Minas Gerais

Auditoria do TCEMG alerta: Estado gasta mais para “limpar escombros” do que para prevenir desastres ambientais

Conforme apuração do portal TCEMG, o Estado de Minas Gerais gastou mais para remover os efeitos de desastres ambientais do que para evitá-los, segundo auditoria operacional divulgada em 2025 pelo tribunal. O relatório analisa despesas entre 2012 e 2025, mostra que a prevenção ficou abaixo da resposta emergencial e reúne alertas de pesquisadoras, gestores e conselheiros sobre a necessidade de ação coordenada.

O que a auditoria encontrou

O levantamento do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais indica que, entre 2012 e 2025, o poder público mineiro destinou R$ 4,39 bilhões para ações de resposta e apenas R$ 823 milhões para prevenção. No mesmo período, a soma de recursos para limpar escombros, reconstruir estruturas e lidar com os efeitos dos eventos extremos superou com folga o investimento preventivo.

Os números aparecem em meio a um cenário de agravamento dos desastres. Entre 2020 e 2023, foram registrados 9.486 eventos extremos no estado, com 748,8 mil pessoas afetadas. Em 2025, o relatório também aponta 520 ocorrências, 16 mortes, 111 feridos e 283 desabrigados.

O tribunal ainda relaciona o quadro à urbanização desordenada e à ocupação de áreas vulneráveis. A auditoria foi justificada por esse conjunto de fatores e pela frequência crescente dos episódios.

Prevenção virou o centro do alerta

Ryan Brwnner Pereira, supervisor do relatório final da auditoria operacional, afirmou:

“Os desastres por eventos extremos estão mais frequentes e intensos. Esse contexto, associado à urbanização desordenada e à ocupação de áreas vulneráveis, justificam a realização dessa auditoria”

— Ryan Brwnner Pereira, supervisor do relatório final da auditoria operacional

Ryan Pereira, coordenador de Auditoria Operacional e Avaliação de Políticas Públicas no TCEMG, também reforçou a pressão sobre o poder público.

“Tais eventos extremos demandam toda a atenção da sociedade e do poder público”

— Ryan Pereira, coordenador de Auditoria Operacional e Avaliação de Políticas Públicas no TCEMG

O coordenador da auditoria operacional do TCEMG defendeu que a prevenção precisa orientar a política pública.

“A prevenção deve ser entendida como eixo estruturante e dentro deste conceito cabe ao governo do estado mapear áreas de risco, monitorar o clima e apoiar os municípios”

— coordenador da auditoria operacional do TCEMG, coordenador da auditoria operacional do TCEMG

Michelle Simões Reboita, pesquisadora e professora no curso de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), disse:

“O efeito estufa aparece, em discursos e opiniões, como vilão, ou seja, como causa para os eventos climáticos extremos. Mas a história não é bem assim. O efeito estufa é um fenômeno natural, essencial à vida em nosso planeta. Sem ele, a temperatura por aqui seria de aproximadamente 18 ° C negativos”

— Michelle Simões Reboita, pesquisadora, professora no curso de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Itajubá (Unifei)

Michelle Reboita acrescentou que o enfrentamento depende do setor público, sobretudo das prefeituras.

“O poder público, em especial as prefeituras, é essencial no enfrentamento dos fenômenos da crise climática. Não há como frear, por exemplo, o aquecimento global, mesmo que a emissão de gases do efeito estufa chegasse a zero. Esses gases permanecem na atmosfera por séculos”

— Michelle Reboita, pesquisadora

Ela ainda resumiu o impasse.

“A gente precisa qualificar o debate. A ciência já fez o diagnóstico e apontou o que precisamos fazer. O que falta agora é vontade política”

— Michelle Reboita, pesquisadora

Quem participou da sessão no tribunal

A sessão do TCEMG contou com Gilberto Pinto Monteiro Diniz, Conselheiro-Corregedor; Durval Ângelo Andrade, Conselheiro-Presidente; Cláudio Couto Terrão, Conselheiro Ouvidor; Agostinho Célio Andrade Patrus, Conselheiro-Vice-presidente; Mauri José Torres Duarte, Conselheiro; Sebastião Helvecio Ramos de Castro, Conselheiro; Licurgo Joseph Mourão de Oliveira, Conselheiro em Exercício; Hamilton Antônio Coelho, Conselheiro em Exercício; Alencar Magalhães da Silveira Júnior, Conselheiro; Telmo de Moura Passareli, Conselheiro em Exercício e Conselheiro Substituto; Adonias Fernandes Monteiro, Conselheiro Substituto – Ouvidor do TCEMG; Victor de Oliveira Meyer Nascimento, Conselheiro Substituto; Daniel de Carvalho Guimarães, Procurador do Ministério Público; Elke Andrade Soares de Moura, Procuradora do Ministério Público; Maria Cecília Borges, Subprocuradora do Ministério Público; Glaydson Santo Soprani Massaria, Procurador do Ministério Público; Sara Meinberg Schmidt de Andrade Duarte, Procuradora-geral do Ministério Público; Marcílio Barenco Correa de Mello, Procurador do Ministério Público; e Cristina Andrade Melo, Procuradora do Ministério Público.

O relatório também menciona 853 municípios, 200 e 170, além de percentuais e recortes como 33,17%, 0,7%, menos de 1,1% e 44% em diferentes análises internas. O documento cita ainda 216, 154, 42, 28, 11, 18 e 4 em seus levantamentos e séries históricas.

Entre os marcos registrados na base do material aparecem 17/07/2018, 1º/08/2018, 20/07/2026 e 2026, além de datas como 11 de novembro de 1968, 04 de fevereiro de 1985, 18 de janeiro de 1994, 04 de janeiro de 2000, 31 de janeiro de 2008, 23 de julho de 2008, 22 de dezembro de 2010, 7 de outubro de 2022 e 2 de fevereiro de 2023. O conjunto também reúne referências a 2021-2022, 2019-2020, 2017-2018, 2013/2014, 2014/2015, 2015/2016, 1991/1994, 2007/2018, 2011/2012, 2000-2018, 2018-2020 e 2023-2024.

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