Operação Cerco Fechado passa de mil prisões e apreende mais de 11 toneladas de drogas em Minas Gerais

A Operação Cerco Fechado completou um mês com 1.085 prisões em Minas Gerais, segundo balanço apresentado nesta quarta-feira (1º) pelo governador Mateus Simões, durante coletiva de imprensa realizada no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte. A estratégia integra forças estaduais e federais de segurança em ações voltadas ao combate a organizações criminosas, ao tráfico de drogas, à captura de foragidos e à ocupação de áreas consideradas sensíveis no estado.
De acordo com os dados apresentados pelo Governo de Minas, o primeiro mês da operação teve média de 36 prisões por dia. Além das prisões, as forças de segurança apreenderam 11.823 quilos de drogas, cumpriram 407 mandados de prisão e conduziram 1.307 pessoas às delegacias. O balanço também aponta a apreensão de 100 adolescentes, 131 armas de fogo, 2.415 munições e 95 armas brancas e simulacros.
A Operação Cerco Fechado foi iniciada em 1º de junho e segue sem data para terminar. A ação reúne repressão qualificada, inteligência policial, cumprimento de mandados, fiscalização de rotas utilizadas pelo crime organizado e presença ostensiva do Estado em regiões com maior incidência de criminalidade. Segundo o Governo de Minas, o objetivo é enfraquecer a atuação de facções criminosas e ampliar a atuação integrada das forças de segurança.
Durante a apresentação do balanço, o governador Mateus Simões esteve acompanhado de representantes das principais instituições envolvidas na operação. Participaram da coletiva o secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Rogério Greco; a comandante-geral da Polícia Militar de Minas Gerais, coronel Cleide Rodrigues; a chefe da Polícia Civil de Minas Gerais, delegada-geral Letícia Gamboge; o secretário-adjunto de Justiça e Segurança Pública, coronel Edgard Estevo; além de representantes da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal.
Entre os resultados destacados no primeiro mês da operação está a prisão de seis pessoas ligadas a organizações criminosas e procuradas por crimes como homicídio, tráfico de drogas, feminicídio, incêndio criminoso e crimes sexuais. As capturas foram resultado do trabalho do Grupo Integrado de Capturas, formado por agentes da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública, Polícia Federal e Polícia Militar de Minas Gerais.
Outro resultado mencionado pelo Governo de Minas foi a prisão, em Guarulhos, no estado de São Paulo, de uma mulher foragida condenada por financiar o tráfico internacional de drogas. A ação foi realizada de forma conjunta pela Polícia Federal e pela Polícia Militar de Minas Gerais, dentro da estratégia de integração entre forças de segurança estaduais e federais.
Segundo o governador, a operação já passou por mais de 30 comunidades em oito cidades mineiras. Durante a coletiva, Mateus Simões afirmou que nenhum policial ficou ferido nas ações realizadas até agora e destacou que a operação atingiu grupos criminosos como PCC, Comando Vermelho e Terceiro Comando Puro.
A Operação Cerco Fechado começou de forma simultânea em seis Regiões Integradas de Segurança Pública, alcançando inicialmente oito cidades: Belo Horizonte, Juiz de Fora, Uberaba, Uberlândia, Manhuaçu, Teófilo Otoni, Araguari e Montes Claros. As áreas contempladas foram definidas a partir de critérios estratégicos relacionados à dinâmica criminal de cada região.
O foco da operação envolve o cumprimento de mandados judiciais, a captura de foragidos, o combate ao tráfico de drogas e armas, a fiscalização de rotas utilizadas por organizações criminosas e a ocupação de pontos considerados prioritários pelas forças de segurança. A proposta é atuar tanto na repressão direta quanto no enfraquecimento das estruturas que sustentam o crime organizado.
Nesta quarta-feira, a operação também realizou uma ação específica nos aglomerados Cabana do Pai Tomás e Ventosa, em Belo Horizonte. O objetivo foi cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão contra alvos ligados a facções criminosas, investigados por envolvimento com o tráfico de drogas e pela chamada governança criminal.
A governança criminal é caracterizada pela tentativa de domínio territorial por organizações criminosas, com imposição de regras, controle de circulação, intimidação de moradores e influência sobre atividades dentro das comunidades. A atuação das forças de segurança nesses territórios busca reduzir esse tipo de controle e restabelecer a presença permanente do Estado.
Na ação realizada em Belo Horizonte, participaram 307 policiais, sendo 103 policiais militares, 190 policiais civis e 14 policiais penais. A operação contou ainda com 73 viaturas das forças de segurança, um helicóptero e dois cães empregados no apoio às buscas. Duas pessoas foram presas durante a ação.
Além das prisões, a operação nos aglomerados Cabana do Pai Tomás e Ventosa resultou no cumprimento de 35 mandados de busca e apreensão. Durante as diligências, foram apreendidas porções de cocaína, crack e maconha. O material foi encaminhado às autoridades responsáveis para as providências cabíveis.
O Governo de Minas afirma que a Operação Cerco Fechado combina ações ostensivas, investigação, inteligência e integração entre instituições. A presença conjunta das polícias Militar, Civil, Penal, Federal e Rodoviária Federal tem como objetivo ampliar a capacidade de resposta contra grupos criminosos que atuam em diferentes regiões do estado.
Além das ações nas ruas, unidades prisionais dos municípios contemplados também passaram por revistas coordenadas pela Polícia Penal de Minas Gerais. A medida faz parte da tentativa de enfrentar estruturas criminosas dentro e fora do sistema prisional, impedindo que ordens, articulações e comunicações ilegais continuem partindo de dentro das unidades.
Segundo o balanço apresentado, a apreensão de mais de 11 toneladas de drogas em apenas um mês representa um dos principais resultados da operação. O volume retirado de circulação inclui entorpecentes apreendidos em diferentes ações realizadas pelas forças de segurança ao longo do período.
A apreensão de armas e munições também foi destacada no balanço. Foram 131 armas de fogo e 2.415 munições apreendidas em um mês. Para as forças de segurança, a retirada desse tipo de material das ruas é considerada essencial para reduzir a capacidade de atuação de grupos criminosos e prevenir crimes violentos.
A operação também resultou na condução de 1.307 pessoas às delegacias. Esse número inclui abordagens, prisões, cumprimento de mandados e demais ações relacionadas às investigações e ao trabalho ostensivo realizado pelas forças de segurança. As ocorrências seguem sendo encaminhadas para análise e continuidade pelas autoridades competentes.
Outro dado relevante do balanço é a apreensão de 100 adolescentes. Os casos envolvendo menores de idade são tratados conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente, com encaminhamento às unidades e autoridades responsáveis. A presença de adolescentes em ocorrências ligadas ao tráfico e a outras práticas criminosas reforça a preocupação com a atuação de grupos criminosos em territórios vulneráveis.
A estratégia do Cerco Fechado também prevê uma segunda etapa voltada à prevenção da criminalidade. Após o período de atuação ostensiva, os territórios passam a receber programas da Subsecretaria de Prevenção à Criminalidade e da Subsecretaria de Políticas sobre Drogas, vinculadas à Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública.
A intenção, segundo o Governo de Minas, é ampliar a presença do Estado nas comunidades não apenas por meio das forças policiais, mas também com ações sociais, preventivas e de aproximação com a população. A proposta é evitar que a atuação se limite à repressão e avance para a oferta de serviços públicos e políticas de cidadania.
Dentro dessa estratégia, o Governo de Minas também promoveu edições da Praça de Serviços do programa Governo Presente em comunidades de Belo Horizonte, como Morro das Pedras, Cabana do Pai Tomás, Vila Cemig e Pedreira Prado Lopes. As ações reuniram serviços públicos gratuitos e buscaram aproximar órgãos estaduais dos moradores.
A Operação Cerco Fechado segue em andamento em Minas Gerais. Segundo o Governo do Estado, novas ações devem continuar sendo realizadas em áreas estratégicas, com foco na repressão a organizações criminosas, cumprimento de mandados, apreensão de drogas e armas e fortalecimento da presença do poder público em regiões consideradas prioritárias.
Com os números apresentados no primeiro mês, a operação se consolida como uma das principais ações de segurança pública em andamento no estado. O balanço mostra impacto direto nas prisões, apreensões e cumprimento de mandados, mas o resultado de longo prazo dependerá da continuidade das ações integradas e da capacidade do Estado de manter presença permanente nos territórios atendidos.
A expectativa é que novos balanços sejam divulgados ao longo da continuidade da operação. Até o momento, o Governo de Minas afirma que a estratégia não tem prazo para ser encerrada e seguirá combinando repressão qualificada, inteligência, integração entre forças de segurança e ações preventivas nas comunidades.





















