I.A. versus I.E.

Ômar Souki
A medida que cresce a nossa dependência na I.A. (Inteligência Artificial) cresce também nossa necessidade por I.E. (Inteligência Emocional). No livro Megatrends, de 1988, John Naisbitt, pesquisador da Universidade de Harvard, constatou que a economia, que antes se sustentava pela industrialização, estava migrando para o domínio da informação. Isso significa que o poder que antes se manifestava através do capital, estava sendo substituído pelo controle do conhecimento. Essa transição estimulava uma maior utilização da tecnologia digital que possibilitou aumentos na produtividade e a utilização do home office. Ao mesmo tempo, com o crescimento do mundo virtual, muitas vezes surge a dúvida: “isso é real ou fake?”.
A maior parte do tempo dedicado ao entretenimento passou a ser “desfrutado” diante das telas, onde reinam programas violentos. Realizei pesquisas em Belize, na América Central, sobre o efeito da televisão via satélite sobre o comportamento humano, que comprovam as observações de Naisbitt. Até 1980 não havia televisão naquele pequeno pais, mas com a utilização de antenas parabólicas, a população local passou a ter acesso à televisão norte-americana que, ao estimular o consumo, acabava também motivando a violência. Não só pela predominância da violência na programação, mas porque a população de baixa renda—ao não ter condições de consumir os produtos anunciados—passou a fazer uso da violência para adquiri-los.
A tecnologia digital por um lado, possibilitou aumentos consideráveis na produtividade, mas por outro, causou um maior distanciamento entre as pessoas, aumento do fake e da violência. Com a utilização da I.A., a partir de 2017, essas tendências aumentaram exponencialmente. E as pessoas—agora imersas nesse mundo digital—passaram a procurar um sentido maior para suas vidas, aproximação uns com os outros, a prezar a autenticidade em relacionamentos e produtos, além de valorizarem a paz interior. Isto é, estão agora procurando cultivar mais a sua inteligência emocional (I.E.).
Isso ocorre quando conseguimos identificar e administrar nossas emoções, a nos motivarmos e aos outros para a pratica de atividades saudáveis e a conseguirmos identificar as emoções dos outros.
Identificar e administrar emoções. Ao nos observarmos de uma certa distância, diminuímos a intensidade de nossas emoções evitando atitudes de “bateu-levou”. E, ao separarmos os estímulos de nossas respostas, podemos conseguir dar respostas mais amorosas aos nossos interlocutores.
Nos motivarmos e aos outros. Em geral, quando nos propomos desafios razoáveis, e estabelecemos limites de tempo para nossas tarefas, conseguimos nos animar mais. Também, ao agirmos assim com nossos colaboradores, eles podem motivar-se mais para contribuir.
Identificar as emoções dos outros. Isso é possível através de uma observação mais atenta à fisiologia de nossos semelhantes. O corpo fala mais alto do que as palavras. A tonalidade de voz denuncia o estado de espírito da pessoa. Com um pouco de sensibilidade conseguimos melhorar a nossa capacidade de comunicação.
A I.A. veio para possibilitar uma melhoria considerável em nossa qualidade de vida. Isso, porém, somente acontecerá se estivermos também dispostos a condicionar a sua utilização a um investimento crescente em nossa I.E.


















