Minas Gerais

Criança de 3 anos é mordida por morcego escondido dentro de tênis após sair de creche

Uma criança de 3 anos foi mordida por um filhote de morcego que estava escondido dentro do tênis utilizado por ela após retornar da creche, em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O caso aconteceu na segunda-feira, 6 de julho de 2026, e mobilizou a família, equipes médicas, profissionais da Vigilância em Zoonoses e representantes da Secretaria Municipal de Saúde.

Segundo o relato da família, o menino chegou em casa apresentando dificuldade para caminhar e mancando de um dos pés. Ao perceber o comportamento da criança, a mãe retirou o calçado e foi surpreendida com a saída de um pequeno morcego que estava no interior do tênis.

A mãe questionou o filho sobre o que havia acontecido e a criança confirmou que havia sido mordida. Em seguida, ela mostrou um ferimento localizado na dobra de um dos dedos do pé, o que levou a família a procurar imediatamente atendimento médico.

O menino foi levado inicialmente para uma unidade de pronto atendimento. No entanto, como o local não dispunha do soro antirrábico necessário para esse tipo de ocorrência, a criança precisou ser transferida para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, referência no atendimento a casos envolvendo exposição ao vírus da raiva.

O protocolo de prevenção contra a raiva foi iniciado pelo Sistema Único de Saúde. O tratamento prevê a aplicação de quatro doses da vacina antirrábica ao longo de duas semanas, além das medidas médicas definidas de acordo com o tipo e a localização do ferimento.

A primeira dose da vacina foi aplicada em 7 de julho. A segunda foi administrada na sexta-feira, dia 10, e as outras duas estavam programadas para os dias 14 e 21 de julho de 2026. O acompanhamento deverá continuar até a conclusão do protocolo preventivo.

O morcego foi recolhido pela equipe da Vigilância em Zoonoses e encaminhado para análise laboratorial. O exame deverá verificar se o animal estava infectado pelo vírus da raiva, e o resultado pode levar até 15 dias para ser concluído. Até a última atualização, não havia confirmação de que o filhote estivesse contaminado.

Segundo a família, a mãe comunicou o ocorrido em um grupo de mensagens da creche, mas teria recebido inicialmente apenas um emoji de susto como resposta. Ela afirmou que a instituição não entrou em contato imediatamente para oferecer assistência ou prestar esclarecimentos sobre o episódio.

Ainda de acordo com o relato da mãe, a creche procurou a família somente após o caso ser comunicado à Secretaria Municipal de Educação. A resposta inicial da instituição gerou insatisfação, principalmente diante da necessidade de atendimento emergencial e do risco relacionado à exposição ao vírus da raiva.

A professora da turma informou que os calçados das crianças haviam sido retirados e deixados do lado de fora da sala durante o período de atividades. A principal suspeita é de que o filhote de morcego tenha entrado no tênis nesse intervalo, sem que alunos ou profissionais percebessem a presença do animal.

Equipes da Vigilância em Saúde estiveram na creche para orientar os funcionários sobre medidas de prevenção, inspeção do ambiente e procedimentos que devem ser adotados caso morcegos sejam encontrados no local. A recomendação é não tocar diretamente no animal e acionar imediatamente os órgãos responsáveis.

Animais silvestres, especialmente morcegos, podem transmitir a raiva por meio de mordidas, arranhões ou contato da saliva com ferimentos e mucosas. Por isso, qualquer contato desse tipo exige avaliação médica imediata, mesmo quando o ferimento parece pequeno ou o animal aparenta ser apenas um filhote.

A raiva é uma doença viral grave que atinge o sistema nervoso e pode ser fatal quando não há atendimento preventivo adequado. A vacinação e a aplicação do soro, quando indicadas, são medidas fundamentais para impedir o desenvolvimento da doença após a exposição.

A criança permanece sendo acompanhada pelas equipes de saúde e deverá receber todas as doses previstas no protocolo. O caso também segue sob acompanhamento dos órgãos municipais, enquanto a família aguarda o resultado dos exames realizados no morcego.

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