Minas Gerais

Fonte de felicidade

Ômar Souki

Venho de famílias de comerciantes, do lado de mãe e de pai. Em casa, a mesa posta com bolos e biscoitos. Mamãe sempre pronta para acolher os amigos da família com um sorriso sincero. Na mobiliadora, enorme variedade de produtos limpos e arrumados de forma impecável. Papai, com alegria e incrível disposição—ajudado por dois colaboradores—atendia os clientes e facilitava o pagamento. Tinham um invejável círculo de amizades, que não só frequentava a loja, mas também a nossa casa. Cresci num ambiente de prosperidade crescente, achando que isso acontecia por obra do acaso. Tanto mamãe, quanto papai, executavam suas tarefas com leveza, encontrando tempo para receber amigos que se tornavam clientes e clientes que se tornavam amigos. Eles não faziam isso de forma calculada, mas sim, espontânea. Era o jeito deles, o talento de cultivar relacionamentos duradouros.

Desde 1938, a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, conduz uma pesquisa sobre a felicidade. O diretor atual do estudo, Robert Waldinger, professor de psiquiatria, afirma que “a qualidade dos nossos relacionamentos é o principal indicador de nossa felicidade e saúde à medida que envelhecemos. Nunca é tarde para ‘energizar’ as relações ou construir novas conexões” (bbc.com). O resultado da pesquisa se refere especificamente aos relacionamentos familiares: quanto mais calorosos, mais felicidade e melhor saúde física. Mas, observando a minha própria família, eu ouso generalizar a força dos bons relacionamentos para um universo mais amplo. A harmonia dentro e fora de casa—sem sombra de dúvidas—vai afetar positivamente o desenvolvimento de nosso corpo, de nossa mente e de nosso espírito.

Como fazer, então, para melhorar nossos relacionamentos? Melhorar a nossa inteligência emocional, observando e administrando os nossos estados emocionais, assim como termos sensibilidade para os dos outros. Isso inclui atitudes como as seguintes:

01. Estar aberto ao diálogo, isto é, termos a paciência e a boa vontade de escutar as pessoas.  

02. Valorizar a presença alheia e desejar sinceramente atender às suas necessidades.

03. Estar convencido de que em qualquer relacionamento a atitude ganha-ganha é a melhor. Isso quer dizer que para que eu ganhe não é preciso que o outro perca e vice-versa.

04. Sorrir ao encontrar alguém e cultivar as boas maneiras são comportamentos que abrem portas e fortalecem relacionamentos. Nos sentimos mais à vontade de nos aproximar, de conversar e de nos relacionar com aqueles que mostram um semblante alegre e que são polidos no trato.

05. Saber que aquilo que fazemos aos outros—em última análise—é a nós mesmos que o fazemos.  

Sou eternamente grato aos meus pais por terem passado para mim e para minhas duas irmãs esses valores. A semente que foi plantada em nossa infância facilitou a nossa caminhada e fortaleceu o nosso otimismo frente aos desafios da vida. Cibele, a irmã mais nova, como eles, tornou-se uma comerciante carismática que ajudava a todos. Ao falecer em 2012, deixou uma extensa rede de amizades. Jane, a do meio, formou-se em medicina—atuando na área da pediatria—também é uma pessoa extremamente caridosa e sensível às necessidades alheias: deixa saudades por onde passa. E, eu, o mais velho—depois de muito estudar e de vários títulos acadêmicos—cheguei à conclusão de que as lições da infância sobre o valor dos relacionamentos foram, de fato, as que fizeram a maior diferença em minha felicidade.

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