Brasil

Ministério da Saúde vai revisar neste ano o plano de enfrentamento do HIV/aids entre mulheres

Revisão deveria ter acontecido em 2020, mas foi adiada em razão da pandemia

A coordenadora-geral de Vigilância das Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde, Angelica Miranda, disse em audiência na Câmara nesta terça-feira (29) que o governo vai revisar ainda neste ano o Plano de Enfrentamento do HIV/aids entre Mulheres. O último plano foi elaborado para o período 2007-2010 e a ideia, segundo ela, era rever o texto em 2020, mas houve um adiamento por causa da pandemia.

Angelica Miranda falou aos deputados que acompanharam audiência promovida pela Secretaria da Mulher da Câmara. Ela anunciou que o país está próximo de reduzir a quase zero a transmissão do HIV na gestação, mas explicou que existem diferenças regionais significativas:

“Quando a gente olha o país como um todo, a gente vê 2,3% de casos de transmissão vertical de HIV. Mas a gente tem 95% de acesso a consulta pré-natal e 95% de acesso ao tratamento antirretroviral. Só que quando a gente olha as regiões, essas regiões são desiguais”, disse.

Monitoramento
A transmissão vertical é alta em cidades como Vitória (ES), Florianópolis (SC) e Belém (PA). A deputada Erika Kokay (PT-DF) disse que vai sugerir a criação de um grupo de trabalho na Câmara para monitorar as políticas de enfrentamento à aids entre as mulheres:

“As comissões voltando a funcionar, o que deve acontecer em meados de abril, a gente pode apresentar um requerimento para criação de um grupo para monitorar com a sociedade a implementação do plano. Obviamente estabelecer o diálogo com o poder público nas diversas esferas, particularmente o Executivo”, observou a deputada.

Claudia Velasquez, da Unaids Brasil, programa da ONU sobre a doença, disse que foi aprovada uma estratégia global para eliminar a Aids até 2030. Ela afirmou que é importante fazer recortes de gênero e raça entre os infectados pelo HIV para auxiliar o enfrentamento. Um exemplo é que de cada três mulheres infectadas, uma já sofreu violência física ou sexual.

Estatísticas
A representante da Secretaria de Saúde de São Paulo na audiência, Angela Tayra, disse que em 2020 foram registradas 10.417 mortes por aids, sendo que 3.310 em mulheres. Ela também disse que 32% das mulheres gestantes soropositivas descobriram a doença no pré-natal. O ideal seria saber antes.

“Assim ela pode planejar melhor quando ela vai ficar grávida. Quando ela tem zero de detecção de vírus no sangue, é o melhor momento para ficar grávida e assim conservar durante a gravidez para que ela não transmita para o seu bebê”, afirmou.

Entre os recortes diferenciados, Angela Tayra citou o exemplo de mulheres trans, que em cada grupo de 100 pessoas, 31 teriam o HIV. Várias convidadas citaram a necessidade de dar a opção do tratamento PrEP entre as políticas públicas. O PrEP, ou Profilaxia Pré-Exposição, é um tratamento com medicamentos que reduz o risco da infecção.

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