Dívida de R$ 55 milhões agrava crise do transporte coletivo em Divinópolis

A situação do transporte coletivo em Divinópolis ganhou um novo capítulo após a prefeita Janete Aparecida revelar que o município possui uma dívida de R$ 55 milhões relacionada ao serviço. A informação foi apresentada durante entrevista concedida ao Sistema MPA e expõe um problema financeiro que pode impactar diretamente a qualidade do transporte oferecido à população.
Segundo a prefeita, o valor estaria ligado a diferenças acumuladas ao longo dos últimos anos no custeio do sistema, especialmente em relação aos subsídios destinados às gratuidades dos passageiros. A existência desse passivo teria sido comunicada oficialmente à atual gestão por meio de documentação encaminhada no dia 1º de junho.
A revelação ocorre em meio a cobranças cada vez maiores de usuários sobre a situação dos ônibus, atrasos, falhas mecânicas e dificuldades de acessibilidade. Um dos pontos destacados por Janete foi o atendimento às pessoas com deficiência, especialmente após casos recentes de constrangimento envolvendo passageiros que dependem dos elevadores instalados nos coletivos.
Durante a entrevista, a prefeita afirmou que a administração municipal tem levado reclamações e situações mais graves para as reuniões com o consórcio responsável pelo transporte. A intenção, segundo ela, é cobrar explicações e buscar soluções para problemas que afetam diretamente quem depende dos ônibus todos os dias.
Um dos principais reflexos da crise financeira, conforme relatado pela prefeita, estaria no envelhecimento da frota. Janete afirmou que, em anos anteriores, os veículos tinham idade média menor, mas a falta de recomposição financeira teria comprometido a renovação dos ônibus nos últimos cinco anos.
Com a frota mais antiga, os problemas operacionais tendem a se tornar mais frequentes. Além do desgaste natural dos veículos, a prefeita citou que as condições de algumas vias da cidade, com buracos, calçamento irregular e poeira, também contribuem para danos em equipamentos, principalmente nos elevadores de acessibilidade.
A situação preocupa porque esses equipamentos são essenciais para garantir o direito de locomoção de cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. Quando os elevadores apresentam falhas, o usuário pode ser impedido de embarcar, o que gera constrangimento, atraso e violação do direito de acesso ao transporte público.
Janete também relatou que o consórcio apresentou uma cláusula contratual que trata do equilíbrio financeiro do serviço. De acordo com a explicação dada na entrevista, a empresa alega que a falta de remuneração adequada teria afetado o cumprimento de obrigações previstas no contrato, incluindo a renovação periódica da frota.
A prefeita afirmou que não tinha conhecimento prévio da dívida no valor apresentado e disse que a documentação deverá ser disponibilizada no Portal da Transparência. A medida, segundo ela, permitirá que a população tenha acesso às informações sobre o passivo e acompanhe os desdobramentos do caso.
A dívida de R$ 55 milhões coloca a Prefeitura diante de um desafio complexo. Além de discutir uma eventual negociação do valor, o município também terá que lidar com a pressão por melhorias imediatas no serviço, especialmente em relação à acessibilidade, regularidade dos horários e conservação dos veículos.
Até o momento, ainda não foi divulgado um plano detalhado para enfrentar o problema. Também não foi apresentado um cronograma oficial de renovação da frota ou de ampliação da disponibilidade de ônibus adaptados para atender usuários com deficiência.
O tema deve continuar no centro do debate público em Divinópolis. O transporte coletivo é um serviço essencial e atinge diretamente trabalhadores, estudantes, idosos, pessoas com deficiência e famílias que dependem dos ônibus para se deslocar pela cidade.
A revelação feita por Janete Aparecida aumenta a cobrança por transparência e por uma solução efetiva. Além da discussão financeira entre Prefeitura e consórcio, a população espera respostas práticas para problemas que já fazem parte da rotina de quem utiliza o transporte coletivo no município.
Com a dívida milionária agora exposta, o desafio da administração será equilibrar responsabilidade fiscal, cumprimento contratual e melhoria do serviço prestado. Enquanto isso, os usuários seguem aguardando medidas concretas que garantam um transporte mais eficiente, acessível e seguro em Divinópolis.





















