Dois adolescentes morrem afogados no Rio Pará, próximo à comunidade indígena Kaxixó em Martinho Campos

O Corpo de Bombeiros Militar de Bom Despacho foi acionado por volta do meio-dia deste domingo (5) para atender a uma ocorrência de afogamento no Rio Pará, em uma área próxima à comunidade indígena Kaxixó, conhecida como Capão do Zezinho, na zona rural de Martinho Campos, região Centro-Oeste de Minas Gerais. No local, os militares encontraram um cenário de grande comoção: dois adolescentes, de 14 e 16 anos, haviam se afogado enquanto nadavam com familiares.
De acordo com informações repassadas pelos bombeiros, as vítimas — primos e naturais de Pompéu — estavam em um momento de lazer com a família quando entraram na água e desapareceram. Um pescador conseguiu retirar o corpo de um dos jovens antes da chegada da guarnição, mas o segundo adolescente continuava submerso. Os militares iniciaram as buscas imediatamente, realizando varredura na superfície do rio antes de iniciar o mergulho de resgate.
Com o uso de equipamento de mergulho autônomo, os bombeiros localizaram o corpo da segunda vítima após cerca de uma hora de buscas, a aproximadamente três metros de profundidade. O ponto era de difícil acesso, com correnteza e desníveis no leito do rio, o que tornou o trabalho ainda mais delicado. A Polícia Civil foi acionada e realizou a perícia técnica no local, antes da liberação dos corpos para uma funerária de Martinho Campos.
Segundo o Corpo de Bombeiros, o trecho do Rio Pará onde ocorreu o acidente apresenta alto risco para banhistas, com redemoinhos, buracos e correntezas fortes que não são visíveis da superfície. Os militares ressaltaram que o local não é apropriado para banho e carece de sinalização de segurança. Durante a operação, os bombeiros orientaram familiares e moradores sobre os cuidados necessários em áreas naturais de lazer.
A tragédia causou profunda comoção em Pompéu, cidade natal dos adolescentes. Nas redes sociais, amigos e conhecidos lamentaram as mortes e prestaram homenagens às famílias. Autoridades locais também se manifestaram, reforçando o alerta sobre os perigos de banhos em rios e lagoas, especialmente durante o período de calor intenso.
Em nota, o 10º Batalhão de Bombeiros Militar lamentou o ocorrido e fez um apelo à população. “Infelizmente, essa é mais uma tragédia que poderia ter sido evitada. Locais como esse escondem riscos abaixo da superfície e, sem equipamentos adequados, qualquer mergulho pode se tornar fatal. É fundamental respeitar as orientações de segurança e nunca superestimar as próprias condições físicas”, afirmou o comunicado oficial.
O caso está sendo investigado pela Delegacia de Polícia Civil de Martinho Campos, que deve ouvir familiares e testemunhas para esclarecer as circunstâncias do afogamento. A expectativa é que o laudo do Instituto Médico Legal (IML) confirme as causas das mortes nos próximos dias. Até o momento, não há indícios de crime, e a ocorrência é tratada como um acidente trágico.
Segundo o Corpo de Bombeiros, o Rio Pará é um dos pontos de maior incidência de afogamentos na região Centro-Oeste de Minas, especialmente entre setembro e março, quando as temperaturas são mais elevadas e há aumento no fluxo de visitantes em áreas rurais. A corporação realiza campanhas educativas com foco na prevenção e conscientização, alertando sobre o perigo de nadar em locais não supervisionados.
Os bombeiros reforçam algumas medidas básicas de segurança: evitar mergulhos em locais desconhecidos, não entrar na água após o consumo de bebidas alcoólicas, e nunca nadar sozinho ou sem supervisão de adultos. Além disso, orientam que, em caso de emergência, não se tente o resgate direto sem preparo técnico, devendo acionar imediatamente o número 193.
Os corpos das vítimas foram levados para o Instituto Médico Legal (IML) e, posteriormente, encaminhados a Pompéu, onde devem ser sepultados. A tragédia comoveu não apenas as famílias, mas toda a região, reacendendo a discussão sobre a necessidade de sinalização adequada e ações preventivas permanentes em locais de risco. O Corpo de Bombeiros reforçou que a prudência é sempre a melhor forma de evitar novas perdas.


















