Greve dos servidores pressiona votação da reforma da Previdência nesta terça-feira em Divinópolis

Servidores municipais de Divinópolis realizam nesta terça-feira (7) um dia de greve, mobilização e pressão política durante a votação da reforma da Previdência do funcionalismo público municipal. O Projeto de Lei Complementar nº 008/2026, encaminhado pelo Executivo, está previsto para ser analisado pela Câmara Municipal em meio a um clima de forte tensão entre sindicatos, Prefeitura e vereadores.
A paralisação foi organizada pelo SINTRAM e pelo SINTEMD, que representam servidores do quadro geral e da Educação. A mobilização ocorre após semanas de impasse em torno das mudanças propostas para o Regime Próprio de Previdência Social dos servidores municipais, administrado pelo Diviprev.

A expectativa é de que a sessão desta terça-feira tenha grande presença de servidores nas galerias da Câmara e também no entorno do Legislativo. A votação é considerada decisiva pelas entidades sindicais, já que o projeto pode alterar regras de aposentadoria, transição, permanência no serviço público e condições previdenciárias de servidores ativos, aposentados e futuros funcionários públicos.
A programação da mobilização começa ao meio-dia, com concentração na Praça da Catedral, no Centro de Divinópolis. Às 13h, os servidores devem sair em caminhada pela Avenida Primeiro de Junho, Rua Goiás, Rua Antônio Olímpio de Morais e Rua São Paulo, seguindo até a Câmara Municipal.
A partir das 14h, os manifestantes devem acompanhar a reunião ordinária da Câmara, onde o projeto da reforma da Previdência está previsto para discussão. Ao fim da tarde, às 17h, os sindicatos programaram uma Assembleia Geral dos servidores para avaliar os desdobramentos da votação e definir os próximos passos da categoria.
A greve começou a ser construída após assembleia realizada no fim de junho. Na ocasião, os servidores aprovaram a paralisação em resposta ao andamento do projeto na Câmara. A Educação iniciou o movimento primeiro, na sexta-feira (3), respeitando os prazos legais da categoria. Já os servidores do quadro geral passaram a aderir à greve a partir de segunda-feira (6).
O principal objetivo dos sindicatos é pressionar pela retirada do projeto ou por mudanças mais amplas no texto antes da votação. As entidades afirmam que a proposta enviada pelo Executivo ainda não contempla pontos considerados essenciais pelos trabalhadores e que uma reforma dessa natureza precisa ser construída com mais participação do funcionalismo.
Entre os pontos de maior preocupação estão as regras de transição para quem está próximo da aposentadoria, possíveis impactos sobre benefícios, o tratamento dado aos servidores aposentados e as condições para permanência no serviço público. Os sindicatos também questionam a velocidade da tramitação e defendem mais transparência sobre os impactos reais da proposta.
A Prefeitura de Divinópolis, por outro lado, sustenta que a reforma é necessária para garantir o equilíbrio financeiro e atuarial do regime previdenciário municipal. O Executivo afirma que o sistema precisa ser adequado às exigências legais e que a manutenção do modelo atual pode comprometer as contas públicas e o pagamento das obrigações futuras.
Nos últimos dias, a Prefeitura protocolou uma mensagem modificativa ao projeto original. Segundo o Executivo, as alterações foram feitas após reuniões, tratativas e solicitações apresentadas por servidores e vereadores. A administração municipal afirma que buscou aperfeiçoar o texto e incluir ajustes em pontos sensíveis da proposta.
Entre as mudanças anunciadas estão alterações na regra de transição com pedágio de 50% e a inclusão de uma regra relacionada ao adicional de permanência, conhecido entre os servidores como “pé na cova”. Apesar disso, os sindicatos avaliam que as modificações ainda não resolvem todas as reivindicações apresentadas pela categoria.
O projeto chega à Câmara acompanhado de emendas, pareceres e da mensagem modificativa enviada pela Prefeitura. Isso significa que os vereadores devem analisar não apenas o texto original, mas também alterações propostas ao longo da tramitação. A votação, portanto, pode definir o formato final da reforma previdenciária municipal.
A discussão sobre a reforma já havia provocado protestos em audiência pública realizada anteriormente na Câmara. Na ocasião, servidores cobraram a retirada do projeto e defenderam a abertura de um diálogo mais amplo com as categorias. A audiência foi marcada por manifestações e terminou sem que a apresentação técnica da Prefeitura fosse concluída.
Desde então, o clima entre o funcionalismo e o Executivo permaneceu tenso. Para os sindicatos, a greve é uma resposta à falta de consenso nas negociações. Para a Prefeitura, o projeto é uma medida necessária para evitar o agravamento da situação financeira do regime próprio de Previdência.
A mobilização desta terça-feira deve transformar a região central de Divinópolis em um dos principais pontos de atenção política do município. A caminhada dos servidores deve passar por ruas movimentadas antes de chegar ao Legislativo, onde a pressão sobre os vereadores deve se intensificar durante a sessão.
A votação também deve colocar os parlamentares em posição de grande exposição pública. De um lado, os servidores cobram apoio contra pontos considerados prejudiciais à categoria. De outro, a Prefeitura defende que a reforma seja aprovada para garantir sustentabilidade ao sistema previdenciário.
Além do impacto direto sobre os servidores municipais, a votação tem peso político para a administração municipal. A reforma da Previdência se tornou uma das principais pautas do governo neste início de julho e pode influenciar a relação da Prefeitura com o funcionalismo nos próximos meses.
Caso o projeto seja aprovado, os sindicatos devem avaliar em assembleia quais serão os próximos encaminhamentos da greve. Se houver adiamento, retirada de pauta ou novas alterações, a categoria também deverá discutir os rumos da mobilização.
A terça-feira será, portanto, decisiva para o futuro da Previdência dos servidores municipais de Divinópolis. A votação do PLC 008/2026 deve definir não apenas novas regras para o funcionalismo, mas também o tamanho do desgaste político entre Prefeitura, sindicatos e Câmara Municipal.















