Brasil

Bruxismo: o mal silencioso que afeta milhões de brasileiros

O bruxismo é uma condição caracterizada pelo ato involuntário de apertar ou ranger os dentes, podendo ocorrer durante o sono ou enquanto a pessoa está acordada. Considerado um problema de saúde pública crescente, estima-se que milhões de brasileiros sofram com esse distúrbio, frequentemente associado ao estresse, ansiedade e alterações do sono. Em todo o mundo, a condição também apresenta elevada incidência, impactando significativamente a qualidade de vida da população.

O bruxismo do sono acomete aproximadamente 10% a 15% dos adultos, enquanto o bruxismo em vigília pode atingir até 30% da população em determinados grupos. Crianças e adolescentes também podem apresentar o problema, embora muitos casos desapareçam com o crescimento. Nos últimos anos, especialistas observam aumento da incidência relacionado ao ritmo acelerado da vida moderna, às pressões profissionais e ao aumento dos transtornos de ansiedade.

Os principais sinais incluem desgaste dos dentes, dores na mandíbula, cefaleias frequentes, sensação de cansaço ao acordar, estalos na articulação temporomandibular (ATM), dor nos músculos da face e do pescoço, além de dificuldade para mastigar. Em muitos casos, o parceiro percebe primeiro o ranger dos dentes durante o sono, levando o paciente a procurar atendimento.

Do ponto de vista fisiológico, o bruxismo provoca contrações repetitivas e excessivas dos músculos mastigatórios, especialmente masseter, temporal e pterigoideos. Essas contrações geram sobrecarga na articulação temporomandibular, promovem microtraumas musculares, aumentam a tensão cervical e podem desencadear processos inflamatórios e dores crônicas, além de acelerar o desgaste do esmalte dentário.

O tratamento é multidisciplinar. O cirurgião-dentista realiza a avaliação da mordida e, quando necessário, indica placas oclusais para proteger os dentes durante o sono. Psicólogos e psiquiatras podem atuar no controle da ansiedade e do estresse, fatores frequentemente associados ao desenvolvimento e à manutenção do bruxismo. Em alguns casos, medicamentos são utilizados de forma complementar, sempre sob orientação médica.

A fisioterapia desempenha papel fundamental na reabilitação desses pacientes. O fisioterapeuta atua reduzindo a dor e a tensão muscular por meio de terapia manual, liberação miofascial, alongamentos dos músculos mastigatórios e cervicais, exercícios para reeducação da articulação temporomandibular, correção postural e fortalecimento da musculatura estabilizadora do pescoço. Recursos como ultrassom terapêutico, laser de baixa intensidade, eletroterapia e técnicas de relaxamento também podem ser utilizados conforme a necessidade clínica.

Além do tratamento, mudanças no estilo de vida são essenciais para controlar o problema. Dormir adequadamente, praticar atividade física, reduzir o consumo de cafeína e bebidas alcoólicas no período noturno, evitar mascar chicletes em excesso e adotar estratégias de controle do estresse contribuem para diminuir a frequência dos episódios de bruxismo e prevenir complicações futuras.

Embora não represente risco imediato à vida, o bruxismo pode causar importantes prejuízos funcionais e emocionais quando não tratado. O diagnóstico precoce e a atuação integrada entre dentistas, fisioterapeutas, médicos e psicólogos são fundamentais para aliviar os sintomas, preservar a saúde bucal, proteger a articulação temporomandibular e devolver qualidade de vida aos milhões de brasileiros que convivem diariamente com esse distúrbio silencioso.

Por: Ft. Ronner Miranda

Fisioterapeuta Especialista em Traumato Ortopedia Desportiva e Terapia Manual

Crefito: 243203-F

Tel/Watts: (37) 99905-3770

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