Polícia

Dois homens são presos com 165 quilos de carne de cavalo que seria vendida como bovina em Campo Belo

Dois homens, de 43 e 47 anos, foram presos em flagrante pela Polícia Civil na noite de quarta-feira, 8 de julho de 2026, suspeitos de envolvimento em um esquema de abate clandestino de cavalos na zona rural de Campo Belo, no Sul de Minas. Durante a ação, os investigadores apreenderam 165,6 quilos de carne, instrumentos utilizados no abate, aparelhos celulares, um caderno com registros de vendas e uma caminhonete empregada no transporte do material.

A operação teve início depois que a polícia recebeu informações sobre um incêndio em uma propriedade rural que já era investigada por suspeitas de abate irregular de equinos. Diante da ocorrência e do histórico do local, equipes da Polícia Civil foram mobilizadas para realizar diligências e verificar a situação.

Durante os trabalhos, os policiais abordaram uma caminhonete ocupada pelos dois homens. Na caçamba do veículo, foi encontrada uma grande quantidade de carne proveniente de abate recente, transportada sem qualquer sistema de refrigeração ou acondicionamento adequado.

Conforme as informações da investigação, os ocupantes do veículo não apresentaram licença sanitária, autorização para o abate, documentos de origem dos animais ou comprovação regular para o transporte e a comercialização da carne. O material estava exposto a condições consideradas incompatíveis com as exigências mínimas de segurança alimentar.

A Polícia Civil trabalha com a suspeita de que a carne de cavalo poderia ser comercializada de maneira fraudulenta como carne bovina. A destinação exata do produto ainda é investigada, assim como os estabelecimentos, compradores ou intermediários que poderiam receber o material.

Durante o depoimento inicial, um dos presos afirmou que recebia dinheiro para auxiliar no abate e na preparação da carne. Ele também relatou aos investigadores que os animais eram mortos de maneira irregular, sem técnicas adequadas ou acompanhamento sanitário.

Na propriedade rural, os policiais encontraram carcaças de equinos em processo de queima, além de ossadas e restos de animais descartados em valas abertas no terreno. Parte do material estava nas proximidades de um curso d’água e de uma área de preservação permanente.

As condições encontradas no local foram consideradas precárias. Não havia estrutura apropriada para o abate, higienização, armazenamento ou conservação da carne. A ausência de inspeção sanitária e de controle sobre a procedência dos animais pode representar risco à saúde das pessoas que eventualmente consumissem o produto.

A Polícia Civil também investiga possíveis crimes ambientais relacionados ao descarte irregular das carcaças e à queima dos restos dos animais. A apuração deverá avaliar se houve contaminação do solo, da água ou danos à vegetação existente na área.

Além dos 165,6 quilos de carne, foram apreendidos instrumentos usados no abate e na desossa, telefones celulares e um caderno que continha anotações relacionadas a vendas. Os registros poderão auxiliar na identificação de compradores e de outras pessoas que teriam participado da atividade clandestina.

A caminhonete utilizada para transportar a carne também foi apreendida. O veículo ficará à disposição da investigação e poderá passar por perícia, assim como os celulares e os demais objetos encontrados durante a operação.

Os dois homens foram conduzidos para a delegacia, onde tiveram a prisão em flagrante formalizada. Após os procedimentos policiais, eles permaneceram presos e ficaram à disposição da Justiça.

A investigação continuará para esclarecer há quanto tempo os abates eram realizados, quantos animais teriam sido mortos e qual era o volume de carne comercializado. A polícia também busca identificar a origem dos cavalos e verificar se algum deles poderia ser produto de furto ou de outro crime.

Outra linha de apuração é verificar se comerciantes ou estabelecimentos da região adquiriam o produto sabendo que se tratava de carne de cavalo sem inspeção. A análise do caderno de vendas e dos aparelhos celulares poderá revelar contatos, negociações e possíveis destinos da mercadoria.

O caso também será analisado pelos órgãos responsáveis pela fiscalização sanitária e ambiental. A carne apreendida deverá receber destinação adequada, seguindo os procedimentos técnicos para impedir que seja colocada em circulação.

As autoridades alertam que o consumo de carne proveniente de abate clandestino pode causar graves riscos à saúde, uma vez que o produto não passa por inspeção veterinária, controle de doenças ou verificação das condições de armazenamento e transporte.

A Polícia Civil reforçou que as investigações seguem em andamento e que novas prisões ou apreensões não estão descartadas. Informações que possam auxiliar na identificação de outros envolvidos poderão ser repassadas de forma anônima às forças de segurança.

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