Cachoeira São José. Em 1929, a cidade recebeu a Escola Normal Mário Casassanta, fortalecendo a educação e a formação de professores. Esses acontecimentos ajudam a explicar como o município deixou de ser apenas um ponto ferroviário estratégico e passou a construir uma vida urbana mais complexa, com serviços, ensino, saúde e infraestrutura.

A década de 1930 também foi decisiva. Em 1930, Divinópolis passou a contar com a primeira linha de ônibus intermunicipal, ligando a cidade a Bom Despacho. Em 1935, foi transformada em comarca. Em 1936, ocorreu a instalação da Comarca de Divinópolis e a inauguração da primeira ponte de concreto sobre o Rio Pará. Em 1937, veio a primeira indústria têxtil, a Fitedi, abrindo caminho para uma vocação produtiva que mais tarde ajudaria a marcar a identidade econômica do município.

Nos anos seguintes, a cidade consolidou sua força industrial e regional. Em 1942, foram instaladas a primeira escola profissional, administrada pela Rede Mineira de Viação, e a primeira siderúrgica de Divinópolis, a Companhia Mineira de Siderurgia. Em 1946, foi fundada a Usina do Gafanhoto. Em 1947, a cidade ganhou aeroporto e o primeiro viaduto do Porto Velho. Esses marcos mostram uma Divinópolis em expansão, conectada à produção, ao transporte, à energia e à formação profissional.

A década de 1950 reforçou a posição econômica do município. Em 1952, foi fundada a Associação Comercial e Industrial de Divinópolis, a Acid, e instalado o escritório da Cemig. Em 1954, foram registradas a fundação da Cooperativa Agropecuária de Divinópolis e a inauguração da Siderúrgica Pains. Esses acontecimentos ampliaram o peso da cidade nos setores produtivos e ajudaram a formar uma base empresarial que segue relevante para o desenvolvimento local.

Em 1959, a instalação da Diocese de Divinópolis fortaleceu a cidade também como centro religioso e institucional. A criação da diocese consolidou a influência do município sobre uma ampla região e reforçou o papel da fé católica na história local, desde os primeiros tempos do arraial até as celebrações atuais. A programação dos 114 anos, com missa e culto em ação de graças, dialoga com essa longa tradição religiosa e comunitária.

A educação superior também passou a ocupar lugar importante na história divinopolitana. Em 1964, foi fundada a Fafid, hoje ligada à Universidade do Estado de Minas Gerais. Em 1965, veio a Faculdade de Direito do Oeste de Minas, a Fadom. Em 1969, foi fundada a Faculdade de Ciências Econômicas de Divinópolis, a Faced. Essas instituições ajudaram a transformar a cidade em polo educacional, atraindo estudantes, formando profissionais e ampliando a presença regional do município.

Na área da saúde, Divinópolis também construiu uma trajetória de referência. A inauguração do Hospital São João de Deus, em 1967, marcou um dos capítulos mais importantes da assistência hospitalar na cidade. Décadas depois, outros serviços ampliaram esse papel regional, como o Hospital do Câncer, inaugurado em 2002 em parceria com a comunidade, a Associação de Combate ao Câncer do Centro-Oeste de Minas e a Fundação Geraldo Corrêa, além da sede própria do Hemominas, inaugurada em 2003.

A expansão urbana se intensificou na segunda metade do século XX. Em 1972, foi instalado o Centro Industrial Coronel Jovelino Rabelo. Em 1973, foi inaugurada a atual ponte de concreto sobre o Rio Pará, na MG-050. Em 1977, foram registrados a construção do viaduto atual do Porto Velho e a instalação da Copasa. Cada obra ajudou a redesenhar os deslocamentos, a infraestrutura e as possibilidades de crescimento da cidade.

As décadas seguintes mantiveram o ritmo de transformação. Em 1990, foi construída a ponte Doutor Fábio Botelho Notini, ligando os bairros Danilo Passos e Bom Pastor. Em 1991, veio a ponte Noé Bueno, entre o Esplanada e o Antônio Fonseca. Em 1992, foi construído o viaduto Francisco Machado Gontijo, na Avenida Primeiro de Junho, ligando o Centro ao bairro Esplanada. Essas intervenções ajudaram a integrar regiões da cidade e a acompanhar o crescimento urbano.

A cultura também se tornou parte essencial da identidade de Divinópolis. A antiga estação ferroviária, que marcou a expansão econômica da cidade, passou a sediar a Secretaria Municipal de Cultura em 1999. Em 2007, foi inaugurado o Teatro Municipal Usina Gravatá, no bairro Santa Clara. A memória ferroviária, a literatura, o teatro, a música, as festas populares e as manifestações religiosas compõem um patrimônio que ajuda a explicar o sentimento de pertencimento dos divinopolitanos.

No século XXI, Divinópolis ampliou sua presença como centro regional de serviços, educação, saúde, indústria, comércio e cultura. Em 2008, foram inauguradas as dependências da Universidade Federal de São João del-Rei, campus Dona Lindu, no município. Em 2010, foram inauguradas as instalações do Cefet. Em 2012, ano do centenário, a cidade também registrou a inauguração do novo terminal de passageiros do Aeroporto Brigadeiro Cabral e da Unidade de Pronto Atendimento Padre Roberto, no bairro Ponte Funda.

Atualmente, Divinópolis é um dos municípios mais importantes de Minas Gerais. Segundo o IBGE, a cidade tem área territorial de 708,115 km², população de 231.091 habitantes no Censo de 2022 e população estimada em 243.583 pessoas em 2025. Os dados confirmam a dimensão de um município que cresceu em população, serviços e influência regional, mantendo papel estratégico no Centro-Oeste de Minas Gerais.

O desenvolvimento econômico de Divinópolis combina tradição industrial, setor de serviços, comércio forte, saúde regionalizada, educação superior e empreendedorismo. A cidade também se consolidou como referência no setor confeccionista, na prestação de serviços e na articulação regional, mantendo influência direta sobre municípios vizinhos. Essa posição não nasceu por acaso. Ela é resultado de uma trajetória construída a partir da ferrovia, da indústria, das instituições, da educação e do trabalho de gerações.

A Avenida Primeiro de Junho, que recebe o desfile comemorativo, tem significado especial na memória da cidade. O nome da via remete à instalação do município e representa uma espécie de eixo simbólico entre passado e presente. É nela que a celebração cívica ganha forma, reunindo escolas, instituições, forças de segurança, entidades e moradores em torno de uma data que pertence à história coletiva de Divinópolis.

A homenagem a Adélia Prado também reforça a força cultural da cidade. A escritora divinopolitana venceu o Prêmio Machado de Assis de 2024, concedido pela Academia Brasileira de Letras pelo conjunto da obra. A presença de seu nome nas celebrações dos 114 anos aproxima a memória da cidade da literatura brasileira e reconhece que Divinópolis também se projeta pelo talento de seus artistas, escritores, professores, músicos, trabalhadores da cultura e personagens que levam o nome do município para outros espaços.

Os 114 anos de Divinópolis, portanto, não representam apenas uma data no calendário. A comemoração reúne a memória das primeiras famílias que formaram a Paragem da Itapecerica, a fé do antigo Espírito Santo da Itapecerica, a força da ferrovia, o crescimento industrial, a expansão urbana, a formação educacional, a vocação regional para a saúde, a cultura que atravessa gerações e o orgulho de uma população que ajudou a construir a cidade em diferentes momentos da história.

Neste 1º de junho, a Missa em Ação de Graças, o Hasteamento das Bandeiras, o Desfile Cívico-Militar e o Culto em Ação de Graças simbolizam mais do que uma programação oficial. Eles representam a continuidade de uma história iniciada às margens dos rios, fortalecida pelos trilhos, ampliada pelo trabalho e preservada pela memória de quem vive, constrói e reconhece Divinópolis como parte essencial da própria identidade.

A celebração dos 114 anos também aponta para o futuro. A cidade que nasceu como ponto de passagem se tornou destino, referência e centro de oportunidades para milhares de pessoas. O desafio permanente é preservar sua história, valorizar sua cultura, cuidar de seus espaços públicos, fortalecer sua economia, ampliar serviços e garantir que o desenvolvimento acompanhe as necessidades da população.

Divinópolis chega aos 114 anos com uma trajetória marcada por fé, trabalho, tradição, cultura e transformação. A data reúne passado e presente em uma mesma homenagem: à cidade, aos divinopolitanos e a todos que ajudaram a escrever essa história ao longo de mais de um século de emancipação.

Cartaz com a data '1° de junho' em destaque, mencionando 'Cronograma' e o selo da Prefeitura de Divinópolis, comemorando 14 anos.
Interior da Catedral do Divino com pessoas participando da missa em Ação de Graças pelos 114 anos de Divinópolis.
Imagem de bandeiras hasteadas em um local ao ar livre, com árvores ao fundo, anunciando o evento 'Hasteamento das Bandeiras' que ocorrerá na Rotatória da Praça da Catedral.
Imagem de um culto com uma audiência reunida em um salão, com pessoas sentadas em bancos, em um ambiente iluminado.

Portal G37

Portal de Notícias de Divinópolis e Região Centro-Oeste de Minas Gerais
Botão Voltar ao topo

Bloqueador de Anúncio Detectado

Nosso conteúdo é gratuito e o faturamento do nosso portal é proveniente de anúncios. Desabilite o seu bloqueador de anúncios para ter acesso ao conteúdo do Portal G37.