Divinópolis

Dono que é dono, não sai da operação

Por Marlon Rocha Amaral

@___marlonrocha

Há uma crença cada vez mais difundida no meio empresarial de que o verdadeiro sucesso do dono está em se afastar da operação, deixar o negócio “andar sozinho”, cuidar apenas dos investimentos e viver de dividendos. Essa é uma das maiores ilusões do mundo corporativo. Dono que é dono, de verdade, não sai da operação.

E quando falo em “operação”, não me refiro à rotina dos detalhes, ao microgerenciamento, ao controle sufocante do dia a dia. Falo da operação estratégica, aquela que mantém o olhar do dono sobre o rumo do negócio, sobre a essência daquilo que ele criou do zero com suor, coragem e visão.

Cada vez mais vemos empresários que, ao conquistarem certo nível de estrutura, acreditam poder se afastar. Criam times competentes, sucessores bem-intencionados, executivos qualificados. Mas, ao deixarem de estar presentes, perdem algo invisível e essencial: o fio condutor da alma do negócio.

Por melhor que sejam seus executivos, eles jamais serão você. Não é arrogância, é fato. Enquanto você estiver vivo, sua forma de ver o mundo, seu instinto, sua intuição empresarial e o seu senso de oportunidade são insubstituíveis. São o “toque do dono” que orienta, ajusta e inspira a organização.

Quando a vida seguir seu curso e você já não estiver neste plano, aí sim os sucessores bem treinados, acompanhados de perto, preparados com tempo e presença, poderão seguir com o legado. Mas até lá, é sua responsabilidade estar perto.

Enquanto houver disposição, energia e vitalidade, o dono precisa permanecer na operação estratégica. É a sua presença que garante coerência de propósito, que mantém a cultura viva e que assegura que os números não se distanciem da realidade.

O olhar do dono sobre os custos, as decisões e os movimentos de mercado são insubstituíveis. É ele quem percebe o que um relatório não mostra, quem antecipa o que os números ainda não sinalizam.

Por isso, essa utopia de que o empresário bem-sucedido é aquele que trabalha pouco, que quase não aparece na empresa porque “ela se toca sozinha”, é muito perigosa. Negócio não se toca sozinho. Empresa é organismo vivo e o dono é o coração que pulsa e mantém o sangue circulando.

Quanto mais próximo você estiver dos seus executivos e sucessores, mais engajamento haverá. Quanto mais acompanhar de perto, mais perceberá oportunidades, desvios e riscos. E quanto mais presença tiver, mais forte será a cultura, mais viva será a essência e mais sustentável será o crescimento.

No fim, é simples: o dono que fica é o dono que faz prosperar.

Pense nisso.

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