Divinópolis

Escrevendo histórias reais

O que você faria, se ao nascer, você saísse da maternidade e fosse direto para uma sala de aula? Bom, esse é o ponto de partida para conhecermos a nossa autora de hoje na semana em que estamos homenageando o livro infantil. 

Em um mundo tecnológico, com os e-books em alta, não podemos esquecer a importância do contato físico com o livro, o cheiro do papel, aquela pontinha da página dobrada para sinalizar onde a leitura parou, ou até mesmo ver aquela prateleira com as melhores histórias que já ouviu, seja qual for o motivo, o livro em “carne e osso”, é algo que a divinopolitana, professora e autora de três livros infantis, Julieta Souza, não abre mão, porque segundo ela, o livro físico é muito importante, e faz toda a diferença, é como um brinquedo para a criança. 

Com uma infância atípica, Julieta morou até os três anos de idade, com seus pais, dentro de uma sala de uma escola e apesar de não terem condições para incentivá-la, e com a escassez de bibliotecas públicas no seu tempo de criança, a autora recorda de onde veio seu principal incentivo, “meu contato com livro veio a partir da escola, e o que mais que encantava, era que em casa tínhamos uma tv preto e branco, e os livros na escola, eram coloridos” recorda Julieta.

Além da literatura escrita, outro ponto de muito incentivo para a autora de Divinópolis, é a literatura oral, que remete diretamente ao seu passado enquanto ouvia tanto sua avó materna, quanto sua avó paterna contar histórias que envolvia conhecidos e desconhecidos 

Enquanto minha mãe e meu tio rimavam com facilidade coisas do dia a dia, minhas avós, embora uma delas analfabetas, adoravam contar histórias e casos da própria família, então ouvir e contar histórias reais me encantava desde cedo” diz a autora. Assim nasceu a escritora, a partir do conhecimento de mundo que fui adquirindo, tanto na escola quanto na família, trazendo para os livros infantis histórias reais para as crianças.

Em seu primeiro livro, “Clara Flor”, traz um relato real e emocionante acerca da perda das pessoas, já na obra “O menino do dedinho colado”, a autora apresenta para os leitores uma história que retrata a aceitação da diferença e como foi a sua desconstrução do medo e do preconceito, e como tudo foi uma grande descoberta e aprendizado que a fez assumir uma postura de respeito e amor, mudar de vida e ser mais feliz. E por fim, na “Mel a capivara e o coco oco”, temos como cenário nosso Rio Itapecerica, a quem devemos ter atenção para salvá-lo. 

Além de seu trabalho com as crianças, publicou o livro de crônicas, “Simples assim”, destinada aos adolescentes e escreveu a obra “Poesia na escola”, ensinando todas as técnicas que aplicou durante mais de 20 anos, na sala de aula para ensinar a escrever poemas.

Hoje, Julieta Souza, continua estudando uma ciência chamada Logosofia, atuando em sala de aula, dando palestras, contando histórias, e com a pandemia, novos projetos surgiram, um deles é o seu canal do Youtube chamado “Porto Guês: no mar da existência”, uma sala de aula pública e gratuita que ensina técnicas para escrever, como corrigir textos, ensina ortografia, gramática e ainda pode encontrar no seu canal gratuitamente, em forma de podcast os livros “O menino dos dedinhos colados”,  “Mel, a capivara e o coco oco” e  “Crônicas – simples assim”.

Por: Gusttavo Majory

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