Prefeitura some, fogo não: empresas de caçamba continuam despejando entulho e incêndios seguem sem controle em Divinópolis
Grande “bota-fora” acima da obra do novo Hospital Regional de Divinópolis enfrenta incêndios sucessivos há três semanas — sem solução

Desde o dia 19 de junho, o grande “bota-fora” instalado acima da obra do novo Hospital Regional de Divinópolis enfrenta incêndios sucessivos — sem solução.
Completam-se três semanas de incêndios contínuos afetando os moradores dos bairros Realengo, Jardim Alterosa, Castelo, Itacolomi, Condomínio Vésper e Vivendas da Exposição. A fumaça já virou parte da paisagem — e o incômodo, parte da rotina. Diante da omissão da Prefeitura e da liberdade com que empresas seguem despejando entulho sem fiscalização, o que era indignação se tornou revolta.

Em uma das três vezes em que o Corpo de Bombeiros Militar esteve no local, os militares relataram aos moradores:
“Tendo em vista que o local trata-se de um bota-fora, o combate às chamas se torna ineficaz, uma vez que seria necessário remover o entulho, efetuar o jateamento de água em conjunto para extinguir o incêndio completamente.”
“Quando o bombeiro efetua o combate, as chamas são extinguidas superficialmente, tendo em vista que a água não atua em profundidade com efetividade.”

No centro do problema estão empresas como Gregório Caçambas, Wantukacambas, DiskEntulho / Tromaq Terraplenagem e Cimentão Caçambas — citadas diretamente em boletins de ocorrência do Corpo de Bombeiros e também identificadas por moradores em vídeos e fotos enviados à redação do Portal G37.
Os dois últimos boletins de ocorrência, referene a atuação dos Bombeiros nos dias 2 e 8 de julho mostram a evolução da crise. No primeiro atendimento, os bombeiros encontraram apenas fumaça, resultado de um incêndio iniciado na véspera. Segundo o relato de um motorista presente, o fogo teria sido causado por material quente despejado por uma caçamba oriunda de uma fundição.
Já no dia 8 de julho, o problema se agravou. Os bombeiros atuaram em duas áreas simultaneamente — uma operada pela Gregório Caçambas e outra dividida entre Wantukacambas, Cimentão e Tromaq. A operação durou mais de seis horas, com uso de 23.500 litros de água, duas viaturas e apoio de um caminhão ATB. Apesar do esforço, os focos subterrâneos continuaram ativos devido à ausência de máquinas pesadas — e os militares destacam em relatório que não conseguiram contato com os responsáveis pelas áreas, o que impediu o trabalho definitivo.
O morador Fabrício, do Bairro Jardim Alterosa, acompanhou toda a ação, foi ouvido oficialmente e relatou que os incêndios ocorrem sempre nos pontos utilizados como bota-fora por empresas de “tele caçamba / disque entulho” — e o que é jogado ali, segundo ele, vai muito além de restos de obra.
Em visita ao local, nossa equipe constatou a presença de materiais inflamáveis (plástico, papelão, isopor, etc), fumaça constante e odor intenso de gás. O calor da área indica que há fogo queimando subterraneamente.
Apesar das promessas da Prefeitura, nenhuma fiscalização foi efetivamente implantada na área. “Gravaram vídeo dizendo que iam resolver ‘em questão de dias’. Já se passaram semanas. A única coisa que continua aparecendo por aqui é a fumaça”, comenta um dos moradores.
“Falaram que teria fiscal da Prefeitura aí. Não tem?” — comenta um morador, enquanto mostra à reportagem a troca de mensagens com um vereador, que também acreditava que a fiscalização já estava em andamento. A conversa expõe que nem os próprios vereadores têm controle da situação, reforçando a sensação de desorganização e abandono por parte do poder público.
Revoltados, moradores entrevistados falam: “A Prefeitura está fazendo os vereadores e a população de bobos“. “A gente passa várias vezes durante o dia e nunca viu ninguém fiscalizando nada. Entra quem quer, joga o que quer”, denunciou Marcelo, morador da região.
O caso se torna ainda mais grave ao constatar que todas as empresas envolvidas continuam operando normalmente, e seguem descartando material da mesma forma, mesmo após denúncias públicas e ampla cobertura da imprensa local.
Como forma de denúncia — no tom “bem ao estilo que o prefeito gosta”, dizem os moradores — circula nas redes um vídeo gerado por inteligência artificial: um dinossauro parado observando a fumaça que sobe do Jardim Alterosa, próximo ao novo Hospital Regional. O símbolo não poderia ser mais ácido: um animal pré-histórico olhando para um problema tão antigo quanto ele — que, mesmo em 2025, continua sem resposta.
Veja o meme:


















