Persistir até conseguir

Ômar Souki
Li uma recomendação que dizia o seguinte: “Se depois de uma vitória em sua vida, alguém lhe dizer que você teve sorte, concorde dizendo: ‘sim, eu tive a sorte de não desistir’”. Hoje mesmo tive vontade de desistir mais cedo de minha ginástica, mas não dei vazão a essa ideia. Continuei malhando até terminar todos os exercícios. Ao sair da academia, eu senti uma incrível sensação de bem-estar. Ao cumprir com aquele propósito matinal, eu venci a mim mesmo e estava, assim, me preparando para outras vitórias, como por exemplo, escrever este artigo sobre a importância da persistência.
O dia de hoje, 27 de agosto de 2024, é dedicado à memória de Santa Mônica, venerada pelo seu exemplo de paciência e perseverança na intercessão por seu filho Agostinho. “A perseverança nas orações é uma virtude que Santa Mônica exemplificou ao longo de sua vida. Ela orou incansavelmente por mais de 17 anos pela conversão de seu filho. […] Um episódio que ilustra essa perseverança é o encontro de Mônica com um bispo, que lhe disse: ‘Vai, vai! É impossível que um filho de tantas lágrimas se perca’. Essas palavras fortaleceram ainda mais sua determinação em continuar orando por Agostinho. Eventualmente, suas orações foram atendidas, e Agostinho não só se converteu, mas também se tornou um dos maiores santos e teólogos da Igreja” (misericordia.com.br/as-virtudes-de-santa-monica-…).
Uma vez descoberto o nosso propósito neste mundo—a nossa vocação—somente conseguiremos a realização pessoal se nos dedicarmos, pacientemente, a caminhar, dia após dia, em direção à meta estabelecida. Desde criança eu me encantava com o cheiro dos livros novos. Tinha prazer em pegá-los e sentir aquele aroma agradável das páginas recém-saídas do prelo. Eu me perguntava se, algum dia, eu seria capaz de escrever um livro. Eram tantas as palavras, as frases, os parágrafos e as páginas, que a tarefa me parecia algo impossível naquela época.
Depois de dedicar-me com afinco aos estudos—engenharia, ciências sociais e comunicação—e lecionar por duas décadas, encontro na escrita a realização de um sonho concebido na infância. Com enorme alegria, publiquei em 1991, já com 43 anos de idade, o meu primeiro livro: Genocídio cultural. Agora, com quase 50 publicações, dedico praticamente todas as manhãs a criar conteúdos com o propósito de motivar, inspirar e elevar meus leitores. Enfim, criei o hábito de escrever.
A persistência conduz ao hábito e este à materialização de nosso ideal de vida. Mas, se eu tivesse desistido diante das dificuldades inerentes ao ofício—pois tive livros rejeitados pelas editoras—não estaria aqui hoje escrevendo justamente sobre a perseverança. Assim acontece com todas as profissões, é a prática constante que produz a excelência.
Penso nos cirurgiões—que venceram os desafios da escola de medicina e das residências médicas—para depois arcarem com a responsabilidade de salvar vidas. Nos músicos, que praticam horas a fio, para encantar plateias. Nos comerciantes que abrem suas lojas cotidianamente para receber seus clientes, atendendo às suas necessidades. Nos professores que, todas as noites, pacientemente preparam suas aulas. Enfim, não existe conquista humana que não seja fruto do trabalho persistente.


















