Caso Henay: homem que matou e simulou acidente na MG-050 vira réu

A Justiça de Minas Gerais aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou réu Alison de Araújo Mesquita, de 44 anos, acusado de matar Henay Rosa Gonçalves Amorim, de 31 anos, e simular um acidente de trânsito na MG-050, em Itaúna, no Centro-Oeste de Minas Gerais. A decisão também manteve a prisão preventiva do acusado, que responde pelo crime de homicídio cometido em contexto de violência doméstica, com qualificadoras apontadas pela acusação, além de fraude processual.
O caso, que inicialmente foi registrado como acidente de trânsito, passou a ser tratado como feminicídio após o avanço das investigações e a análise de imagens, laudos e demais elementos reunidos pela Polícia Civil. A morte de Henay ocorreu no dia 14 de dezembro de 2025 e ganhou grande repercussão em Minas Gerais pela suspeita de que a colisão na rodovia teria sido provocada para encobrir um crime anterior.

De acordo com a investigação, Henay teria sido morta durante a madrugada em um apartamento no bairro Nova Suíça, na Região Oeste de Belo Horizonte. Depois disso, conforme a denúncia, Alison teria colocado a vítima no carro e seguido em direção à MG-050, onde o veículo bateu contra um micro-ônibus no km 90 da rodovia, em Itaúna.
A dinâmica apresentada inicialmente como acidente começou a ser questionada depois que imagens de câmeras de segurança de uma praça de pedágio chamaram a atenção dos investigadores. Os registros mostraram Henay posicionada no banco do motorista, imóvel, enquanto Alison aparecia no banco do passageiro, conduzindo o veículo de forma incomum momentos antes da colisão.
Segundo as apurações, essas imagens foram decisivas para mudar o rumo do caso. O que parecia, à primeira vista, uma ocorrência de trânsito na MG-050 passou a ser investigado como possível feminicídio, com suspeita de que a colisão tivesse sido planejada para criar uma falsa cena de acidente e esconder a verdadeira causa da morte de Henay.
A denúncia aceita pela Justiça aponta que Alison teria matado Henay e, posteriormente, provocado a colisão para tentar dificultar a apuração dos fatos. Por esse motivo, além da acusação de homicídio em contexto de violência doméstica, ele também passou a responder por fraude processual, crime relacionado à tentativa de alterar ou simular uma cena para interferir na investigação.
Na decisão que tornou Alison réu, a juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza também determinou a manutenção da prisão preventiva. Com isso, o acusado continuará preso enquanto o processo segue em tramitação, salvo eventual decisão posterior em sentido contrário.
O Ministério Público denunciou Alison por homicídio cometido em contexto de violência doméstica, com qualificadoras de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. A acusação sustenta que Henay foi atacada de forma súbita e que não teve possibilidade de defesa diante da dinâmica apontada na investigação.
A fraude processual, segundo a denúncia, estaria ligada diretamente à simulação do acidente. Para o Ministério Público, a colisão na MG-050 não teria sido a causa real da morte, mas uma tentativa de mascarar o crime e fazer com que o caso fosse tratado apenas como uma tragédia no trânsito.
O acidente ocorreu em um trecho da MG-050 em Itaúna, envolvendo o carro onde estavam Henay e Alison e um micro-ônibus que seguia pela rodovia. A investigação apontou que o veículo teria invadido a direção contrária antes da batida, mas a ausência de uma dinâmica compatível com um acidente comum passou a levantar suspeitas.
A atuação de uma funcionária do pedágio também foi considerada importante para o esclarecimento do caso. Segundo informações divulgadas durante as apurações, a condição em que Henay apareceu no veículo antes da colisão chamou atenção, e esse relato ajudou a Polícia Civil a aprofundar a investigação.
Com o avanço das diligências, a Polícia Civil passou a confrontar a versão inicial com imagens, depoimentos e laudos. A partir daí, os investigadores encontraram indícios de que Henay já poderia estar sem reação antes mesmo do acidente na rodovia, o que fortaleceu a suspeita de que a colisão havia sido forjada.
A perícia também teve papel central na mudança de entendimento sobre o caso. Laudos e análises técnicas indicaram inconsistências entre a morte de Henay e a versão de que ela teria morrido apenas em razão da batida na MG-050. Esses elementos levaram a investigação a tratar o caso como feminicídio e fraude processual.
Alison foi preso preventivamente em dezembro, durante o velório de Henay, após a Polícia Civil reunir elementos que contradiziam a versão inicial apresentada para a morte. Desde então, ele permanece preso e passou pelas etapas iniciais do processo criminal.
Em audiência realizada em maio, Alison negou ter cometido o crime e apresentou sua versão para os fatos. Segundo a defesa, a colisão teria ocorrido durante uma disputa pelo controle do volante em meio a uma discussão dentro do veículo. O Ministério Público, no entanto, se manifestou contra o pedido de liberdade provisória feito pela defesa.
Durante a audiência, foram ouvidas testemunhas de acusação e de defesa. A magistrada estabeleceu prazo para a juntada de provas documentais e informou que analisaria os elementos do processo antes de decidir sobre os próximos passos, incluindo eventual submissão do réu ao Tribunal do Júri.
O caso segue em fase judicial, e Alison terá direito ao contraditório e à ampla defesa. Embora tenha se tornado réu, ainda não há condenação definitiva. A partir de agora, a Justiça deverá analisar as provas, ouvir as partes e decidir se o acusado será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
A morte de Henay Rosa Gonçalves Amorim causou forte comoção pela sequência de elementos apontados pela investigação. Uma jovem de 31 anos, inicialmente tratada como vítima de acidente, passou a ser reconhecida dentro de um caso que, segundo as autoridades, envolve violência doméstica, feminicídio e tentativa de ocultação do crime.
A repercussão também se deve ao fato de que o caso atravessou diferentes cidades de Minas Gerais. A investigação aponta que o crime teria começado em Belo Horizonte e terminado em uma cena simulada na MG-050, em Itaúna, no Centro-Oeste mineiro, região que acabou diretamente envolvida na apuração.
Para a família de Henay, a aceitação da denúncia representa um avanço importante na busca por responsabilização. A transformação do acusado em réu não encerra o processo, mas formaliza a acusação perante o Judiciário e permite que o caso avance para novas etapas.
O caso também reacende o alerta sobre a violência contra a mulher e os sinais que muitas vezes antecedem crimes graves. Investigações desse tipo mostram a importância de denúncias, registros, medidas protetivas e atuação rápida das autoridades diante de históricos de agressão, ameaça ou controle dentro de relações afetivas.
A denúncia do Ministério Público reforça a tese de que o acidente na MG-050 teria sido usado como instrumento para tentar apagar a cena anterior do crime. Essa é uma das partes mais impactantes do caso, porque desloca a narrativa de uma ocorrência de trânsito para uma acusação de feminicídio com tentativa de manipulação da investigação.
O trabalho dos investigadores, nesse contexto, foi essencial para impedir que o caso fosse encerrado como acidente. A análise das imagens, a atenção aos detalhes da passagem pelo pedágio, os laudos e os depoimentos permitiram reconstruir a sequência de acontecimentos e levantar contradições consideradas decisivas pela acusação.
Agora, o processo seguirá sob responsabilidade da Justiça. Caso seja pronunciado, Alison poderá ser levado a julgamento pelo Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes dolosos contra a vida. Até lá, a defesa poderá apresentar seus argumentos, pedir diligências e contestar os elementos reunidos pela acusação.
A morte de Henay deixa uma marca de dor para familiares e amigos, mas também se tornou um caso emblemático pela forma como a investigação revelou uma possível tentativa de transformar feminicídio em acidente de trânsito. A decisão que tornou Alison réu mantém o caso em evidência e coloca nas mãos do Judiciário a análise definitiva sobre a responsabilidade criminal do acusado.
Enquanto o processo avança, o nome de Henay Rosa Gonçalves Amorim permanece associado a uma investigação que expôs a gravidade da violência doméstica e a importância da apuração técnica em mortes inicialmente apresentadas como acidentes. O desfecho judicial ainda depende das próximas fases do processo, mas a denúncia aceita pela Justiça já representa uma nova etapa na busca por respostas.


















