Minas Gerais

Copasa é privatizada e Governo de Minas Gerais perde controle da companhia após mais de 50 anos

A privatização da Copasa foi concluída nesta terça-feira (16), na B3, em São Paulo, marcando uma das maiores mudanças da história recente do saneamento em Minas Gerais. Com a operação, o Governo de Minas deixou de ser o acionista controlador da companhia, encerrando um ciclo de mais de cinco décadas de controle estatal direto sobre a empresa responsável pelos serviços de água e esgoto em centenas de municípios mineiros.

A Equatorial Energia, por meio da Gerais Saneamento, passou a ser a investidora de referência da Copasa, com a compra de 30% do capital social da companhia. A transação foi feita no âmbito de uma oferta pública secundária de ações, ou seja, com venda de papéis que pertenciam ao Governo de Minas, sem emissão de novas ações pela empresa.

O preço definido para cada ação foi de R$ 49,03. Ao todo, a oferta movimentou quase R$ 8,4 bilhões, considerando a venda de mais de 171 milhões de ações. A operação foi uma das maiores do setor de saneamento no país e consolida a entrada definitiva da iniciativa privada na condução estratégica da Copasa.

Antes da privatização, o Governo de Minas detinha cerca de 50,03% da companhia. Após a conclusão da oferta, a participação estadual caiu para aproximadamente 5,03%. Mesmo deixando o controle da empresa, o Estado continuará com uma ação especial, conhecida como golden share, que garante poder de veto em decisões consideradas estratégicas.

Na prática, a golden share permite ao Governo de Minas manter influência em temas sensíveis, como alteração do nome da companhia, mudança da sede e outras deliberações estratégicas previstas no modelo aprovado. A estrutura foi apresentada como forma de preservar interesses públicos mesmo após a desestatização.

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais já havia aprovado, em dezembro de 2025, o projeto que autorizou a privatização da Copasa. O texto passou por forte debate político, com resistência da oposição e de servidores da companhia. A aprovação definitiva ocorreu por 53 votos a favor e 19 contra.

O modelo aprovado prevê que a nova estrutura da Copasa siga o formato de companhia sem concentração total de poder em um único acionista controlador. Mesmo assim, a Equatorial passa a exercer papel central como investidora de referência, com participação relevante e influência na condução dos rumos da empresa.

A privatização também foi acompanhada por debates sobre tarifas, qualidade do serviço, universalização do saneamento, segurança jurídica dos contratos e manutenção dos investimentos. O Governo de Minas defende que a mudança permitirá ampliar a capacidade de investimento da companhia e acelerar metas de atendimento de água e esgoto no estado.

Entre as metas associadas ao novo modelo está a universalização dos serviços de água e esgotamento sanitário até 2033, conforme previsto no Marco Legal do Saneamento. A expectativa é que a Copasa privatizada tenha maior capacidade de investimento para ampliar redes, melhorar estruturas e reduzir déficits históricos em municípios atendidos pela companhia.

A oposição e entidades contrárias à privatização, por outro lado, criticaram o processo e alertaram para possíveis impactos sobre tarifas, trabalhadores e municípios menores. Um dos principais argumentos dos críticos é que serviços essenciais, como água e esgoto, devem permanecer sob controle público direto.

A operação também tem impacto nas contas do Estado. Parte dos recursos obtidos com a venda das ações deve ser usada no contexto das obrigações financeiras de Minas Gerais, especialmente dentro das discussões relacionadas à dívida estadual com a União. Também há previsão de destinação de recursos para políticas ligadas ao saneamento básico.

A Copasa é uma das maiores empresas de saneamento do Brasil. A companhia atende milhões de pessoas em Minas Gerais, com serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário em centenas de municípios. Por isso, a privatização tem reflexos que vão além do mercado financeiro e atingem diretamente a população mineira.

Para os consumidores, a mudança não significa alteração automática nos serviços ou nas tarifas neste primeiro momento. A prestação continua sujeita aos contratos firmados com os municípios, às regras regulatórias e às obrigações legais do setor. Qualquer mudança prática dependerá dos contratos, da regulação e dos planos de investimento da companhia.

A conclusão da privatização encerra um processo que vinha sendo tratado como prioridade pelo governo estadual. Depois de aprovações legislativas, análise de órgãos de controle, definição de preço mínimo e oferta de ações, a transferência do controle estatal foi finalizada com a liquidação financeira na Bolsa de Valores.

Com a Copasa privatizada, Minas Gerais passa a acompanhar uma nova etapa do saneamento no estado. O desafio agora será transformar a operação financeira em melhoria concreta para a população, com expansão de redes, atendimento mais eficiente, cumprimento das metas de universalização e garantia de que os serviços essenciais sejam prestados com qualidade em todo o território mineiro.

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