Câmara de Divinópolis arquiva denúncia contra Gleidson Azevedo, mas cidadão anuncia novas ações

A Câmara Municipal de Divinópolis decidiu arquivar, nesta quarta-feira (17), o pedido de cassação que envolvia o prefeito Gleidson Azevedo (NOVO), a secretária de Assistência Social, Juliana Coelho, e o vereador Matheus Dias (Avante). A denúncia havia sido apresentada pelo cidadão Gustavo Henrique da Costa Mello e foi protocolada sob o número 17975/2025. O mesmo documento também foi encaminhado ao Ministério Público, à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e ao Conselho Regional de Serviço Social (CRESS).
Segundo o parecer da assessoria jurídica do Legislativo, a denúncia apresentava “vícios formais” que impossibilitaram sua tramitação. O ponto central identificado foi a tentativa de reunir, em um único processo, três agentes públicos distintos, cada um submetido a regimes jurídicos e ritos processuais diferentes. A análise concluiu que, diante dessa incongruência, a peça não poderia ser recebida pela Casa.
O presidente da Câmara, Israel da Farmácia, divulgou nota oficial explicando a decisão. No comunicado, ressaltou que cada autoridade tem regras próprias de responsabilização: o prefeito está sujeito a regime de responsabilidade político-administrativa; o vereador responde por quebra de decoro parlamentar; e a secretária municipal não pode ser processada diretamente pela Câmara em caso de perda de cargo. “São normas absolutamente distintas, o que impede a unificação do processo”, afirmou.
A denúncia foi motivada por declarações do pastor Wilson Botelho, feitas durante uma audiência pública no plenário da Câmara. Em sua fala, ele afirmou que expulsava moradores em situação de rua de uma cidade sob ameaças de morte e chegou a citar a expressão “dois tiros na cabeça”. O episódio gerou forte repercussão negativa, com manifestações de indignação de entidades sociais e lideranças políticas. Para setores ligados à defesa dos direitos humanos, a fala representou um ataque direto à dignidade de pessoas em situação de vulnerabilidade.
Com base nesse contexto, Gustavo Henrique protocolou o pedido de cassação, cobrando responsabilização dos agentes públicos citados. Segundo ele, a denúncia buscava chamar a atenção para a gravidade do episódio e para o papel das autoridades municipais diante de discursos que incentivam a violência. Ainda que tenha sido arquivado na Câmara, o cidadão reafirmou que não pretende desistir do processo.
Em entrevista, Gustavo Henrique declarou que vai corrigir os pontos formais da peça e reapresentar as denúncias nos órgãos competentes. Ele destacou ainda que atua de forma independente, sem ligação política ou partidária. “Estou fazendo as denúncias como cidadão, completamente sem interferência política de ninguém”, afirmou. O objetivo, segundo ele, é garantir que cada autoridade seja analisada dentro de seu respectivo rito processual.
A decisão da Câmara dividiu opiniões. Para parte da população, o arquivamento foi interpretado como uma medida burocrática necessária diante dos erros formais da denúncia. Já para outros setores, o desfecho reforça a percepção de falta de disposição do Legislativo em enfrentar temas delicados que envolvem figuras públicas da cidade. O debate promete continuar em meio a um cenário político já marcado por disputas intensas.
Enquanto isso, as entidades que receberam cópia da denúncia – Ministério Público, OAB e CRESS – poderão abrir investigações próprias. Esses órgãos têm autonomia para avaliar a pertinência das acusações e, se for o caso, instaurar procedimentos que apurem a responsabilidade de cada autoridade mencionada. A expectativa é de que novas movimentações sejam anunciadas nos próximos dias.
A fala do pastor Wilson segue sendo alvo de críticas, especialmente entre movimentos sociais que atuam na defesa da população em situação de rua. Para esses grupos, é fundamental que o episódio tenha desdobramentos concretos, de forma a reafirmar que discursos de ódio não podem ser tolerados em espaços institucionais. A mobilização também reforça a cobrança por políticas públicas mais efetivas de acolhimento social em Divinópolis.
Com o arquivamento no Legislativo, o futuro das denúncias dependerá agora da atuação dos órgãos externos. A reapresentação do caso por Gustavo Henrique e o acompanhamento da sociedade civil indicarão os próximos passos de um episódio que já movimenta o cenário político e social da cidade. A expectativa é que a discussão avance para além da formalidade jurídica e alcance o campo do debate público sobre responsabilidade, ética e respeito aos direitos humanos.


















