Divinópolis

Em vídeo prefeita Janete Aparecida diz “Não irei retirar o projeto”, sobre reforma da Previdência em Divinópolis

A prefeita de Divinópolis, Janete Aparecida, voltou a se manifestar sobre a reforma da Previdência Municipal e afirmou, em vídeo publicado nas redes sociais, que não pretende retirar o projeto que está em tramitação na Câmara Municipal. A declaração ocorre em meio à pressão de servidores públicos municipais, sindicatos e lideranças que defendem a retirada da proposta para ampliação do debate antes da votação.

No vídeo, Janete Aparecida foi direta ao dizer que a decisão sobre o projeto não será recuada. “Não irei retirar. O projeto já está na Câmara”, afirmou a prefeita, ao tratar da reforma que tem provocado forte repercussão entre servidores ativos, aposentados, pensionistas e representantes do funcionalismo. A fala reforça a posição do Executivo de manter a tramitação da matéria, mesmo diante das críticas e da mobilização contrária de parte das categorias.

A proposta em discussão trata de mudanças na Previdência Municipal e envolve o Diviprev, instituto responsável pelo regime previdenciário dos servidores do município. Conforme informações já apresentadas em debate público, o projeto é o PL EM 008/2026, discutido em audiência pública realizada na Câmara Municipal de Divinópolis, ocasião em que servidores protestaram e pediram a retirada da matéria de tramitação.

Janete afirmou que compreende a insatisfação dos servidores, mas sustentou que a administração precisa tomar decisões difíceis diante da situação financeira do município. No vídeo, ela disse que a escolha colocada à Prefeitura envolve manter o pagamento das obrigações e os serviços essenciais à população ou recuar diante da pressão. Segundo a prefeita, sua decisão é continuar conduzindo o projeto, mesmo sabendo do desgaste político provocado pelo tema.

A prefeita também declarou que o debate não pode ser tratado apenas como uma pauta corporativa, mas como uma decisão que afeta toda a cidade. Em sua fala, ela afirmou que os servidores querem a retirada do projeto, mas que a população precisa de serviços públicos funcionando. Janete citou, de forma geral, a manutenção da Prefeitura, o pagamento de despesas e a necessidade de preservar serviços essenciais como elementos centrais para justificar a continuidade da proposta.

A reforma da Previdência Municipal vem sendo apresentada pela administração como uma medida necessária para enfrentar o desequilíbrio previdenciário. A Prefeitura informou anteriormente que estudos técnicos apontam déficit atuarial superior a R$ 2,5 bilhões e obrigação futura que pode chegar a R$ 3,8 bilhões, além do risco de comprometimento das finanças do município caso nenhuma medida seja adotada.

Do outro lado, representantes dos servidores defendem que uma mudança dessa dimensão precisa de mais diálogo, participação e análise técnica antes de avançar. Durante a audiência pública realizada na Câmara, lideranças sindicais e servidores cobraram a retirada do projeto e alegaram que a proposta interfere diretamente na vida funcional, financeira e previdenciária da categoria. A reunião foi marcada por protestos e acabou encerrada sem a apresentação técnica completa da Prefeitura.

A própria administração municipal também já havia informado que recebeu representantes do Sintram e do Sintemd para discutir pontos da reforma. Na ocasião, foram tratados temas como alíquota previdenciária, regras para servidores ativos e inativos, pedágio, progressividade, tetos, tabelas e regras de transição. A Prefeitura afirmou que sugestões apresentadas pelos sindicatos foram incorporadas ao texto encaminhado ao Legislativo.

Apesar da tentativa de negociação, a declaração mais recente da prefeita deixa claro que o Executivo não pretende retirar o projeto de tramitação. “Eu irei continuar mantendo”, afirmou Janete no vídeo, ao defender que governar exige responsabilidade e coragem para tomar decisões impopulares. Segundo ela, a prioridade deve ser evitar que a crise previdenciária prejudique o funcionamento da cidade e a população de Divinópolis.

A fala da prefeita aumenta a tensão política em torno da reforma e deve manter o tema no centro das discussões na Câmara Municipal. A partir de agora, a expectativa é sobre os próximos passos da tramitação, a posição dos vereadores e a continuidade da mobilização dos servidores, que seguem cobrando alterações, maior participação e garantias sobre os impactos da proposta.

Janete Aparecida encerrou a manifestação reforçando que está disposta a arcar com o custo político da decisão. Segundo a prefeita, retirar o projeto poderia até reduzir o desgaste momentâneo, mas, na avaliação dela, prejudicaria a cidade no futuro. “Mesmo que isso me prejudique politicamente, prejudicar a população de Divinópolis, não”, afirmou.

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