Homem morre baleado durante operação da PM em Itapecerica e família contesta versão apresentada pela corporação

Guilherme Pereira da Silva, de 34 anos, morreu após ser baleado durante uma operação da Polícia Militar realizada na manhã desta segunda-feira, 7 de setembro de 2026, no bairro Alto Alegre, em Itapecerica, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Os policiais estavam no imóvel para cumprir um mandado de busca e apreensão. A Polícia Militar afirma que Guilherme apontou um revólver contra a equipe durante a abordagem. Familiares que estavam na residência apresentam outra versão e dizem que ele estava deitado no quarto, desarmado e não reagiu à ação.
De acordo com a 7ª Região da Polícia Militar, as equipes cumpriam um mandado de busca e apreensão quando entraram na residência onde Guilherme estava. Segundo a versão divulgada pela corporação, durante a intervenção o homem teria apontado um revólver na direção dos militares, que determinaram que ele largasse a arma.
A Polícia Militar informou que Guilherme não teria atendido à ordem e teria mantido a arma direcionada aos policiais. Conforme a corporação, diante da possibilidade de agressão, os militares efetuaram disparos contra ele. A PM sustenta que a atuação ocorreu em legítima defesa.
Após ser baleado, Guilherme foi socorrido pelos próprios policiais e levado para a Santa Casa de Itapecerica. Segundo as informações divulgadas sobre a ocorrência, ele não resistiu aos ferimentos e morreu após dar entrada na unidade de saúde.
A Polícia Militar informou ainda que apreendeu um revólver calibre .32 com a numeração raspada e cinco munições durante a ocorrência. A corporação também declarou que uma pedra de crack e um cigarro de maconha foram localizados no imóvel durante os procedimentos realizados na residência.
A versão apresentada pela família é diferente. Segundo os parentes de Guilherme que estavam na casa, ele dormia quando os policiais chegaram ao imóvel e seguiram até o quarto. Os familiares afirmam que ele não portava arma e não teria apresentado resistência durante a abordagem.
A mãe de Guilherme, Vicentina Pereira da Silva, estava na residência no momento da operação. Também estavam no imóvel uma irmã, uma sobrinha e um sobrinho dele. Segundo os familiares, eles acompanharam parte da movimentação dos policiais dentro da casa e contestam a dinâmica apresentada posteriormente pela Polícia Militar.
De acordo com o relato dos parentes, policiais teriam entrado no quarto e perguntado a Guilherme sobre a existência de drogas. A família afirma que ele respondeu que não estava com entorpecentes e teria permitido que os militares realizassem buscas no imóvel.
Luciana Aparecida Silva, irmã de Guilherme, relatou que estava em um quarto próximo durante a intervenção. Segundo ela, o irmão havia utilizado medicamentos na noite anterior e estaria sonolento no momento da chegada da polícia. A família afirma que ele permanecia deitado quando os militares entraram no quarto.
Os parentes também dizem que pelo menos dois disparos atingiram Guilherme. Conforme o relato familiar, ele teria sido atingido na região das costas e posteriormente retirado do imóvel antes de ser levado pelos policiais para atendimento médico.
A família contesta ainda a apreensão apresentada pela Polícia Militar. Segundo os familiares, Guilherme não estava com uma arma no momento da abordagem e eles não teriam presenciado a localização do revólver ou dos entorpecentes informados posteriormente pela corporação.
A Polícia Militar, por outro lado, mantém a informação de que o revólver calibre .32 com numeração raspada foi apreendido durante a ação e que Guilherme teria apontado a arma contra os policiais. A corporação também mantém o registro da apreensão das cinco munições, da pedra de crack e do cigarro de maconha.
Familiares informaram que Guilherme possuía registros policiais anteriores relacionados ao tráfico de drogas e que fazia uso de entorpecentes. O histórico, porém, constitui informação separada da apuração sobre as circunstâncias específicas da ocorrência registrada nesta segunda-feira.
Após os disparos, familiares, moradores e outras pessoas se concentraram nas proximidades da residência. Segundo a Polícia Militar, houve um tumulto durante a ocorrência e os policiais utilizaram instrumentos de menor potencial ofensivo para dispersar as pessoas que estavam no local. A corporação informou o uso de granadas de efeito moral.
A perícia técnica da Polícia Civil esteve na residência e realizou os levantamentos necessários. Os trabalhos deverão fornecer elementos para a investigação sobre a posição de Guilherme no momento dos tiros, a trajetória dos disparos e outros vestígios encontrados no imóvel.
A Polícia Militar informou que instaurou procedimento para apurar a atuação dos policiais envolvidos. A investigação deverá confrontar as declarações dos militares com os relatos dos familiares, os resultados dos exames periciais e os demais elementos produzidos durante e depois da ocorrência.
As informações divulgadas até o momento apresentam duas versões para os instantes que antecederam os disparos. A Polícia Militar afirma que Guilherme estava armado e apontou um revólver para a equipe durante o cumprimento do mandado. A família afirma que ele estava desarmado, deitado no quarto e não reagiu à presença dos policiais.
A conclusão sobre a dinâmica da ocorrência dependerá das investigações e dos procedimentos de apuração instaurados após a morte. Os resultados da perícia, os depoimentos dos policiais, dos familiares e de outras pessoas que tenham presenciado a operação deverão ser considerados para esclarecer o que aconteceu dentro da residência no bairro Alto Alegre.








