Polícia

Operação prende três e mira esquema de compras fraudulentas de insumos agrícolas em Divinópolis e Campo Belo

Três pessoas foram presas temporariamente durante uma operação policial contra um esquema investigado por compras fraudulentas de insumos agrícolas que teria atuação em Minas Gerais e Goiás. A terceira fase da Operação Cadastro Fake cumpriu mandados em Divinópolis e Campo Belo, no Centro-Oeste mineiro, nesta quarta-feira (19). A investigação apura a utilização de documentos e dados de terceiros para criação de cadastros falsos junto a empresas do setor agrícola, permitindo a realização de compras de grande valor a prazo e o posterior desvio das mercadorias.

A ação foi conduzida pela Polícia Civil de Goiás, com apoio da Polícia Civil de Minas Gerais, e mobilizou aproximadamente 40 policiais civis. Ao todo, foram cumpridos três mandados de prisão temporária e quatro mandados de busca e apreensão domiciliar nas duas cidades mineiras. A Justiça também autorizou medidas destinadas a aprofundar a investigação e impedir eventual ocultação ou movimentação de patrimônio relacionado aos suspeitos.

A investigação é conduzida pelo Grupo Especial de Investigação Criminal de Anápolis, em Goiás. Conforme os levantamentos realizados durante as diferentes etapas da operação, os investigados procuravam empresas que comercializam insumos agrícolas e realizavam cadastros utilizando documentos e informações pertencentes a terceiros. As pessoas cujos dados eram utilizados, segundo a apuração, não teriam participado das negociações realizadas em seus nomes.

Depois que os cadastros eram aprovados pelas empresas, o grupo investigado realizava compras de insumos agrícolas a prazo. As mercadorias eram faturadas utilizando os dados inseridos nos cadastros e liberadas como se os verdadeiros titulares dos documentos tivessem realizado as negociações. A fraude, segundo a investigação, podia permanecer sem ser identificada imediatamente pelas empresas responsáveis pela venda dos produtos.

A descoberta do golpe ocorria, em parte dos casos investigados, somente posteriormente, quando chegava o momento da cobrança pelos produtos adquiridos. Ao procurar a pessoa que aparecia formalmente como responsável pela compra, a empresa constatava que o titular dos documentos não reconhecia a negociação. A partir dessa situação, surgiam indícios de que dados pessoais haviam sido utilizados de forma fraudulenta para permitir a retirada das mercadorias.

A investigação também identificou uma estrutura utilizada para o transporte dos insumos adquiridos. De acordo com a apuração policial, transportadores e subtransportadores eram contratados para movimentar as cargas, criando diferentes etapas até o destino final dos produtos. Os insumos adquiridos por meio dos cadastros considerados fraudulentos eram encaminhados para Minas Gerais e, posteriormente, distribuídos para outros locais, segundo os investigadores.

As diferentes etapas de transporte estão entre os pontos apurados pela Polícia Civil porque poderiam dificultar o rastreamento das mercadorias após a retirada junto às empresas fornecedoras. A investigação procura esclarecer quem contratava os transportadores, quais pessoas recebiam os produtos, onde os insumos eram armazenados e qual destino era dado às cargas depois da entrada em Minas Gerais.

As fases anteriores da Operação Cadastro Fake permitiram aos investigadores avançar na identificação dos integrantes do esquema. A partir de informações e provas reunidas durante as primeiras etapas, a polícia identificou quem seria o principal articulador da fraude e outros suspeitos que teriam participação na movimentação dos produtos em território mineiro. Esses elementos fundamentaram os pedidos judiciais cumpridos nesta terceira fase da operação.

Além das prisões temporárias e das buscas, a Justiça autorizou restrições relacionadas a veículos vinculados aos investigados e a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático. As medidas devem permitir que os investigadores analisem movimentações financeiras, comunicações e possíveis relações entre os suspeitos e outras pessoas que possam ter participado das negociações investigadas.

Durante as buscas realizadas em Divinópolis e Campo Belo, aparelhos eletrônicos também foram apreendidos. O material será submetido à análise policial e poderá fornecer novos elementos sobre negociações, contatos, movimentações das cargas e eventual participação de outros envolvidos. A investigação ainda busca dimensionar a extensão do esquema e identificar todas as operações comerciais que possam ter sido realizadas utilizando o mesmo método.

Até o momento, não foi divulgado oficialmente o valor total do prejuízo causado às empresas vítimas nem a quantidade exata de insumos agrícolas adquiridos por meio dos cadastros investigados. Também não foram informados os nomes dos três presos ou a distribuição das prisões entre Divinópolis e Campo Belo. As empresas que teriam sido vítimas das fraudes também não foram identificadas publicamente.

A investigação permanece em andamento e poderá resultar em novas diligências a partir da análise dos documentos, aparelhos eletrônicos e informações obtidas por meio das medidas autorizadas pela Justiça. A Polícia Civil pretende esclarecer a participação individual dos investigados, identificar outros possíveis envolvidos e rastrear o caminho percorrido pelas mercadorias adquiridas através dos cadastros considerados fraudulentos.


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