Divinópolis

Escassez hídrica crítica ameaça abastecimento em Divinópolis e região: cenário pode se agravar até o verão

A declaração de Situação Crítica de Escassez Hídrica Superficial na bacia do rio Pará, publicada pela Portaria IGAM nº 25/2025, acendeu um alerta para Divinópolis e municípios vizinhos. A medida afeta diretamente cidades como Cláudio, Pará de Minas, Itaúna, Oliveira, Carmo do Cajuru, Nova Serrana, Pitangui, Conceição do Pará, Piracema, Passa Tempo, Desterro de Entre Rios e Carmópolis de Minas, que já convivem com pressões crescentes sobre os recursos hídricos.

O comunicado foi reforçado pela FIEMG Regional Centro-Oeste, que destacou os impactos imediatos da portaria, sobretudo na redução de captação para consumo humano, irrigação e uso industrial.


Motivos da restrição

Os dados da estação fluviométrica Velho da Taipa (código 40330000), referência na região, registraram queda das vazões médias diárias de sete dias consecutivos para níveis iguais ou inferiores a 70% da Q7,10 – índice técnico que indica estado de restrição conforme a Deliberação Normativa CERH/MG nº 49/2015.

Esse quadro é reflexo de estiagem prolongada, altas temperaturas e aumento do consumo urbano, agrícola e industrial. Na prática, o nível dos rios não consegue sustentar a demanda crescente de água.


Restrições impostas

A portaria estabelece reduções obrigatórias de captação:

  • 20% para consumo humano, dessedentação animal e abastecimento público.
  • 25% para irrigação agrícola.
  • 30% para consumo industrial e agroindustrial.
  • 50% para demais finalidades, exceto usos não consuntivos.

As restrições terão validade de 45 dias, prorrogáveis conforme a situação climática. Durante esse período, estão suspensas novas outorgas e pedidos de ampliação de volume de captação.


Riscos para o abastecimento

Segundo o analista ambiental da FIEMG, a medida pode comprometer o fornecimento urbano em parte dos municípios atingidos, já que concessionárias como a Copasa também terão de reduzir suas retiradas. A consequência imediata pode ser a interrupção intermitente do abastecimento em bairros de maior demanda e a necessidade de campanhas emergenciais de economia de água.

“O cenário mostra que a crise não é restrita à produção agrícola ou industrial. O abastecimento das cidades também pode sofrer, com impactos diretos para a população”, destacou o especialista.


Impactos econômicos

  • No campo: lavouras irrigadas de ciclo curto, como hortaliças, devem sofrer perdas relevantes, podendo comprometer o abastecimento regional de alimentos frescos.
  • Na indústria: setores que dependem fortemente de água no processo produtivo, como bebidas e têxtil, terão de ajustar operações, aumentando custos ou reduzindo produção.
  • No comércio: efeitos indiretos podem surgir no aumento de preços de alimentos e produtos, além de perda de competitividade de alguns setores locais.

Histórico preocupante em 2025

A Portaria nº 25 soma-se a outras já emitidas neste ano em Minas Gerais:

  • Portaria nº 23 (18/08/2025) – Escassez hídrica no rio Xopotó, com restrições de 60 dias.
  • Portaria nº 19 (22/07/2025) – Escassez hídrica entre as estações Belo Vale e Entre Rios de Minas, com restrições de 90 dias.

O padrão revela uma expansão geográfica da crise hídrica, atingindo diferentes bacias hidrográficas do estado.


Cenário futuro: o que esperar até o verão?

Se a estiagem se prolongar até novembro, a situação pode evoluir de restrição temporária para racionamento efetivo em várias cidades. Três fatores sustentam essa projeção:

  1. Consumo elevado no período quente – Nos meses de primavera e início do verão, a demanda por água cresce significativamente em razão das altas temperaturas, irrigação intensificada e aumento populacional em áreas urbanas.
  2. Capacidade limitada de recuperação dos rios – Mesmo que ocorram chuvas pontuais, a recarga dos cursos d’água tende a ser lenta, especialmente em bacias já pressionadas por desmatamento, erosão e uso intensivo.
  3. Pressão sobre concessionárias – A Copasa e os serviços municipais terão de equilibrar a redução obrigatória de captação com a necessidade de manter o fornecimento, o que pode levar à adoção de rodízios de abastecimento.

Caso não haja recuperação consistente do volume hídrico até o início do período chuvoso, especialistas não descartam restrições prolongadas ou novas portarias do IGAM, ampliando os prazos e endurecendo as reduções.


Medidas necessárias

A curto prazo, o cenário exige:

  • Campanhas de conscientização voltadas para economia de água.
  • Planos emergenciais de contingência por parte de indústrias e prefeituras.
  • Intensificação da fiscalização para garantir cumprimento das reduções.

A médio e longo prazo, a crise reforça a urgência em investir em:

  • Gestão eficiente dos recursos hídricos, com reuso e aproveitamento de águas pluviais.
  • Proteção de nascentes e matas ciliares na bacia do rio Pará.
  • Modernização de sistemas de irrigação para reduzir perdas.
  • Educação ambiental contínua para população e setor produtivo.

📌 Para mais informações, usuários da bacia podem contatar a FIEMG pelo e-mail tsa@fiemg.com.br.

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