ALMG recebe inventário do Palácio das Mangabeiras e abre disputa
Leleco Pimentel pediu a audiência pública após encontrar ausência de objetos na antiga residência oficial dos governadores mineiros. Na reunião, Luísa Barreto disse que talheres não entram no inventário do Estado, afirmou que parte dos itens está em exposição ou foi leiloada como bem inservível e explicou que o processo de tombamento segue em andamento desde 2018.
O que ficou na mesa da comissão
Luísa Barreto, diretora-presidente da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), detalhou a relação dos bens e disse onde cada grupo está hoje. Entre os itens citados estão sofás, mesas, cadeiras, mesas de centro, guarda-roupas, aparelho de ar-condicionado, quadros e tapetes arraiolos. No total, são mais de 3.900 itens ligados ao Palácio das Mangabeiras.
Ela também informou que há 187 itens sob guarda da Codemge, 90 obras de arte, 19 quadros no Palácio da Liberdade, 1.200 livros na Biblioteca Pública Luís de Bessa, 2.400 pratarias e utensílios no Palácio Tiradentes, 31 poltronas e um projetor na Fundação Clóvis Salgado e 50 itens de roupa de cama no Tiradentes.
Leleco Pimentel questionou a data das fotografias mostradas e perguntou se a listagem estava completa. Luísa respondeu que o material é completo e que as fotos foram tiradas nas últimas duas semanas. Ela acrescentou que algumas obras de arte estão sob a guarda da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult) e outras passam por restauração na Faculdade de Ouro Preto (Faop).
De residência oficial a espaço aberto ao público
A diretora-presidente apresentou ainda uma linha do tempo dos últimos 15 anos. Em 2011, a gestão saiu da Secretaria de Governo e foi para a Secretaria-Geral do Estado. A partir de 2016, passou ao Gabinete Militar do Governador. Em 2019, a Codemge assumiu a administração e realizou o primeiro evento público, a Casa Cor. Desde 2022, o Palácio está sob uma sociedade de propósito específico (SPE).
Luísa defendeu o modelo como um instrumento legal e previsto para objetivos específicos. Segundo ela, a parceria fez o Palácio virar um lugar público com visitação ampla da sociedade. Em 2025, disse a gestora, foram mais de 55 mil visitantes — recorde de público.
A governança da SPE fica com um conselho de administração no qual o Estado tem cadeira. Luísa Barreto afirmou ainda que a gestão não dá lucro e que a arrecadação com entradas volta em melhorias na estrutura do prédio.
Ela detalhou intervenções feitas sob gestão da companhia: os jardins projetados por Burle Marx foram recuperados em 2021; pisos em taco e ladrilhos da piscina foram completamente revitalizados; em 2019 já não existia a sala de projeção do cinema idealizado por Juscelino Kubitschek; os itens foram repassados à Fundação Clóvis Salgado em 2015; e, desde 2025, foram inaugurados um parquinho infantil e uma pista de bicicleta. Hoje, o Palácio tem uma exposição fixa sobre sua história e os governadores que moraram ali, além de uma exposição móvel.
As críticas vieram com força
Parlamentares da oposição criticaram o uso comercial do imóvel e apontaram risco à preservação do patrimônio histórico. Leleco Pimentel disse que o Palácio tem recebido eventos sem limites claros de utilização. Na avaliação dele, a gestão deveria ser transferida para a Fundação Clóvis Salgado, e as atividades deveriam ser suspensas até que as intervenções sejam esclarecidas.
Professor Cleiton, deputado do PV e presidente da Comissão de Cultura, afirmou que as alterações promovidas no imóvel comprometem o valor histórico. Lohanna, deputada do PV, questionou a forma de constituição da SPE e a ausência de licitação para gerir o espaço; ela também pediu estudos técnicos sobre a capacidade do prédio para receber grandes eventos. Beatriz Cerqueira disse que a exploração econômica do espaço beneficia interesses privados a partir de um patrimônio público.
Gustavo Valadares defendeu a política adotada pelo Governo de Minas e sustentou que problemas estruturais e alterações no imóvel remontam a gestões anteriores. Zé Laviola saiu em defesa do perfil técnico de Luísa Barreto e do esforço dela para apresentar os itens com transparência.
No fim da audiência, os parlamentares do bloco de oposição reafirmaram os encaminhamentos já dados ao caso. Eles pedem investigação sobre a destinação dos bens, sobre a existência de inventário patrimonial de saída dos itens do Palácio das Mangabeiras e sobre eventuais danos ao patrimônio público. A Comissão de Cultura aprovou requerimento para uma nova audiência pública. As informações são da Polícia Federal.






















