Mais de 24 milhões de pessoas ainda têm R$ 4,4 bilhões esquecidos para receber; veja como consultar e resgatar o dinheiro

Mais de 24 milhões de pessoas físicas ainda têm dinheiro esquecido em bancos e outras instituições para receber por meio do Sistema de Valores a Receber (SVR). Os dados oficiais mais recentes disponíveis apontam que R$ 4,44 bilhões permanecem à espera de resgate por 24.080.039 pessoas físicas em todo o país.
Os números têm como data-base maio de 2026 e foram publicados em 14 de julho. O levantamento mostra que ainda existe um volume significativo de recursos que pode ser solicitado por pessoas físicas e empresas que tiveram algum tipo de saldo não devolvido por instituições participantes do sistema.
Somando os valores de pessoas físicas e jurídicas, o total disponível para devolução chega a R$ 6.241.619.685,05. Desse montante, a maior parcela pertence a pessoas físicas, enquanto outra parte está vinculada a empresas que também podem consultar e solicitar os recursos existentes em seus CNPJs.
Entre as pessoas físicas, são exatamente 24.080.039 beneficiários com algum valor disponível no sistema. Juntos, esses recursos somam R$ 4.437.422.917,99, valor que continua registrado para devolução aos respectivos titulares.
No caso das empresas, 2.274.851 pessoas jurídicas possuem valores pendentes de resgate. O montante disponível para esse grupo alcança R$ 1.804.196.767,06, de acordo com a mesma base de dados.
O histórico do sistema também mostra que uma parcela maior do dinheiro identificado desde a implantação do serviço já retornou aos beneficiários. O total de valores devolvidos chegou a R$ 15.471.747.266,78 até a data considerada pelo levantamento.
Para pessoas físicas, foram devolvidos R$ 11.404.364.145,58 a 37.844.779 beneficiários. Entre as pessoas jurídicas, as devoluções acumuladas somaram R$ 4.067.383.121,20, alcançando 4.606.102 beneficiários.
Considerando os recursos que já foram devolvidos e aqueles que ainda permanecem disponíveis, o sistema contabiliza R$ 21.713.366.951,83 em valores identificados. Desse total, R$ 6,24 bilhões ainda aguardavam solicitação ou conclusão do processo de devolução na base de maio de 2026.
Veja os principais números:
| Categoria | Beneficiários com valores a receber | Valor ainda disponível | Valor já devolvido |
|---|---|---|---|
| Pessoas físicas | 24.080.039 | R$ 4.437.422.917,99 | R$ 11.404.364.145,58 |
| Pessoas jurídicas | 2.274.851 | R$ 1.804.196.767,06 | R$ 4.067.383.121,20 |
| Total | — | R$ 6.241.619.685,05 | R$ 15.471.747.266,78 |
O Sistema de Valores a Receber é uma ferramenta que permite verificar a existência de dinheiro deixado em bancos, administradoras de consórcios e outras instituições. Além de fazer a consulta, o usuário pode verificar a origem do recurso e as possibilidades disponíveis para solicitar a devolução.
Os valores encontrados no sistema podem ter diversas origens. Entre elas estão saldos de contas-correntes ou poupanças que foram encerradas, mas ainda possuíam dinheiro disponível para o antigo titular.
Também podem aparecer cotas de capital e rateios de sobras líquidas pertencentes a ex-participantes de cooperativas de crédito, além de recursos não procurados após o encerramento de grupos de consórcio. Tarifas ou despesas cobradas indevidamente também podem resultar em valores disponíveis para devolução.
O sistema inclui ainda saldos de contas de pagamento pré-pagas ou pós-pagas encerradas, inclusive determinadas situações envolvendo cartões de crédito, além de contas mantidas em corretoras e distribuidoras que foram encerradas com recursos disponíveis. Outros valores reconhecidos pelas instituições para devolução também podem aparecer na consulta.
Nem todo recurso devido ao cidadão aparece no SVR. O sistema, por exemplo, não reúne valores de abono salarial PIS/Pasep nem saldos de FGTS, que possuem canais próprios de consulta e pagamento. Também existem outras situações que não integram a plataforma do Banco Central.
Para descobrir inicialmente se existe dinheiro a receber, o cidadão pode fazer uma consulta sem precisar entrar na conta Gov.br. O acesso deve ser feito exclusivamente pelo serviço oficial do Sistema de Valores a Receber. Consultar o Sistema de Valores a Receber
No caso de uma pessoa física, a consulta inicial exige o número do CPF e a data de nascimento. O sistema informa se existe ou não algum valor registrado para aquele documento, permitindo que o cidadão avance para as etapas seguintes quando houver dinheiro disponível.
Para empresas, a consulta é realizada com o CNPJ e a data de abertura. A ferramenta também permite verificar a existência de recursos vinculados a empresas encerradas, desde que os procedimentos de representação exigidos para acessar os detalhes sejam atendidos.
Também é possível fazer uma consulta usando os dados de uma pessoa falecida. Nesse caso, são necessários o CPF e a data de nascimento do titular falecido para descobrir se existe algum valor registrado em seu nome.
Quando a consulta indicar a existência de dinheiro, o acesso aos detalhes exige uma Conta Gov.br de nível prata ou ouro com a verificação em duas etapas habilitada. Essa exigência passou a valer para o acesso ao SVR em fevereiro de 2025 e tem como objetivo reforçar a segurança das informações protegidas por sigilo bancário.
Depois de entrar no sistema, o usuário pode verificar o valor disponível, a instituição responsável pela devolução, a origem do dinheiro e os dados de contato necessários. Dependendo da situação, também são apresentadas informações adicionais relacionadas ao recurso identificado.
Quando aparecer a opção de solicitar o dinheiro diretamente pelo sistema, o usuário deverá seguir as orientações exibidas e indicar uma chave Pix aceita pelo serviço. O protocolo gerado durante a solicitação deve ser guardado para eventual necessidade de contato posterior com a instituição.
Nas solicitações realizadas pelo próprio Sistema de Valores a Receber, a instituição responsável deve fazer a devolução em até 12 dias úteis. O pagamento pode ocorrer utilizando os mecanismos previstos para a transferência do recurso ao titular.
Quando o procedimento precisa ser feito diretamente com o banco ou outra instituição, não existe um prazo máximo geral de devolução definido para todos os casos. A liberação dependerá do procedimento combinado com a instituição e da análise necessária para concluir o pagamento.
Uma das funcionalidades disponíveis no SVR é a solicitação automática de resgate. A opção foi implementada em maio de 2025 para permitir que pessoas físicas recebam determinados valores sem precisar acessar periodicamente o sistema para fazer uma nova solicitação manual.
Para utilizar o resgate automático, a pessoa física precisa possuir uma chave Pix do tipo CPF e acessar o SVR com Conta Gov.br prata ou ouro e verificação em duas etapas. Dentro da plataforma, é necessário habilitar a opção destinada ao recebimento automático e autorizar o uso da chave Pix CPF.
A adesão ao mecanismo automático, contudo, não significa que qualquer valor futuro será necessariamente transferido dessa forma. Instituições que não aderiram ao modelo de devolução via Pix continuam exigindo uma solicitação manual, e valores provenientes de contas conjuntas também podem exigir outro procedimento.
No caso de pessoas falecidas, a consulta pode ser realizada por herdeiro, testamentário, inventariante ou representante legal. Após localizar a existência do recurso, o responsável deverá entrar no sistema usando a própria Conta Gov.br, e não a conta que pertencia à pessoa falecida.
O sistema apresenta informações sobre a instituição responsável e os dados necessários para dar continuidade ao pedido relacionado à pessoa falecida. A devolução, nesse caso, deve ser tratada diretamente com a instituição, que poderá solicitar documentos para comprovar a condição de herdeiro, inventariante, testamentário ou representante legal.
Empresas que já encerraram suas atividades também podem possuir recursos disponíveis. O representante legal pode consultar o CNPJ e, caso encontre valores, seguir o procedimento específico para empresas encerradas, incluindo contato com a instituição responsável e apresentação da documentação solicitada.
Outro ponto de atenção é a possibilidade de golpes utilizando o tema do dinheiro esquecido. A consulta e a solicitação feitas pelos canais oficiais são gratuitas, e não existe cobrança para descobrir se uma pessoa ou empresa possui valores disponíveis.
O Banco Central não envia links por e-mail, SMS, WhatsApp ou Telegram para pedir que o cidadão consulte os valores, nem entra em contato para solicitar confirmação de dados pessoais. Também não é necessário pagar taxas, depósitos ou qualquer outro valor antecipado para receber o dinheiro.
Senhas e códigos de acesso da Conta Gov.br não devem ser informados a terceiros. Mesmo quando uma instituição responsável pelo dinheiro precisa entrar em contato para esclarecer detalhes da devolução, ela não deve solicitar a senha utilizada pelo cidadão para acessar os serviços digitais.
A consulta inicial pode ser feita mesmo por quem não se recorda de ter deixado saldo em contas encerradas ou de possuir recursos em outras instituições. Como os valores podem ter diferentes origens e permanecer registrados por longos períodos, a verificação pelo CPF ou CNPJ é a forma de saber se existe algum dinheiro disponível no sistema.
Com mais de 24 milhões de pessoas físicas ainda registradas como beneficiárias e R$ 4,44 bilhões disponíveis apenas para esse grupo, os dados mostram que uma parcela dos recursos identificados pelo sistema continua sem resgate. Pessoas físicas, empresas e representantes autorizados de falecidos ou empresas encerradas podem verificar a existência de valores pelos canais oficiais disponíveis.








