Divinópolis

ACASP e OAB intensificam alerta sobre golpe do falso advogado após relatos de prejuízos em Divinópolis

A prevenção ao chamado “golpe do falso advogado” foi o principal tema da reunião itinerante realizada pela Associação Comunitária para Assuntos de Segurança Pública (ACASP), na sede da Subseção Divinópolis da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG). O encontro reuniu representantes das forças de segurança, Poder Público, entidades, instituições e sociedade civil para discutir crimes virtuais, trânsito, monitoramento urbano e outras demandas relacionadas à segurança pública no município.

Durante a reunião, a presidente da OAB em Divinópolis, Ellen Lima, apresentou uma campanha de conscientização sobre o golpe e destacou a distribuição de uma cartilha com orientações destinadas à população. O material busca alertar clientes de escritórios de advocacia sobre abordagens feitas por criminosos que utilizam informações verdadeiras de processos judiciais para solicitar pagamentos, transferências ou depósitos.

Segundo as informações apresentadas no encontro, os golpistas vêm aprimorando a forma de abordagem. Em alguns casos, utilizam fotografias de advogados, nomes corretos das partes envolvidas em processos, dados processuais disponíveis publicamente e outras informações capazes de tornar a conversa mais convincente. Também foi discutida a utilização de recursos tecnológicos e ferramentas de inteligência artificial para reprodução de imagens, textos e até mensagens de voz.

Uma professora universitária relatou durante a reunião que profissionais da educação também estão sendo procurados por criminosos que se apresentam como advogados. Segundo ela, os contatos estariam relacionados principalmente a processos judiciais envolvendo titulação acadêmica. A professora afirmou ter recebido quatro abordagens pelo WhatsApp contendo fotografia de advogado, dados reais e pedidos de transferência de dinheiro relacionados a processos.

Ainda conforme o relato apresentado aos participantes, um professor teria realizado um pagamento de aproximadamente R$ 10 mil depois de receber uma abordagem semelhante. O caso foi citado como exemplo da dificuldade enfrentada pelas vítimas para identificar a fraude quando os criminosos possuem informações verdadeiras sobre ações judiciais, profissionais envolvidos e partes do processo.

A delegada da Polícia Civil Adriene Lopes também abordou a atuação dos criminosos e ressaltou que o uso de informações reais pode aumentar a credibilidade da fraude. Durante a reunião, ela mencionou uma ocorrência recente em que uma vítima recebeu mensagens utilizando fotografia, dados e até mensagem de voz relacionada a um advogado, resultando em prejuízo financeiro.

Outras modalidades de fraude também entraram na discussão. Entre os casos mencionados estavam golpes envolvendo falsos pagamentos por PIX, falsas ofertas de emprego e uma ocorrência envolvendo uma empresa de Divinópolis, cujo prejuízo teria chegado a aproximadamente R$ 400 mil. Os exemplos foram apresentados para reforçar a necessidade de confirmar solicitações financeiras antes de efetuar qualquer pagamento.

A orientação apresentada durante a reunião é para que clientes não realizem transferências apenas com base em mensagens recebidas por WhatsApp ou outros aplicativos. Em caso de pedido de pagamento relacionado a processo judicial, a recomendação é entrar em contato diretamente com o advogado ou escritório por meio de um número já conhecido ou de um canal oficial, sem utilizar os contatos encaminhados pelo próprio remetente da mensagem suspeita.

O promotor de Justiça Leandro Wili, coordenador regional do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), explicou aos participantes que o órgão atua principalmente em investigações relacionadas à criminalidade organizada e a casos de maior complexidade. Ao tratar do falso advogado, ele destacou que os criminosos exploram uma relação de confiança já existente entre cliente e profissional para construir uma abordagem capaz de induzir a vítima ao pagamento.

Diante dos relatos, o presidente da ACASP, Breno Clementino, sugeriu ampliar a divulgação das orientações por meio de uma campanha nos veículos de comunicação. A proposta é aumentar o alcance das informações preventivas e alertar principalmente pessoas que possuem processos judiciais em andamento sobre a necessidade de verificar a autenticidade dos contatos recebidos.

A reunião também abriu espaço para discussões relacionadas ao trânsito de Divinópolis. Participantes apresentaram reclamações envolvendo motociclistas e outros condutores que desrespeitam sinalizações e normas de circulação. Entre as propostas discutidas está a ampliação das ações educativas para reduzir comportamentos de risco nas vias municipais.

Carrilho, representante da ACASP, defendeu a realização de palestras de conscientização sobre trânsito nas escolas. Durante o debate, outro participante também solicitou maior presença policial nas proximidades de unidades escolares durante o período da manhã. Questões relacionadas a som alto e à participação dos meios de comunicação em campanhas educativas também foram apresentadas.

Um representante da Polícia Militar explicou que as viaturas permanecem em patrulhamento durante as 24 horas do dia. Segundo ele, a distribuição dos veículos e das equipes policiais ocorre conforme critérios como demanda de ocorrências, histórico dos locais e registros feitos em cada faixa de horário.

A situação da Praça da Catedral também entrou na pauta. Foram discutidos problemas relacionados à mobilidade, estacionamento e presença de pessoas em situação de rua. Um representante da Secretaria Municipal de Trânsito, Segurança Pública e Mobilidade Urbana (Settrans) informou que encaminharia as demandas relacionadas à praça para análise do setor responsável pela engenharia de tráfego.

A Settrans também foi questionada sobre a situação da Rua Mato Grosso com a Rua Itapecerica. Segundo o representante do órgão, a situação da obra existente no trecho será verificada. Ele informou ainda que um dos semáforos mencionados durante as discussões na região do bairro Interlagos está em funcionamento.

Outro assunto apresentado foi o projeto de implantação de uma central de monitoramento dentro da proposta de cidade inteligente. Conforme relatado na reunião, a Câmara Municipal analisou projeto relacionado à doação de um terreno para construção da sede própria da Empresa Municipal de Obras Públicas e Serviços (Emop), com previsão de uma estrutura destinada também à central de monitoramento.

A proposta apresentada prevê a instalação de mais de 500 câmeras em Divinópolis. Os equipamentos poderão ser utilizados no acompanhamento de áreas como escolas, unidades de saúde, praças e vias públicas. A expectativa apresentada pelos participantes é que o sistema possa contribuir com o trabalho integrado dos órgãos de segurança e com o monitoramento do trânsito.

Demandas de infraestrutura urbana também foram apresentadas. Uma representante da Unimed relatou problemas na região do cruzamento das ruas Mato Grosso e Itapecerica, onde haveria acúmulo de água e uma vala. O caso foi apresentado aos representantes do município presentes na reunião para avaliação.

A Unimed também informou que adotou a Praça Esportiva Vereador Zé Milton, localizada no bairro São Sebastião. Conforme apresentado durante o encontro, a empresa pretende realizar trabalhos de revitalização no espaço.

A segurança envolvendo veículos elétricos entrou na pauta por meio de uma apresentação do Corpo de Bombeiros. Um representante da corporação chamou atenção para a Instrução Técnica nº 30, que estabelece requisitos relacionados a instalações elétricas destinadas à recarga de veículos elétricos em edificações residenciais.

A orientação apresentada é para que responsáveis por condomínios, imóveis e instalações de pontos de carregamento consultem as normas disponibilizadas pelo Corpo de Bombeiros antes de implantar os equipamentos. O objetivo é observar as exigências técnicas previstas para reduzir riscos relacionados às instalações elétricas e aos sistemas de recarga.

No encerramento, o presidente da ACASP, Breno Clementino, destacou a participação de representantes das instituições e agradeceu aos presentes. Ele também mencionou o mês do advogado e ressaltou a proposta da associação de manter o diálogo entre forças de segurança, entidades, Poder Público e comunidade.

A ACASP foi criada em 1999 como uma sociedade civil sem fins lucrativos para apoiar ações relacionadas à segurança pública em Divinópolis. Segundo a entidade, seus integrantes atuam de forma voluntária e não remunerada em projetos e discussões voltados à prevenção e à aproximação entre instituições e sociedade.

A reunião realizada na OAB reforçou principalmente o alerta sobre o golpe do falso advogado diante dos relatos de vítimas e dos valores mencionados durante o encontro. A principal recomendação é que qualquer solicitação de depósito ou transferência relacionada a processo judicial seja confirmada diretamente com o advogado responsável por meio de um canal previamente conhecido pelo cliente.

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