Divinópolis

Levantamento aponta áreas de transmissão intensa de leishmaniose em Divinópolis

Um levantamento realizado em diferentes bairros de Divinópolis identificou índices de Leishmaniose Visceral acima dos parâmetros preconizados em grande parte das regiões avaliadas. Os resultados apontaram a existência de áreas classificadas como de transmissão intensa da doença e levaram à ampliação das ações de investigação e testagem de cães no município. A medida busca identificar animais infectados e acompanhar a circulação da doença nas regiões onde os indicadores epidemiológicos apresentaram maior preocupação.

A avaliação ocorreu durante uma etapa amostral desenvolvida em diferentes pontos da cidade para verificar a situação epidemiológica da Leishmaniose Visceral. A partir dos resultados encontrados, foi definido um cronograma para ampliar gradativamente a investigação entre os cães. O material divulgado, porém, não detalha quais bairros foram classificados individualmente como áreas de transmissão intensa nem informa os índices registrados em cada uma das regiões analisadas.

Uma das etapas já concluídas ocorreu no bairro Niterói, onde foram realizados 376 testes em cães. Após o encerramento dos trabalhos naquela região, as equipes iniciaram uma nova fase do Inquérito Censitário Canino no bairro Halim Souki. A testagem começou em 10 de agosto e prevê visitas aos imóveis para a realização de exames nos animais da região.

Durante o trabalho, os profissionais realizam inicialmente um teste rápido nos cães. Caso o resultado seja positivo, uma nova amostra é encaminhada para exame laboratorial específico, responsável pela confirmação do diagnóstico. Somente depois dessa confirmação são repassadas aos tutores as orientações relacionadas às medidas sanitárias, prevenção e controle da doença.

As visitas são realizadas por uma equipe composta por Agentes de Combate às Endemias, médico veterinário e fiscal de saúde. Os profissionais devem estar identificados durante as abordagens. A participação dos moradores é necessária para que os animais possam ser examinados e para que o levantamento consiga apresentar um quadro mais amplo da circulação da doença nas áreas investigadas.

A Leishmaniose Visceral é uma zoonose que pode acometer seres humanos e outros mamíferos. No ambiente urbano, o cão é considerado o principal reservatório do parasita relacionado à transmissão. Isso não significa, no entanto, que a doença passe diretamente do animal para uma pessoa. A transmissão acontece pela picada da fêmea infectada do mosquito-palha.

O mosquito adquire o parasita ao picar um hospedeiro infectado e pode posteriormente transmiti-lo durante novas picadas. Por esse motivo, as ações de enfrentamento envolvem tanto a identificação de animais infectados quanto medidas ambientais destinadas a reduzir condições que favoreçam a presença do vetor.

Entre os fatores que tornam a vigilância dos cães importante está a possibilidade de animais infectados permanecerem durante determinado período sem apresentar sinais aparentes. Dessa forma, a ausência de sintomas não significa necessariamente que o cão esteja livre da infecção, motivo pelo qual a testagem nas áreas acompanhadas integra as medidas de identificação da doença.

Quando os sinais aparecem nos animais, podem ser observados emagrecimento, lesões persistentes na pele, queda de pelos, crescimento exagerado das unhas, prostração e sangramentos. A presença de um ou mais desses sintomas deve levar o tutor a procurar atendimento e orientação para que seja feita a avaliação adequada.

Nos seres humanos, os principais sintomas associados à Leishmaniose Visceral incluem febre prolongada, perda de peso, fraqueza, anemia e aumento do abdômen. O diagnóstico e o tratamento para pessoas são oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

As ações de prevenção também envolvem cuidados dentro das residências e nos quintais. A orientação é evitar o acúmulo de folhas, lixo, matéria orgânica e fezes de animais, uma vez que ambientes com essas características podem favorecer a presença do mosquito-palha. A manutenção frequente dos espaços externos das casas faz parte das medidas utilizadas para diminuir as condições adequadas à proliferação do vetor.

Entre outras medidas recomendadas estão o uso de coleiras repelentes nos cães, a instalação de telas em canis e janelas e a adoção de cuidados durante os passeios com os animais nos horários em que o mosquito-palha apresenta maior atividade. Essas medidas não substituem a testagem, mas fazem parte das estratégias utilizadas para reduzir o contato entre os animais, as pessoas e o vetor responsável pela transmissão.

A ampliação do Inquérito Censitário Canino ocorre justamente após o levantamento inicial indicar índices acima dos parâmetros em grande parte das áreas analisadas. A classificação de diferentes regiões como locais de transmissão intensa reforçou a necessidade de ampliar os exames e acompanhar de maneira mais detalhada a situação dos cães nesses locais.

O trabalho realizado no Niterói, com 376 animais testados, foi uma das etapas desse cronograma. Agora, com a chegada das equipes ao Halim Souki, a investigação avança para outra região da cidade. Não foi divulgado, até o momento, quantos cães deverão ser avaliados no bairro nem por quanto tempo as equipes permanecerão realizando as visitas.

Também não foram informados no levantamento divulgado os números gerais de cães que tiveram resultado positivo em Divinópolis. Da mesma forma, não há no material apresentado uma relação completa das regiões enquadradas como áreas de transmissão intensa. A informação disponível confirma que grande parte dos bairros avaliados apresentou indicadores acima dos parâmetros estabelecidos.

Tutores que identificarem sinais suspeitos nos cães podem procurar o Centro de Referência em Vigilância em Saúde Ambiental (Crevisa) para realizar gratuitamente o exame diagnóstico. O atendimento também permite esclarecer dúvidas relacionadas à doença, aos procedimentos de testagem e às medidas de prevenção.

Informações e agendamentos podem ser obtidos pelo telefone (37) 3229-6827. A orientação aos moradores das regiões onde ocorre o inquérito é permitir que as equipes tenham acesso aos animais para a realização dos testes e seguir as recomendações repassadas pelos profissionais durante as visitas.


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