Política

Marcos Pereira rejeita apelo de Cleitinho Azevedo e mantém veto à candidatura em Minas Gerais

O presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira, rejeitou nesta terça-feira (4) o novo pedido do senador Cleitinho Azevedo para disputar o Governo de Minas Gerais. O dirigente afirmou que a decisão tomada pela legenda não será revista e descartou a possibilidade de reabrir as negociações sobre a candidatura ao Palácio Tiradentes.

A resposta ocorreu durante a convenção nacional do Republicanos, realizada em Brasília. Pouco antes da manifestação de Marcos Pereira, Cleitinho pediu a palavra diante da direção partidária e solicitou uma nova oportunidade para participar da disputa eleitoral em Minas Gerais.

O pedido não havia sido antecipado aos dirigentes do partido. A manifestação surpreendeu integrantes da direção nacional e lideranças que ocupavam a mesa principal do evento, entre elas Marcos Pereira e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.

Durante o pronunciamento, Cleitinho voltou atrás da decisão anunciada na segunda-feira (3), quando havia informado que não seria candidato ao Governo de Minas Gerais. O senador declarou que tomou a decisão de desistir durante um período de fragilidade emocional provocado pelo luto pela morte do irmão.

Cleitinho também afirmou que reconsiderou a desistência após uma experiência espiritual, conversas com familiares e mensagens recebidas de apoiadores. Diante dos dirigentes, ele pediu que o Republicanos autorizasse novamente sua candidatura ao governo estadual.

Marcos Pereira respondeu ao senador durante a própria convenção. O presidente nacional da legenda afirmou que compreendia o momento pessoal enfrentado por Cleitinho, mas ressaltou que o partido precisava manter as decisões tomadas para organizar sua participação nas eleições.

Ao falar sobre as mudanças de posição do senador, Pereira declarou que “tudo tem o seu tempo”. O dirigente acrescentou que uma legenda não pode permanecer “indo e voltando” em decisões políticas relacionadas à formação de candidaturas e alianças eleitorais.

A resposta do presidente nacional do Republicanos durou cerca de 30 minutos. Durante o pronunciamento, ele relembrou as oportunidades oferecidas ao senador ao longo dos últimos meses para que definisse se desejava ou não disputar o Governo de Minas Gerais.

Segundo Marcos Pereira, Cleitinho apresentou dúvidas sucessivas durante as negociações com o partido. O dirigente afirmou que a falta de uma posição definitiva dificultou o planejamento da legenda e as conversas com outras forças políticas no estado.

Pereira também destacou que o Republicanos precisava tomar uma decisão para dar continuidade às articulações eleitorais em Minas Gerais. Ao encerrar a resposta, reforçou que a definição adotada pela direção partidária é definitiva.

A negativa representa mais um capítulo do impasse entre Cleitinho e a cúpula do Republicanos. O senador aparecia como possível candidato da legenda ao governo mineiro, mas adiou diversas vezes a confirmação de sua participação na eleição.

Em junho, Marcos Pereira chegou a afirmar que Cleitinho possuía o aval do partido para disputar o Governo de Minas. Na ocasião, no entanto, o dirigente declarou que o senador demonstrava insegurança sobre a decisão que deveria tomar.

A relação passou a apresentar novos sinais de desgaste em julho, quando Cleitinho voltou a adiar o anúncio. Após ser informado da nova mudança de prazo, Marcos Pereira afirmou que não estava entendendo a postura adotada pelo parlamentar.

Cleitinho havia indicado que poderia anunciar uma definição somente no último dia permitido para a realização das convenções. A demora gerou cobranças internas e afetou as negociações do Republicanos com partidos interessados em participar de uma eventual aliança eleitoral.

A direção da legenda também avaliava que uma candidatura ao governo exigia uma decisão firme e antecipada. O partido precisava definir a composição da chapa, estabelecer alianças e organizar as candidaturas aos demais cargos em disputa.

A situação se agravou após Cleitinho não comparecer à convenção estadual do Republicanos, realizada em 25 de julho. O senador estava de luto pela morte do irmão mais novo, Matheus Azevedo, vítima de leucemia.

O partido afirmou que compreendia a justificativa pessoal apresentada pelo parlamentar, mas considerou que a ausência produziu efeitos políticos. A convenção terminou sem a homologação do nome de Cleitinho para a disputa pelo governo estadual.

No dia 29 de julho, a direção do Republicanos informou que o senador não seria candidato ao Governo de Minas Gerais. Em nota, a legenda declarou que havia mantido diálogo aberto, oferecido condições políticas e aguardado uma definição clara durante meses.

Após a decisão, Cleitinho tentou reverter o veto. O senador participou de uma reunião de aproximadamente cinco horas com dirigentes nacionais do Republicanos, no interior de São Paulo, mas o encontro terminou sem acordo.

Marcos Pereira já havia afirmado que Cleitinho perdeu o momento político para lançar a candidatura. O dirigente também manifestou preocupação com a possibilidade de o senador desistir novamente depois do início da campanha eleitoral.

Na segunda-feira (3), Cleitinho anunciou que não disputaria o Governo de Minas. Um dia depois, durante a convenção nacional, voltou atrás e pediu publicamente para que a direção partidária reconsiderasse o veto.

O senador explicou que havia comunicado a desistência enquanto enfrentava um momento de vulnerabilidade emocional e espiritual. Segundo ele, a decisão ocorreu poucos dias depois da morte do irmão e durante um período de dificuldades para a família.

Cleitinho afirmou que conversou com a mãe e com outro irmão antes de mudar novamente de posição. Ele também mencionou as manifestações recebidas de apoiadores que defendiam sua participação na eleição estadual.

Durante o apelo, o parlamentar declarou que desejava disputar o Governo de Minas Gerais para representar a população do estado. Também prometeu trabalhar pelo fortalecimento do Republicanos e apoiar os candidatos da legenda aos cargos proporcionais.

A direção nacional, no entanto, manteve o posicionamento anterior. Marcos Pereira afirmou que compreendia as circunstâncias pessoais relatadas pelo senador, mas explicou que o partido já havia encerrado o processo de análise da candidatura.

Com a negativa, Cleitinho permanece fora da disputa pelo Governo de Minas pelo Republicanos. Para concorrer, o parlamentar precisaria ter o nome escolhido em convenção e posteriormente registrado pela legenda na Justiça Eleitoral.

A mudança para outro partido não aparece como alternativa para a eleição de 2026, uma vez que o prazo de filiação exigido pela legislação eleitoral já foi encerrado. Dessa forma, uma eventual candidatura depende diretamente da autorização do Republicanos.

A decisão também afeta as articulações eleitorais no estado. Sem Cleitinho como candidato, o partido poderá apoiar outro nome ou participar de uma composição liderada por outra legenda.

Antes do encerramento das negociações, dirigentes do Republicanos já discutiam alternativas para Minas Gerais. Entre as possibilidades avaliadas estava a participação em uma chapa liderada pelo ex-secretário estadual Marcelo Aro, filiado ao Progressistas.

O Republicanos ainda deverá formalizar sua estratégia para a eleição mineira dentro do calendário estabelecido pela Justiça Eleitoral. A legenda precisa definir como participará da disputa pelo governo e quais alianças serão mantidas no estado.

A resposta dada por Marcos Pereira nesta terça-feira tornou pública a posição da direção nacional. Mesmo após o novo pedido de Cleitinho, o dirigente descartou a revisão da decisão e afirmou que o partido seguirá com as articulações sem a candidatura do senador ao Governo de Minas Gerais.

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