Senador Cleitinho Azevedo confirma disputa pelo Governo de Minas Gerais e mantém Falcão como vice

O senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, anunciou na noite desta quarta-feira (29) que pretende disputar o Governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. A declaração ocorreu durante uma entrevista coletiva realizada na Praça do Santuário, em Divinópolis, com a presença do ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão, indicado pelo parlamentar para ocupar a vaga de candidato a vice-governador na chapa.
Vc Cleitinho convocou a imprensa e a população para o pronunciamento depois de o Republicanos divulgar uma nota sobre a situação eleitoral do senador. Durante a coletiva, ele afirmou que será candidato ao Palácio Tiradentes e confirmou que manterá a composição anunciada anteriormente com Falcão.
Veja a Coletiva: https://www.instagram.com/reel/DbZVo8bjoz5/?igsh=aDc4eG50ZDRpdHNv
“Serei candidato a governador. A voz do povo é a voz de Deus, e preciso respeitar o povo mineiro”, declarou o senador durante o encontro realizado em Divinópolis. A manifestação representou o primeiro posicionamento público de Cleitinho após as declarações da direção partidária sobre o encerramento do projeto de candidatura pela legenda.
Apesar do anúncio feito pelo senador, a formalização da candidatura ainda depende dos procedimentos partidários e eleitorais. O Republicanos precisa deliberar sobre a chapa majoritária e encaminhar o registro à Justiça Eleitoral dentro do calendário previsto para as eleições deste ano.
A coletiva aconteceu horas depois de o Republicanos informar que Cleitinho não seria lançado como candidato ao Governo de Minas pela legenda. No comunicado, o partido afirmou que esperava uma definição do senador até a convenção estadual realizada no sábado (25), quando foram homologadas apenas as candidaturas proporcionais.
O Republicanos declarou que tratou a possível candidatura de Cleitinho com respeito e interesse, mas considerou que a definição não ocorreu dentro do período esperado pela direção da legenda. A sigla também mencionou as negociações mantidas com outros partidos para a formação de uma aliança estadual.
Cleitinho apresentou durante o pronunciamento as razões para ter adiado a confirmação sobre a disputa. O senador relacionou a demora ao estado de saúde e à morte recente do irmão mais novo, Matheus Augusto Azevedo, que enfrentava um tratamento contra a leucemia.
O parlamentar afirmou que havia decidido não anunciar a candidatura enquanto o irmão estivesse em tratamento. Cleitinho relatou que doou medula óssea a Matheus há 18 anos e que a doença voltou a ser diagnosticada no início deste ano, levando o irmão a permanecer internado por mais de 40 dias.
Cleitinho também declarou que a família atravessava um período de luto e criticou as cobranças relacionadas à definição eleitoral nos dias seguintes à morte do irmão. Ele afirmou que a situação familiar teve influência direta no prazo adotado para comunicar sua decisão política.
Durante a coletiva, o senador pediu desculpas ao presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira, e informou que buscará uma nova conversa com a direção da legenda. O objetivo será apresentar sua decisão e tentar viabilizar a candidatura pelo partido.
A situação partidária permanece em discussão porque a direção do Republicanos havia divulgado, no mesmo dia, um posicionamento contrário ao lançamento de Cleitinho. O senador, no entanto, afirmou publicamente que pretende permanecer na disputa e buscar um entendimento com os dirigentes.
Luís Eduardo Falcão participou da entrevista coletiva ao lado de Cleitinho e foi novamente apresentado como o nome escolhido para a vaga de vice-governador. O ex-prefeito de Patos de Minas também integra o Republicanos e participou das articulações realizadas nos últimos meses para a montagem da chapa.
Falcão administrou Patos de Minas e presidiu a Associação Mineira de Municípios (AMM). O nome dele já havia sido anunciado por Cleitinho em março, durante uma entrevista, e passou a participar das agendas políticas relacionadas ao projeto estadual do senador.
A indicação de Falcão também foi reafirmada em outras ocasiões ao longo do primeiro semestre. Em maio, o ex-prefeito declarou que o convite havia sido discutido com as direções estadual e nacional do Republicanos e que aguardava a formalização da chapa no período definido pela legislação eleitoral.
A composição com Cleitinho na cabeça da chapa e Falcão como vice chegou a ser tratada como uma possibilidade de chapa formada exclusivamente por integrantes do Republicanos. Ao mesmo tempo, dirigentes partidários mantiveram conversas com outras legendas para ampliar a aliança destinada à eleição estadual.
Entre os partidos envolvidos nas negociações está o Partido Liberal. A legenda realizou sua convenção estadual sem definir uma candidatura própria ao Governo de Minas e aguardava a decisão de Cleitinho antes de estabelecer seu posicionamento sobre a disputa.
As articulações também envolveram dirigentes do Republicanos, do PL, do PP, do União Brasil e do Podemos. As conversas trataram da formação da chapa ao governo, das duas vagas ao Senado e das alianças para as eleições proporcionais.
O anúncio realizado em Divinópolis ocorreu quatro dias depois da convenção estadual do Republicanos. Cleitinho não participou do encontro, e a ausência foi relacionada ao período de luto enfrentado pela família após a morte do irmão.
Na convenção, o partido aprovou os nomes que disputarão vagas na Assembleia Legislativa de Minas Gerais e na Câmara dos Deputados. A definição da candidatura ao governo ficou pendente e foi transferida para uma decisão posterior da direção estadual.
Antes da manifestação desta quarta-feira, o nome do ex-secretário de Estado Marcelo Aro passou a ser considerado nas negociações para a disputa pelo Governo de Minas. O Republicanos informou que trabalharia ao lado da federação União Progressista na construção de uma chapa com Aro como possível candidato.
A confirmação de Cleitinho introduz uma nova etapa nas conversas partidárias. A direção do Republicanos deverá avaliar o pedido do senador e definir se manterá o posicionamento apresentado na nota ou se retomará o projeto eleitoral anunciado por ele durante a coletiva.
Cleitinho exerce o mandato de senador por Minas Gerais desde fevereiro de 2023. Antes de chegar ao Senado, foi vereador em Divinópolis e deputado estadual, tendo construído sua trajetória eleitoral a partir do município onde realizou o pronunciamento desta quarta-feira.
A decisão também ocorre após a divulgação de uma pesquisa Genial/Quaest realizada entre os dias 22 e 26 de julho. Nos três cenários em que Cleitinho foi incluído, ele registrou entre 34% e 35% das intenções de voto para o Governo de Minas. O levantamento ouviu 1.482 eleitores, tem margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Nos cenários sem o senador, Alexandre Kalil apareceu numericamente à frente, com 15%, seguido por Patrus Ananias, com 13%, e Mateus Simões, com 9%. A mesma pesquisa registrou aumento no número de eleitores indecisos quando o nome de Cleitinho foi retirado das simulações.
Após o anúncio, Cleitinho e Falcão deverão participar das próximas negociações com o Republicanos e com os partidos que discutem uma aliança para o Governo de Minas. A composição somente será formalizada após as deliberações partidárias e o pedido de registro da chapa junto à Justiça Eleitoral.
A candidatura anunciada por Cleitinho, a indicação de Falcão como vice e a situação do senador dentro do Republicanos permanecem condicionadas às próximas decisões da legenda. O calendário eleitoral estabelece os prazos para a realização das convenções e para o registro dos candidatos que participarão da eleição de outubro.





















