Hérnia de Disco: problema que afeta milhões de brasileiros e pode causar dor intensa e incapacidade

A hérnia de disco é uma das principais causas de dor na coluna e afastamento das atividades profissionais em todo o mundo. Estima-se que entre 2% e 3% da população mundial apresente hérnia de disco em algum momento da vida. No Brasil, milhões de pessoas convivem com dores lombares, e a hérnia de disco está entre os diagnósticos mais frequentes nos consultórios de ortopedia, neurocirurgia e fisioterapia.
Embora seja mais comum entre os 30 e 60 anos de idade, a doença pode atingir jovens, atletas, trabalhadores que realizam esforço físico repetitivo e até pessoas sedentárias.
O que é a hérnia de disco?
A coluna vertebral é formada por vértebras separadas por estruturas chamadas discos intervertebrais. Esses discos funcionam como amortecedores naturais, absorvendo impactos e permitindo os movimentos da coluna.
Cada disco possui uma camada externa mais resistente e um núcleo interno gelatinoso. Quando ocorre uma ruptura ou desgaste da parte externa, o material interno pode se deslocar para fora, comprimindo nervos próximos. Esse processo recebe o nome de hérnia de disco.
Dependendo da região afetada, a hérnia pode ocorrer:
- Na coluna cervical (pescoço);
- Na coluna torácica (região do tórax);
- Na coluna lombar (parte inferior das costas), sendo esta a mais comum.
Como a hérnia de disco acontece?
O envelhecimento natural é um dos principais fatores responsáveis pelo surgimento da hérnia de disco. Com o passar dos anos, os discos perdem água, elasticidade e resistência.
No entanto, diversos fatores podem acelerar esse processo:
- Sedentarismo;
- Excesso de peso;
- Má postura;
- Levantamento inadequado de cargas;
- Movimentos repetitivos;
- Permanecer muito tempo sentado;
- Tabagismo;
- Predisposição genética;
- Falta de fortalecimento muscular.
Em alguns casos, um esforço repentino ou um trauma pode desencadear o aparecimento dos sintomas.
Principais sintomas
Os sintomas variam de acordo com o local da hérnia e o grau de compressão nervosa.
Entre os mais comuns estão:
Hérnia lombar
- Dor na região lombar;
- Dor irradiada para glúteos e pernas (ciatalgia);
- Formigamento;
- Dormência;
- Fraqueza muscular;
- Dificuldade para caminhar.
Hérnia cervical
- Dor no pescoço;
- Dor irradiada para ombros e braços;
- Formigamento nas mãos;
- Perda de força nos membros superiores;
- Limitação dos movimentos cervicais.
Nos casos mais graves, podem ocorrer alterações urinárias, intestinais e perda importante de força muscular, situações que exigem atendimento médico imediato.
A hérnia de disco sempre causa dor?
Não.
Muitas pessoas possuem hérnias detectadas em exames de ressonância magnética e nunca apresentam sintomas. O problema surge quando há inflamação ou compressão das raízes nervosas.
Por isso, o diagnóstico não deve ser baseado apenas em exames de imagem, mas também na avaliação clínica do paciente.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa com a história clínica e o exame físico realizado pelo profissional de saúde.
Os exames complementares podem incluir:
- Radiografia;
- Tomografia computadorizada;
- Ressonância magnética;
- Eletroneuromiografia, em alguns casos.
A ressonância magnética é considerada o principal exame para identificar a localização e a gravidade da hérnia.
Qual é o tratamento?
A boa notícia é que cerca de 80% a 90% dos pacientes melhoram sem necessidade de cirurgia.
O tratamento conservador costuma incluir:
Fisioterapia
A fisioterapia é considerada um dos pilares do tratamento. O objetivo é:
- Reduzir a dor;
- Melhorar a mobilidade;
- Corrigir alterações posturais;
- Fortalecer a musculatura estabilizadora da coluna;
- Prevenir novas crises.
Exercícios físicos
Após a fase aguda, exercícios orientados são fundamentais para a recuperação.
Os mais recomendados incluem:
- Fortalecimento do core (abdômen e lombar);
- Pilates;
- Musculação supervisionada;
- Alongamentos;
- Exercícios de estabilização da coluna.
Medicamentos
Podem ser utilizados:
- Anti-inflamatórios;
- Analgésicos;
- Relaxantes musculares;
- Medicamentos para dor neuropática, quando necessário.
Infiltrações
Em alguns pacientes, infiltrações com medicamentos anti-inflamatórios podem ajudar no controle da dor.
Quando a cirurgia é necessária?
A cirurgia costuma ser indicada apenas quando:
- O tratamento conservador falha;
- Existe perda progressiva de força muscular;
- Há compressão nervosa grave;
- O paciente apresenta alterações urinárias ou intestinais.
As técnicas cirúrgicas atuais são cada vez menos invasivas, permitindo recuperação mais rápida e menor tempo de internação.
A atividade física ajuda a prevenir?
Sim.
Diversos estudos mostram que a prática regular de exercícios físicos reduz significativamente o risco de problemas na coluna.
Os benefícios incluem:
- Fortalecimento muscular;
- Melhor alinhamento postural;
- Menor sobrecarga sobre os discos;
- Controle do peso corporal;
- Maior flexibilidade;
- Redução das dores crônicas.
Por outro lado, o sedentarismo é considerado um dos principais fatores associados às doenças degenerativas da coluna.
Como prevenir a hérnia de disco?
Algumas medidas simples podem fazer grande diferença:
- Manter peso adequado;
- Praticar atividade física regularmente;
- Evitar permanecer muitas horas sentado;
- Fortalecer a musculatura abdominal e lombar;
- Levantar objetos corretamente, utilizando as pernas e não apenas a coluna;
- Corrigir a postura no trabalho e em casa;
- Evitar o tabagismo.
Um problema cada vez mais comum
Com o aumento do sedentarismo, do trabalho em frente ao computador e do envelhecimento da população, os casos de hérnia de disco tendem a crescer nos próximos anos. Apesar disso, especialistas destacam que a maioria dos pacientes pode levar uma vida normal quando recebe diagnóstico precoce, tratamento adequado e adota hábitos saudáveis.
A combinação entre fisioterapia, exercícios físicos e cuidados posturais continua sendo a principal estratégia para controlar a doença, aliviar a dor e devolver qualidade de vida aos pacientes.


Ft. Ronner Miranda
Fisioterapeuta Especialista em Traumato Ortopedia Desportiva e Terapia Manual
Tel/Watts: (37) 99905-3770





















