Entre o brilho e o descuido: Cruzeiro deixa escapar vantagem e empata com o Goiás na Copa do Brasil

Por Ronner Miranda
Copa do Brasil não costuma perdoar ingenuidade. E o empate em 2 a 2 entre Cruzeiro e Goiás é aquele tipo de resultado que, no papel, parece equilibrado mas, no campo, conta uma história diferente.
O Cruzeiro jogou melhor. Teve mais a bola, ocupou o campo ofensivo, construiu com critério e, por momentos, deu a impressão de que controlaria o jogo sem maiores sustos. Mas futebol não é só sobre criar é sobre sustentar. E foi justamente aí que o time mineiro voltou a escorregar.
Faltou ao Cruzeiro algo básico para quem quer avançar em mata-mata: maturidade para segurar o jogo quando esteve à frente. Criou volume, sim. Mas ofereceu espaços como quem convida o adversário a crescer. E o Goiás, longe de ser brilhante, foi inteligente o suficiente para aceitar o convite.
Aliás, mérito do Goiás. Fez o jogo que precisava. Não se desesperou, entendeu o momento da partida e foi letal nas oportunidades que teve. Não dominou, mas competiu. E, em Copa, competir bem já é meio caminho andado.
O empate deixa um recado claro: o Cruzeiro precisa parar de jogar contra si mesmo. Tem repertório ofensivo, tem organização em fases do jogo, mas ainda falha em algo que decide confronto eliminatório consistência.
Porque no fim das contas, o 2 a 2 não é só um placar. É um alerta.
Notas da coluna Cruzeiro:
Defesa — 5,5
Organiza aqui, desorganiza ali. Quando exigida em velocidade, mostrou fragilidade. Em jogo grande, isso custa caro — e custou.
Laterais — 6,5
Foram válvulas de escape ofensivas e participaram bem da construção. Mas futebol cobra os dois lados do campo — e a conta defensiva chegou.
Meio-campo — 6,0
Começou com personalidade, mas sumiu quando o jogo pedia controle. Faltou cadenciar, esfriar o ritmo e proteger a vantagem.
Ataque — 7,0
O mais lúcido do time. Criou, incomodou e fez o que se espera: gol. Mas poderia — e deveria — ter decidido.
Técnico — 6,0
Leitura inicial interessante, mas demorou a reagir quando o jogo começou a escapar. Em mata-mata, timing também joga.
Resumo da arquibancada:
O Cruzeiro mostra que pode — mas ainda insiste em provar que também pode se atrapalhar. Já o Goiás reforça uma velha máxima: quem sabe sofrer, também sabe competir.
A decisão segue aberta. Mas, depois desse primeiro capítulo, uma coisa é certa: quem errar menos, leva.


















