Minas Gerais

MPMG denuncia professor por injúria contra cadeirante

O episódio envolveu o homem, que usa cadeira de rodas, a esposa dele, dona de um restaurante na região, e uma profissional de apoio. Depois de retirar o veículo, o professor teria feito comentários ofensivos sobre a deficiência da vítima e repetido as agressões cerca de duas horas mais tarde, diante de funcionários e testemunhas.

Carro na faixa virou ofensa

O Ministério Público de Minas Gerais denunciou um professor universitário por injúria e discriminação contra um homem com deficiência morador de Belo Horizonte. O caso aconteceu em 2 de fevereiro de 2026, no bairro Santo Antônio, depois que o carro do denunciado ficou parado sobre uma faixa de pedestres com rampa de acessibilidade e travou a passagem em frente ao restaurante da família.

O homem estava acompanhado da esposa, proprietária do estabelecimento, e de uma profissional de apoio quando tentou atravessar a via. Ao ser procurado e informado sobre a irregularidade, o professor tirou o veículo do local. Em seguida, ao perceber que a vítima usava cadeira de rodas, teria feito comentários ofensivos e depreciativos sobre a deficiência.

As agressões voltaram duas horas depois

Cerca de duas horas mais tarde, o professor foi ao restaurante da família e repetiu as referências ofensivas à deficiência da vítima diante de funcionários e testemunhas. As manifestações atingiram a dignidade do homem e também deixaram a esposa temerosa e constrangida.

Os elementos reunidos na investigação apontam que os efeitos do episódio foram além do momento das ofensas. O homem tem uma condição neurológica degenerativa, com reflexos motores e na comunicação oral, e apresentou sofrimento emocional intenso depois do caso.

Conforme relatado nos autos, ele chorou ao chegar em casa, ficou mais retraído e passou a resistir para sair e frequentar o restaurante da família. Testemunhas disseram ter notado mais tristeza, agitação e insegurança para circular em espaços públicos. A profissional que o acompanhava informou ter visto agravamento da rigidez corporal após o episódio.

A esposa declarou ter sentido medo e vulnerabilidade. Na denúncia, o MPMG afirma que comportamentos ofensivos ou discriminatórios baseados na deficiência ferem a dignidade, a igualdade e o direito fundamental à não discriminação.

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