Política

Em meio ao aumento de internações pela covid-19, sistema de saúde de Divinópolis enfrenta nova crise

A Prefeitura de Divinópolis se manteve omissa até a semana passada, quando a situação do sistema de saúde da cidade aparentemente estava sob controle. Mas essa não era a realidade e no fim de semana o caos se instalou na UPA Padre Roberto, que não teve capacidade para atender ao grande número de pacientes com problemas respiratórios. A Comissão de Saúde esteve no local e constatou a gravidade da situação. O presidente da Comissão, José Braz Dias, confirmou a morte de quatro pessoas que estavam internadas na Unidade somente no final de semana. As causas das mortes ainda são desconhecidas.

OMISSÃO

Até então totalmente omissa ante o agravamento da crise no sistema, a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) adotou medidas emergenciais nesta segunda-feira (13). A primeira delas foi a aquisição de 10 leitos de enfermaria no Complexo de Saúde São João de Deus para onde foram levados 10 pacientes que estavam internados na UPA, como medida para desafogar a situação da unidade.

A Semusa adotou um plano emergencial para pessoas com síndromes respiratórias, encaminhando os atendimentos para a Policlínica, por um período de 90 dias, que terá início nesta quarta-feira (15). O atendimento será feito de 7h às 19h. “O objetivo é ampliar o atendimento à população e desafogar a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Padre Roberto neste período em que aumentam o número de casos de síndromes respiratórias graves. Os pacientes poderão ir direto à Policlínica, a partir da abertura deste serviço e, caso sejam classificadas como “amarelo” ou “laranja” serão encaminhadas para UPA”, disse a Semusa em nota oficial.

As unidades que atendem ao programa “Saúde na Hora” – Belvedere, Planalto, Sagrada Família, Tietê e Ermida – também foram disponibilizadas para atender pacientes com síndromes respiratórias, incluindo influenza e covid-19. Estas unidades funcionam de 18h às 21h30.

REUNIÃO DE EMERGÊNCIA

Diante do caos instalado no sistema de saúde, a Prefeitura de Divinópolis convocou uma reunião de emergência que ocorreu nesta segunda-feira (13) no Centro Administrativo. Para se perceber a gravidade da situação, a reunião teve a presença das principais autoridades ligadas à saúde pública.

De acordo com a Prefeitura, participaram da reunião o prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo; o promotor de justiça da área da saúde, Ubiratan Domingues; o secretário de saúde, Alan Rodrigo da Silva; o representante da Comissão de Saúde da Câmara, vereador Israel da Farmácia; o representante do Conselho Municipal de Saúde, Warlon Carlos Elias; o representante do Samu, José Márcio Zanardi e o médio Marco Aurélio Lobão; o representante da Superintendência Regional de Saúde, Júlio Barata; o representante da Regulação do Estado, Cláudio Fernandes; os representantes da Diretoria de Regulação em Saúde de Divinópolis, Érico Souki e Rafael Ribeiro, e a secretária de Governo, Janete Aparecida, além de deputados e vereadores.

A reunião não trouxe nenhum resultado prático imediato. A única decisão tomada que poderá ser implementada em regime de urgência, porém depende do  Executivo, é a fiscalização dos hospitais privados de Divinópolis para atendimento emergencial em pediatria, que deverá ser executada pelo Procon.

Também ficou definido que os prefeitos da região serão convocados para falar sobre a padronização da fiscalização dos leitos SUS, como é feito em Divinópolis e a busca de hospitais da região que possam atender média e baixa complexidade, de forma emergencial, para desafogar o sistema em Divinópolis.

COVID-19

Em meio à crise, a covid-19 volta a causar preocupação com o aumento de casos confirmados e internações. Segundo a Semusa, 25 pessoas estão internadas em Divinópolis, sendo nove em unidades de tratamento intensivo. Na sexta-feira (10), eram 19 pacientes internados. O número de casos notificados chegou a 162.833, dos quais 37.368 já foram confirmados por exames de laboratório. São 710 mortos pela covid-19 na cidade desde o início da pandemia.

ESCOLAS

O aumento dos casos de síndromes respiratórias no município gerou também medidas na Secretaria Munici9pal de Saúde. Após reunião na prefeitura, com a participação da diretora de Vigilância em Saúde, Erika Camargos, e representantes da Superintendência Regional de Ensino, de escolas particulares, e também de pais de alunos, foi estabelecido um protocolo, que entre outras medidas estabelece a realização do recreio com o máximo de separação entre as turmas, impede aglomerações antes do início das aulas e o aluno que apresentar algum sintoma gripal deve usar máscara. Entretanto, a Prefeitura não tornou obrigatório o retorno do uso de máscara nas escolas.

SINTRAM

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis e Região Centro-Oeste (Sintram), Wellington Silva, que nos últimos três anos acompanhou a evolução da covid-19 em Divinópolis e nas cidades da base, diz que o Sindicato está preocupado com a passividade das Prefeituras diante do aumento dos casos de covid-19. “Nossa preocupação é que possa vir uma nova onda e mais uma vez os servidores do sistema de saúde que estão na linha de frente estarão sujeitos a contaminações. Entendemos que as Prefeituras já deveriam ter tomado decisões mais eficazes, voltando a determinar a obrigatoriedade do uso de máscara em locais fechados. Essa seria uma medida preventiva, pois o aumento dos casos de covid-19 em todo o país já é uma realidade. Deixar para tomar essa decisão depois que houver um surto de doentes é expor sem motivos todos os servidores municipais, já que toda a categoria lida diariamente com uma grande rotatividade de pessoas. A diretoria do Sintram recomenda a todos os servidores de nossa base, que usem a máscara, mesmo não havendo a obrigatoriedade para isso. O momento exige consciência e já que até agora oficialmente nenhuma medida nesse sentido foi adotada, cabe ao servidor fazer a sua parte para sua própria segurança”, diz Wellington Silva.

Fonte: Sintram Centro Oeste/MG

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