Política

Alexandre de Moraes teria partido para confronto com André Mendonça após avanço de investigação sobre Daniel Vorcaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria procurado o colega André Mendonça após tomar conhecimento de que o magistrado havia determinado o aprofundamento de diligências relacionadas a mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo relato publicado pela colunista Andreza Matais, do Metrópoles, a conversa entre os dois ministros teria evoluído para uma discussão nos bastidores da Corte. Até o momento, não há confirmação oficial do STF ou dos gabinetes dos magistrados sobre o episódio relatado pela coluna.

O desentendimento teria ocorrido depois que André Mendonça solicitou à Polícia Federal novas informações para identificar interlocutores presentes em conversas recuperadas durante as investigações relacionadas a Vorcaro. Parte do material analisado pelos investigadores faria referência ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. De acordo com reportagens que tiveram acesso aos autos, diligências posteriores apontaram Alexandre de Moraes como interlocutor de algumas das mensagens atribuídas ao banqueiro.

Segundo o relato publicado pelo Metrópoles, Alexandre de Moraes teria interpretado a determinação de Mendonça como um direcionamento das apurações contra ele. Durante o encontro, os ministros teriam discutido de forma intensa e, conforme a versão apresentada pela coluna, o episódio teria chegado perto de uma agressão física. Essa descrição, no entanto, não consta das decisões judiciais tornadas públicas e permanece baseada em informações de bastidores atribuídas a fontes ouvidas pela publicação.

O caso está relacionado às investigações envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master. Nesta terça-feira, 1º de setembro, André Mendonça retirou o sigilo da Petição 16.662, aberta no Supremo a partir de novos elementos encaminhados pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero. O ministro também determinou que as informações sejam submetidas ao Plenário do STF, em sessão pública e presencial, em data que deverá ser definida pela Presidência da Corte.

Nos documentos encaminhados ao Supremo, a Polícia Federal apresentou informações relacionadas a uma possível rede de influência atribuída a Vorcaro. Segundo os investigadores, o banqueiro teria buscado informações sobre procedimentos de fiscalização e investigações e mantido contatos com pessoas que poderiam ter acesso a autoridades públicas. Parte das conversas foi localizada em dispositivos apreendidos durante as diligências realizadas pela PF.

Entre as mensagens divulgadas, Vorcaro teria pedido a um interlocutor que reforçasse tratativas envolvendo “Andrei” e “Paulo”. Investigadores associaram os nomes a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República. As mensagens mostram pedidos atribuídos ao banqueiro, mas, até o momento, não comprovam que Alexandre de Moraes, Andrei Rodrigues ou Paulo Gonet tenham adotado medidas para atender às solicitações apresentadas.

Outros diálogos também passaram a ser analisados pela Polícia Federal. Em uma das mensagens atribuídas a Vorcaro, enviada poucos dias antes de sua prisão, o banqueiro teria perguntado ao interlocutor se deveria estar “fora” na segunda-feira seguinte. A PF investiga se Vorcaro teve acesso antecipado a informações relacionadas à operação que resultou em sua prisão, ocorrida em novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.

Parte das comunicações investigadas teria ocorrido por meio de imagens contendo textos escritos no aplicativo de notas e posteriormente enviadas pelo WhatsApp em modo de visualização única. Essa forma de comunicação dificultou a recuperação integral dos diálogos. Por esse motivo, os investigadores teriam obtido principalmente mensagens produzidas por Vorcaro, sem necessariamente recuperar todas as respostas enviadas pelo outro interlocutor.

A ausência de parte das respostas é um ponto relevante para a análise do material. As mensagens divulgadas até agora permitem identificar pedidos e questionamentos atribuídos a Vorcaro, mas não são suficientes, isoladamente, para demonstrar que os destinatários concordaram com as solicitações ou realizaram alguma intervenção em benefício do banqueiro. A investigação deverá esclarecer o contexto completo das conversas e a atuação de cada pessoa citada.

Ao retirar o sigilo da Petição 16.662, André Mendonça afirmou que os novos elementos deveriam ser analisados pelo Plenário do Supremo. O ministro também encaminhou informações à Procuradoria-Geral da República para manifestação. O procedimento adotado ocorre porque os fatos sob análise podem envolver autoridade com prerrogativa de foro perante a própria Corte.

Outro ponto que passou a integrar a discussão pública envolve o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes. Informações divulgadas a partir da investigação indicam que metadados de uma versão do documento registraram um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. O escritório confirmou anteriormente que o magistrado analisou uma minuta para verificar eventual impedimento jurídico para a contratação e afirmou que os serviços previstos foram prestados.

O escritório também declarou que Alexandre de Moraes não atuou em processos do Banco Master no Supremo e sustentou que a análise do contrato ocorreu dentro de procedimentos internos de compliance. A existência desse contrato e as circunstâncias de sua elaboração passaram a receber atenção adicional após a divulgação das mensagens recuperadas pela Polícia Federal.

A investigação envolvendo Vorcaro continua em andamento e ainda poderá passar por novas diligências e manifestações da Procuradoria-Geral da República e dos ministros do Supremo. A decisão de André Mendonça de levar o material ao Plenário não representa, por si só, conclusão sobre eventual responsabilidade de Alexandre de Moraes ou de qualquer outra autoridade mencionada nas mensagens.

Da mesma forma, o relato sobre a discussão entre Alexandre de Moraes e André Mendonça deve ser tratado como informação atribuída à coluna do Metrópoles enquanto não houver confirmação oficial dos envolvidos ou do Supremo Tribunal Federal. As apurações formais seguem concentradas no conteúdo das mensagens recuperadas, na identificação dos interlocutores e na investigação sobre eventual obtenção ou circulação indevida de informações relacionadas ao Banco Master.

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