Por que meditar?

“Se alguém busca Deus e quer encontrá-lo, se quer uma vida de união mais íntima com ele, o silêncio é o caminho mais direto e o meio mais puro de se conseguir isso. O silêncio é fundamental, pois permite à Igreja caminhar nos passos de Jesus, imitando os trinta anos silenciosos de Nazaré, os quarenta dias e quarenta noites de jejum e diálogo íntimo com o Pai, na solidão e no silêncio do deserto” (Robert Sarah, A força do silêncio, p. 262).
Meditamos porque temos fome e sede de Deus. E ele se deixa encontrar no silêncio. “Quando orar, entre no seu quarto interior, feche a porta e ore a seu Pai em segredo. E, o seu Pai, que está em segredo, vai recompensar você” (Mateus 6, 6). O quarto interior é a nossa dimensão espiritual, para onde nos dirigimos durante a meditação. Para chegar lá, fechamos a porta aos ruídos, tanto do mundo exterior, quanto do interior (diálogo interno, pensamentos, lembranças, planos para o futuro, súplicas, agradecimentos etc.). Respiramos fundo e deixamos os pensamentos passarem sem nos atermos neles.
É um exercício espiritual que exige disciplina e persistência até percebermos seus efeitos. “A medida que a pessoa avança nesse exercício, ele lhe dará certa compostura tanto de corpo, quanto de alma, e a tornará realmente atraente aos olhos dos homens e mulheres que a observarem” (A nuvem do não-saber, p. 135). Esse efeito é constatado quando visitamos as freiras nos carmelos ou os monges nos mosteiros. A presença deles nos transmite profunda paz. E, quando praticamos a meditação com assiduidade conseguimos, por meio da proximidade com Deus, manter a serenidade e a paz interior mesmo diante da adversidade.
Assim como o exercício físico na academia exige persistência para colhermos os resultados, a entrega à meditação deve fazer parte da nossa rotina diária para podermos saborear os seus deliciosos frutos. No meu caso, saio da academia por volta das 10h00 da manhã e vou direto para frente do Santíssimo no Santuário Santo Antônio e ali permaneço, em silêncio por meia hora. Podemos nos dedicar a esse hábito com delicadeza, firmeza e constância, pois isso irá fortalecer a nossa vontade, o nosso propósito, o nosso foco mental e nos permitirá evitar as distrações.
Ao mantermos essa saudável dieta espiritual estaremos aumentando a nossa capacidade de nos entregarmos plenamente às tarefas de cada dia. Do mesmo, conseguimos enfrentar com mais competência os desafios que a vida se nos apresenta.
Se isso tudo não bastasse para nos convencer a abraçar com vontade essa divina prática, confesso ainda que, com o passar do tempo, sinto que a meditação se transformou em uma fonte que renova a minha alegria de viver e, ao mesmo tempo, aumenta a minha capacidade de amar.
Ômar Souki


















