Coveiro é indiciado após companheira viver oito dias de terror em cárcere privado em Divinópolis

A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu, nesta terça-feira (30), o inquérito que apurou uma tentativa de feminicídio contra uma mulher de 47 anos, mantida em cárcere privado por aproximadamente oito dias no Bairro Padre Eustáquio, em Divinópolis. O companheiro da vítima, de 44 anos, que atua como coveiro e é servidor municipal, foi indiciado por tentativa de feminicídio, tortura, cárcere privado, divulgação de cena de nudez e dano.
De acordo com a investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Divinópolis, a vítima foi submetida a uma sequência de agressões físicas, psicológicas e humilhações enquanto permaneceu sob domínio do investigado. A apuração aponta que a violência teria sido motivada por ciúmes e marcada por controle, intimidação e privação de liberdade.
Durante o período em que ficou presa no imóvel, a mulher teria sido impedida de sair livremente e submetida a situações degradantes. Segundo a Polícia Civil, um dos episódios de violência foi gravado pelo próprio investigado e compartilhado com outras pessoas como forma de humilhar a vítima.
O caso veio à tona após uma tentativa de fuga da mulher. Conforme a investigação, ela conseguiu deixar o apartamento em um momento em que o suspeito estava ausente, mas foi alcançada nas proximidades e levada de volta ao imóvel. A cena foi presenciada por um vizinho, que acionou a Polícia Militar.
Ainda segundo a apuração, antes da chegada dos policiais, o homem tentou matar a companheira usando uma faca. A tentativa de feminicídio foi interrompida pela reação da vítima e pela intervenção da equipe policial, que conseguiu prender o suspeito em flagrante.
Após ser resgatada, a mulher recebeu atendimento médico e passou por exame de corpo de delito. O procedimento foi utilizado para registrar oficialmente as lesões e auxiliar na formação das provas reunidas pela Polícia Civil ao longo do inquérito.
A vítima também recebeu acolhimento da rede de proteção. O atendimento incluiu suporte após o resgate e encaminhamentos voltados à segurança e proteção da mulher. A Justiça também deferiu medida protetiva de urgência em favor da vítima.
O homem permanece preso preventivamente à disposição da Justiça. Com a conclusão do inquérito, o caso segue para as próximas etapas legais, com análise do Ministério Público e do Poder Judiciário.
A investigação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Divinópolis, unidade responsável por apurar crimes praticados contra mulheres no contexto de violência doméstica e familiar. A conclusão do inquérito aponta uma série de crimes cometidos contra a vítima durante os dias em que ela ficou em cárcere privado.
Após a repercussão da ocorrência, a Prefeitura de Divinópolis divulgou nota de repúdio à violência contra a mulher e informou que acompanha os desdobramentos do caso. O investigado, servidor municipal, atua como coveiro no município.
Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados pelo telefone 190, em situações de emergência, ou pelo Ligue 180, canal nacional de atendimento à mulher. Denúncias também podem ser feitas diretamente às polícias, unidades de saúde, assistência social e serviços especializados de proteção.





















