Jovem que atirou em idoso após ver o pai ser baleado é ouvido e liberado; Polícia Civil investiga duas mortes

A Polícia Civil de Minas Gerais informou que o jovem de 19 anos envolvido no episódio que terminou com duas mortes na zona rural de São Domingos das Dores, no Leste de Minas, foi ouvido e liberado após se apresentar espontaneamente. O caso aconteceu na tarde de terça-feira, 11 de agosto, em um sítio localizado na região do Córrego do Belém. Um inquérito foi instaurado e as circunstâncias do confronto são investigadas pela Delegacia de Polícia Civil de Inhapim.
As vítimas foram identificadas como Miguel Chagas da Silva, de 76 anos, e Eberto Silvestre Guimarães Barro, de 41 anos. Conforme os levantamentos iniciais, o desentendimento começou durante a poda de uma mangueira localizada nas proximidades da divisa entre propriedades rurais. Eberto estava acompanhado do filho de 19 anos quando teve início a discussão com Miguel.
Vídeo Marcos Maracanã
Segundo as informações registradas na ocorrência, durante o desentendimento Miguel teria sacado um revólver e efetuado disparos contra Eberto. Parte da discussão e o momento dos tiros foram registrados em vídeo pelo filho da vítima. As imagens deverão integrar a investigação e poderão ajudar a Polícia Civil a reconstruir a sequência dos acontecimentos.
Após ser atingido, Eberto recebeu socorro de pessoas que estavam na região e foi encaminhado para atendimento médico. O homem, porém, não resistiu aos ferimentos e morreu. Os levantamentos periciais e médicos deverão auxiliar na definição da quantidade de disparos que o atingiram e das lesões responsáveis pela morte.
Depois de presenciar o pai ser baleado, o jovem de 19 anos entrou em luta corporal com Miguel. Segundo o depoimento apresentado à polícia, ele conseguiu retirar a arma das mãos do idoso durante o confronto. O rapaz afirmou que, mesmo após ser desarmado, Miguel continuou a agressão.
Ainda conforme a versão apresentada pelo jovem, diante da continuidade do confronto ele efetuou um disparo com a arma que havia tomado de Miguel. O idoso foi atingido e morreu no local. A dinâmica deverá ser analisada pela Polícia Civil juntamente com as imagens, depoimentos, perícia e demais vestígios recolhidos.
A arma utilizada na ocorrência foi entregue espontaneamente à equipe policial e apreendida. A perícia oficial compareceu ao sítio e realizou os levantamentos técnicos. O revólver deverá passar pelos procedimentos necessários para que os investigadores estabeleçam a sequência dos disparos e confrontem as informações fornecidas pelos envolvidos e testemunhas.
As primeiras informações divulgadas após a ocorrência chegaram a indicar que o rapaz havia sido preso. Posteriormente, a Polícia Civil esclareceu a situação e informou que o jovem se apresentou espontaneamente, foi ouvido e acabou liberado. Ele continuará sendo investigado enquanto o inquérito reúne elementos para definir juridicamente a atuação de cada pessoa envolvida.
A defesa do jovem sustenta que ele agiu em legítima defesa, após presenciar o pai ser baleado e entrar em confronto com o homem armado. Essa é, entretanto, uma tese apresentada pelos advogados e ainda dependerá da análise da Polícia Civil, do Ministério Público e, eventualmente, do Poder Judiciário. Não existe até o momento uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal do rapaz.
A investigação também deverá esclarecer as circunstâncias anteriores ao primeiro disparo. A discussão teria começado em razão da poda de uma mangueira situada na região de divisa entre propriedades. A Polícia Civil deverá verificar o histórico do desentendimento, os depoimentos das testemunhas e o conteúdo integral das imagens produzidas durante a ocorrência.
Outro ponto a ser apurado é a sequência exata entre os tiros disparados por Miguel contra Eberto, a luta corporal e o disparo realizado posteriormente pelo jovem. Essa reconstrução será importante para que as autoridades avaliem se houve situação de legítima defesa, excesso ou outra circunstância juridicamente relevante.
Os corpos das duas vítimas foram encaminhados para os procedimentos médico-legais após a conclusão dos trabalhos no local. Os exames também poderão contribuir para determinar trajetórias de projéteis, lesões e outros elementos importantes para o inquérito.
A Delegacia de Polícia Civil de Inhapim permanece responsável pelo caso. O vídeo gravado pelo jovem, a arma apreendida, os exames periciais e os depoimentos serão utilizados para esclarecer como ocorreu o confronto que terminou com as mortes de Miguel Chagas da Silva e Eberto Silvestre Guimarães Barro.
Até o momento, o jovem de 19 anos permanece em liberdade. A liberação após o depoimento não representa encerramento da investigação nem uma conclusão antecipada sobre a conduta dele. O inquérito seguirá em andamento até que a Polícia Civil reúna os elementos necessários para definir as circunstâncias das duas mortes e encaminhar o procedimento para as próximas etapas legais.










