Política

Vereador diz que “Governo Zema” quer levar militares para dentro de escolas de Divinópolis

O Governo de Minas Gerais iniciou, no dia 30 de junho, o processo de manifestação de interesse para a adesão ao Programa das Escolas Cívico-Militares em diversas cidades mineiras. Um memorando da Secretaria de Estado de Educação (SEE/MG) foi enviado às Superintendências Regionais de Ensino (SREs) com orientações para que diretores e comunidades escolares decidam, até o dia 18 de julho, se desejam ou não adotar o modelo.

Em Divinópolis, 14 escolas estaduais foram incluídas na lista de unidades pré-selecionadas:

EE Lauro Epifânio

EE Dona Antônia Valadares

EE Joaquim Nabuco

EE Antônio Belarmino Gomes

EE Miguel Couto

EE Engenheiro Pedro Magalhães

EE Manoel Correa Filho

EE Santo Tomaz de Aquino

EE Monsenhor Domingos

EE Luiz de Melo Viana Sobrinho

EE Henrique Galvão

EE Antônio Gonçalves de Matos

EE Padre Matias Lobato

EE São Francisco de Assis

Também estão na mira escolas em cidades da região como Cláudio, Santo Antônio do Monte, Oliveira, Nova Serrana, Arcos, Lagoa da Prata e Itaúna.

Apesar do discurso oficial do governo, que apresenta o programa como uma “gestão colaborativa para fortalecimento da educação pública”, a proposta tem gerado controvérsias.

Vereador Vitor Costa é contra o modelo

O vereador Vitor Costa (PT), que tem se destacado por sua atuação firme em defesa da educação pública democrática, se posicionou contra a proposta  do governo Zema.

“Não caímos na propaganda oficial. Esse modelo pode parecer inofensivo, mas representa uma tentativa disfarçada de impor a lógica da disciplina e da hierarquia militar na educação pública. Isso não é educação cidadã, é controle”, afirmou Vitor.

Para o parlamentar, a proposta de Zema fere princípios pedagógicos e ignora as verdadeiras demandas da escola pública. “Nossas escolas precisam de mais psicólogos, professores, infraestrutura e valorização profissional — e não de militares nos corredores”, completou.

Reunião com a comunidade escolar

Diante da gravidade da proposta, o Sind-UTE Subsede Divinópolis convocou uma reunião com diretores, professores, ATBs e ASBs para discutir o tema. O encontro será realizado no Auditório Aleijadinho da Escola Estadual Dona Antônia Valadares, na próxima sexta-feira (04/07), às 18h, na Avenida Rio Grande do Sul, 624.

O sindicato alerta que a decisão final sobre a adesão ao programa será tomada em reunião do Colegiado Escolar. Por isso, é fundamental que a comunidade escolar se organize.

O que está por trás da proposta

Apesar do governo afirmar que o programa não é uma militarização da escola, os militares — policiais e bombeiros — atuarão diretamente dentro das instituições, com funções de mediação de conflitos, aplicação de atividades cívico-disciplinadoras e apoio à gestão.

O programa já foi alvo de críticas de educadores em todo o país e chegou a ser descontinuado em nível federal após pressão popular e técnica. Agora, o Governo Zema tenta aplicar o modelo em Minas, mesmo sem apresentar resultados pedagógicos concretos ou previsão de investimento específico.

Para o vereador Vitor Costa, essa é mais uma iniciativa do governo estadual que terceiriza responsabilidades e tenta mascarar os problemas estruturais da educação.

“É mais fácil mandar um militar do que investir em educação de verdade. Isso é maquiagem ideológica, e não política pública séria”, finalizou.

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