Servidores suspendem greve em Divinópolis, mantêm mobilização e marcam nova paralisação para agosto

Os servidores públicos municipais de Divinópolis decidiram suspender a greve iniciada contra a Reforma da Previdência e retomar integralmente as atividades nesta terça-feira, 14 de julho de 2026. A decisão foi tomada em assembleia realizada nesta segunda-feira, 13, na Praça do Santuário, depois de uma manifestação pelas ruas da região central da cidade.
A suspensão alcança os trabalhadores da Educação, da Saúde, das áreas administrativas e dos demais setores do serviço público que haviam aderido ao movimento. Com isso, escolas municipais, unidades de saúde, repartições e outros serviços deverão voltar aos horários habituais de funcionamento.
A decisão, entretanto, não representa o encerramento definitivo da mobilização. Os servidores aprovaram a permanência em estado de greve, condição que mantém as categorias organizadas e preparadas para retomar paralisações caso considerem necessário diante dos próximos desdobramentos políticos, administrativos e judiciais.
Uma nova assembleia foi marcada para o dia 6 de agosto. Na mesma data, os sindicatos pretendem realizar outra paralisação geral para avaliar o cenário, cobrar respostas e definir os próximos passos do movimento contra as alterações promovidas nas regras do Diviprev.
A assembleia foi realizada após mais um dia de mobilização no Centro de Divinópolis. Servidores se concentraram no quarteirão fechado da Rua São Paulo, participaram de caminhada, distribuíram materiais informativos no comércio e seguiram até a Praça do Santuário, onde discutiram a continuidade da greve.
A decisão de suspender o movimento foi tomada pelos próprios trabalhadores reunidos no local. A avaliação predominante foi de que, neste momento, a retomada das atividades permitirá que os sindicatos concentrem esforços nas ações judiciais e em outras formas de pressão sobre o Executivo e o Legislativo.
O movimento teve início em 3 de julho, quando os profissionais da Educação interromperam as atividades. A greve foi ampliada para o quadro geral do funcionalismo em 6 de julho, um dia antes da votação da Reforma da Previdência pela Câmara Municipal.
No dia 7 de julho, os vereadores aprovaram o projeto por 11 votos favoráveis e cinco contrários. Mesmo com a aprovação, os servidores decidiram permanecer em greve, sustentando que a votação não resolvia as reivindicações e que pontos do texto ainda poderiam ser contestados.
A sessão na Câmara foi marcada por manifestações dentro e fora do prédio legislativo. Servidores ocuparam as galerias, acompanharam a votação e protestaram contra as mudanças nas regras de aposentadoria, contribuição e concessão de benefícios.
A reforma foi posteriormente sancionada e transformada na Lei Complementar Municipal nº 253/2026. A conclusão do processo legislativo, no entanto, não encerrou o impasse entre a Prefeitura, os sindicatos e os trabalhadores municipais.
Durante a greve, a Prefeitura notificou extrajudicialmente o Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis e Região Centro-Oeste e o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Municipal. A administração argumentou que o movimento havia perdido o objeto após a aprovação do projeto.
O Município também recorreu à Justiça para pedir a declaração de ilegalidade da paralisação. Entre as medidas solicitadas estavam o retorno dos servidores, a possibilidade de desconto dos dias não trabalhados e a aplicação de outras providências contra as entidades sindicais.
Mesmo diante das notificações e da judicialização, os trabalhadores mantiveram a mobilização por mais alguns dias. A suspensão aprovada nesta segunda-feira foi apresentada pelos dirigentes sindicais como uma decisão estratégica, e não como abandono das reivindicações.
O presidente do Sintemd, Rodrigo Rodrigues, afirmou que a categoria optou por aguardar as decisões judiciais relacionadas à reforma antes de definir novos movimentos. Segundo ele, ainda existem pontos da legislação que precisam ser analisados e questionados.
Os representantes dos servidores sustentam que a tramitação do projeto ocorreu de forma acelerada e sem o acolhimento das principais propostas apresentadas pelas categorias. Para os sindicatos, a aprovação deixou pendentes questões que deverão ser discutidas nos tribunais.
O presidente do Sintram, Marco Aurélio Gomes, informou que as entidades trabalham em duas frentes jurídicas. Uma delas questiona o rito adotado durante a votação na Câmara, enquanto outra pretende contestar a constitucionalidade de dispositivos incluídos na nova legislação.
A intenção anunciada é ingressar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra pontos específicos da reforma. Os dirigentes afirmam que a suspensão da greve permitirá maior dedicação à elaboração das medidas jurídicas e ao acompanhamento dos processos já iniciados.
Além da atuação judicial, os sindicatos pretendem manter pressão política sobre os vereadores. A categoria aprovou a realização de atividades mensais na Câmara Municipal para lembrar os parlamentares da oposição dos servidores à reforma previdenciária.
Durante o período de recesso legislativo, os trabalhadores também deverão manter mobilizações pelas redes sociais. A estratégia é preservar o debate público e ampliar a divulgação dos impactos atribuídos às mudanças aprovadas.
Na Educação, o retorno às aulas ocorrerá nesta terça-feira. A retomada deverá abranger todas as unidades da rede municipal, encerrando o funcionamento parcial que vinha sendo adotado durante os dias de paralisação.
O comando de greve e representantes das direções escolares deverão se reunir com a Secretaria Municipal de Educação para tratar da reposição das aulas. A definição precisará considerar o calendário escolar, as particularidades das unidades e a necessidade de cumprir a carga horária obrigatória.
Os sindicatos defendem que cada comunidade escolar participe da elaboração do calendário de reposição. A proposta é permitir que escolas e Centros Municipais de Educação Infantil definam alternativas adequadas às respectivas realidades.
Além das aulas, deverão voltar ao funcionamento regular os postos de saúde, as unidades administrativas e os demais serviços públicos municipais afetados pela adesão dos trabalhadores. A expectativa é de normalização gradual ao longo desta terça-feira.
A Prefeitura informou que recebeu a notícia da suspensão com gratidão e destacou a importância da retomada dos serviços essenciais. A administração afirmou que o retorno representa a recuperação da normalidade no atendimento prestado à população.
Até o anúncio da suspensão, o Executivo ainda aguardava comunicação formal dos sindicatos sobre o resultado das assembleias. Apesar disso, a Prefeitura declarou esperar que os profissionais retomem imediatamente seus postos de trabalho.
O fim temporário da paralisação geral ocorreu no mesmo período em que os médicos da rede municipal realizaram uma mobilização própria. A categoria médica aderiu a uma paralisação de advertência de 24 horas contra a Reforma da Previdência, seguindo um cronograma independente.
A paralisação dos médicos manteve os atendimentos de urgência e emergência, enquanto parte das consultas e procedimentos eletivos poderia sofrer alterações. A adesão da categoria ampliou a pressão sobre a administração municipal no momento em que os demais servidores discutiam a suspensão da greve.
Com a retomada das atividades, um dos principais pontos de tensão será a situação dos dias parados. Ainda deverão ser discutidas a reposição das jornadas, a compensação das aulas e a possibilidade de desconto nos salários dos trabalhadores que aderiram ao movimento.
Os sindicatos defendem a negociação de um calendário de reposição para evitar prejuízos financeiros aos servidores e impactos prolongados no atendimento à população. A Prefeitura ainda poderá definir critérios administrativos ou buscar respaldo nas decisões judiciais sobre a greve.
Outro ponto pendente é a aplicação prática das novas regras previdenciárias. As entidades pretendem acompanhar os atos de regulamentação e avaliar os efeitos da lei sobre servidores ativos, aposentados e futuros beneficiários do Diviprev.
A manutenção do estado de greve significa que a categoria não considera encerrada a disputa. Caso os trabalhadores entendam que as decisões judiciais, as negociações ou a aplicação da lei não atendem às reivindicações, novas paralisações poderão ser convocadas.
A data de 6 de agosto será decisiva para o futuro da mobilização. Os servidores deverão analisar os resultados das ações judiciais, o andamento das negociações e a postura da Prefeitura e da Câmara Municipal durante as semanas seguintes.
O movimento marcou um dos períodos de maior tensão entre o funcionalismo e o governo municipal em 2026. Ao longo de dez dias, ocorreram assembleias, passeatas, ocupação das galerias da Câmara, notificações, ações judiciais e interrupção parcial de serviços.
Os sindicatos avaliam que, embora não tenham conseguido impedir a aprovação da reforma, o movimento ampliou o debate e demonstrou a insatisfação dos trabalhadores. A estratégia agora será combinar atuação jurídica, mobilização política e acompanhamento da execução da nova lei.
A Prefeitura, por sua vez, sustenta que a reforma é necessária para enfrentar o desequilíbrio financeiro e garantir a sustentabilidade do regime previdenciário municipal. Essa argumentação continua sendo contestada pelas entidades representativas dos servidores.
Com a suspensão da greve, a população deverá perceber a normalização dos serviços a partir desta terça-feira. Escolas, postos de saúde e repartições deverão retomar as atividades, enquanto os sindicatos reorganizam a mobilização fora do ambiente de trabalho.
O retorno, porém, não encerra o conflito provocado pela Reforma da Previdência. O estado de greve, a nova paralisação anunciada para agosto e as ações judiciais demonstram que o debate sobre o Diviprev deverá continuar nos próximos meses.
A próxima etapa será marcada pela disputa nos tribunais, pela negociação da reposição dos dias parados e pela pressão política sobre os responsáveis pela aprovação da reforma. Até a assembleia de agosto, os servidores permanecerão trabalhando, mas mobilizados e atentos aos novos desdobramentos.





















