Cleitinho Azevedo mudou de ideia 10 minutos após gravar vídeo em que desistia da candidatura, revela Marcos Pereira

O presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira, revelou que o senador Cleitinho Azevedo mudou de ideia cerca de dez minutos depois de gravar o vídeo em que anunciava a desistência da candidatura ao Governo de Minas Gerais. A declaração foi feita nesta terça-feira (4), durante a convenção nacional do partido, realizada em Brasília.
Segundo Marcos Pereira, o episódio ocorreu após uma reunião de aproximadamente cinco horas entre Cleitinho e lideranças da legenda. O encontro foi realizado na quinta-feira, 30 de julho, depois que o Republicanos divulgou uma nota indicando que o senador não seria candidato ao Palácio Tiradentes.
Após a manifestação do partido, Cleitinho concedeu uma entrevista coletiva e afirmou que ainda desejava participar da eleição. Na ocasião, ele disse que tentaria convencer a direção nacional do Republicanos a rever a decisão e permitir sua candidatura.
A reunião começou por volta das 16h e terminou aproximadamente às 21h. Participaram da conversa Cleitinho, Marcos Pereira, o presidente estadual do Republicanos, Euclydes Pettersen, o ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão, além de Carlos Henrique e Milton Vieira.
Durante a convenção nacional, Marcos Pereira afirmou que procurou conversar com Cleitinho como “um irmão mais velho”. O dirigente relatou que tentou transmitir ao senador a experiência acumulada durante os 15 anos em que esteve à frente do partido.
Pereira disse que alertou Cleitinho sobre as diferenças entre a atuação de um parlamentar e as responsabilidades de um governador. Segundo o dirigente, o comando do Executivo estadual exige capacidade de diálogo, articulação política e respeito às instituições.
Entre os órgãos citados estavam o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, o Tribunal de Contas do Estado e a Assembleia Legislativa. Marcos Pereira afirmou que um governador precisa manter uma relação institucional com essas estruturas para administrar o estado.
O presidente do Republicanos também relatou que utilizou exemplos históricos e referências bíblicas durante a conversa. A estratégia, segundo ele, levou em consideração a religiosidade demonstrada por Cleitinho em sua trajetória pública.
Ao final da reunião, a orientação teria sido aguardar um pouco mais antes de tomar uma decisão definitiva. Mesmo assim, Cleitinho gravou posteriormente um vídeo comunicando que não disputaria o Governo de Minas.
De acordo com Marcos Pereira, cerca de dez minutos após concluir a gravação, o senador entrou novamente em contato e informou que havia mudado de ideia. O episódio passou a ser citado pelo dirigente como uma demonstração das dúvidas que marcaram as negociações sobre a candidatura.
Cleitinho afirmou posteriormente que gravou o vídeo enquanto ainda enfrentava incertezas sobre sua participação na eleição. Segundo ele, conversas com familiares ocorreram depois da gravação e contribuíram para uma nova mudança de posição.
O senador relatou que os irmãos manifestaram apoio e disseram que estariam ao lado dele durante a campanha. Após a conversa, Cleitinho teria tentado impedir a divulgação do vídeo de desistência.
Segundo a versão apresentada pelo parlamentar, Marcos Pereira estava em uma reunião quando recebeu o pedido para não publicar o material. O vídeo acabou sendo divulgado na segunda-feira (3), tornando pública a decisão de abandonar a disputa.
Na gravação, Cleitinho relacionou a desistência ao momento pessoal vivido pela família após a morte do irmão. O senador afirmou que estava enfrentando um período de fragilidade emocional e espiritual provocado pelo luto.
No dia seguinte à divulgação, Cleitinho voltou atrás publicamente. Durante a convenção nacional do Republicanos, ele pediu a palavra diante da direção partidária e solicitou uma nova oportunidade para disputar o Governo de Minas Gerais.
O pedido não havia sido antecipado às lideranças que ocupavam a mesa principal do evento. A manifestação ocorreu diante de dirigentes do Republicanos, parlamentares e do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.
Cleitinho afirmou que havia refletido sobre a decisão e que ainda desejava participar da corrida pelo Palácio Tiradentes. Também pediu compreensão diante das mudanças de posicionamento ocorridas durante o período de luto.
Marcos Pereira respondeu ao apelo ainda durante a convenção. O dirigente afirmou que compreendia as circunstâncias pessoais apresentadas pelo senador, mas ressaltou que uma legenda não poderia continuar alterando decisões relacionadas a uma candidatura ao governo estadual.
Durante a resposta, Pereira declarou que “tudo tem o seu tempo” e que o partido não poderia permanecer “indo e voltando” em decisões políticas. Segundo ele, o Republicanos precisava encerrar a indefinição para dar continuidade às articulações eleitorais em Minas Gerais.
O presidente da legenda relembrou que Cleitinho recebeu oportunidades durante vários meses para decidir se participaria ou não da eleição. Pereira afirmou que as dúvidas sucessivas dificultaram o planejamento do partido e as negociações com outras lideranças.
A direção nacional também demonstrava preocupação com a possibilidade de uma nova desistência depois do início oficial da campanha. Para o Republicanos, a candidatura ao governo exigia estabilidade e definição antes do encerramento das convenções partidárias.
Marcos Pereira afirmou que a legenda precisava definir alianças, organizar a chapa e planejar a campanha estadual. A ausência de uma resposta definitiva de Cleitinho teria impedido o avanço dessas conversas dentro do prazo considerado necessário pelo partido.
Ao final da resposta, o dirigente descartou a possibilidade de rever a decisão. Com isso, o novo pedido de Cleitinho não foi aceito e o Republicanos manteve o senador fora da disputa pelo Governo de Minas Gerais.
A manifestação de Marcos Pereira tornou públicos detalhes das negociações internas realizadas nos dias anteriores. Entre os fatos revelados estavam a reunião de cinco horas, a gravação do vídeo de desistência e a mudança de ideia ocorrida cerca de dez minutos depois.
As declarações reforçaram o desgaste entre Cleitinho e a direção nacional do Republicanos. Enquanto o senador atribuía parte das mudanças ao momento pessoal vivido pela família, o partido defendia a necessidade de previsibilidade para conduzir o processo eleitoral.
A situação também teve impacto nas articulações políticas em Minas Gerais. Outros partidos aguardavam uma definição sobre Cleitinho antes de concluir alianças e escolher os nomes que participariam da disputa pelo governo estadual.
Sem a homologação da legenda, o senador não poderia registrar sua candidatura. A legislação eleitoral determina que o nome seja escolhido em convenção partidária e posteriormente apresentado à Justiça Eleitoral.
A possibilidade de mudança para outro partido também estava limitada pelos prazos de filiação previstos para as eleições de 2026. Dessa forma, a participação de Cleitinho dependia diretamente da aprovação do Republicanos.
Após rejeitar o novo apelo, Marcos Pereira afirmou que o partido seguiria com sua estratégia eleitoral em Minas Gerais. A legenda passou a avaliar outras possibilidades para a disputa estadual e para a formação das alianças.
O episódio marcou uma sequência de decisões diferentes em um período reduzido. Cleitinho manifestou interesse em disputar, adiou a definição, anunciou a desistência, mudou de ideia poucos minutos depois da gravação e voltou a pedir a candidatura durante a convenção nacional.
Até a resposta definitiva de Marcos Pereira, o senador ainda tentava convencer o partido a rever a posição. A direção nacional, porém, decidiu encerrar as negociações e manter a candidatura fora dos planos da legenda.





















