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Polícia Federal prende três em esquema de diplomas falsos de Medicina e investiga pagamentos de 45 pessoas já registradas como médicos

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira, 12 de agosto, a Operação Canudo para combater um esquema de falsificação e venda de diplomas, históricos escolares e outros documentos acadêmicos que teriam sido utilizados para facilitar o ingresso ou a transferência de estudantes para cursos de Medicina e, posteriormente, a obtenção de registro profissional. Três pessoas foram presas durante a ação, que cumpriu medidas judiciais em Minas Gerais e na Bahia. A investigação também identificou movimentações financeiras envolvendo pelo menos 45 pessoas já inscritas como médicos em Conselhos Regionais de Medicina.

Durante a operação, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão nas cidades mineiras de Montes Claros e Bocaiuva e nos municípios baianos de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães. A Justiça também autorizou duas prisões preventivas e uma prisão temporária contra investigados. As prisões preventivas foram cumpridas em Montes Claros e Luís Eduardo Magalhães, enquanto o mandado temporário foi executado em Bocaiuva.

A investigação teve início depois da apreensão, em 2023, de um diploma falso apresentado ao Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul. O documento teria sido fornecido por um dos investigados. A partir da análise desse caso, os policiais começaram a identificar outros documentos e movimentações que indicaram a existência de uma estrutura destinada à produção e comercialização de registros acadêmicos falsificados.

Segundo os elementos reunidos durante a apuração, o grupo não atuaria apenas na produção de diplomas. Também são investigadas falsificações de históricos escolares e de outros documentos utilizados para demonstrar vínculos acadêmicos, disciplinas cursadas e períodos concluídos. Esse material poderia ser empregado para viabilizar ingresso ou transferência para faculdades de Medicina, inclusive permitindo que uma pessoa tentasse aproveitar períodos que, na realidade, não haviam sido cursados regularmente.

Outra frente investigada envolve a utilização desses documentos para obtenção de registro profissional. A Polícia Federal identificou pelo menos 45 nomes de pessoas que já aparecem inscritas como médicos em Conselhos Regionais de Medicina e que teriam realizado pagamentos ao grupo investigado para a suposta obtenção de documentação falsa. A existência desses pagamentos, entretanto, ainda será analisada individualmente para determinar qual documento teria sido adquirido e de que maneira ele foi utilizado.

A identificação dessas 45 pessoas não significa, neste momento, que todas tenham exercido a Medicina utilizando diplomas falsificados. A investigação ainda precisa estabelecer a situação de cada envolvido, verificar a autenticidade dos documentos apresentados aos conselhos profissionais e determinar se houve efetivamente fraude na formação acadêmica ou no processo de obtenção do registro. A apuração deverá avançar a partir do material recolhido durante as buscas desta quarta-feira.

Os investigadores também identificaram movimentações financeiras entre integrantes do grupo e pessoas suspeitas de terem adquirido documentos. As transações são analisadas para reconstruir a atuação do esquema, identificar pagamentos, possíveis intermediários e outros compradores. A Polícia Federal apura ainda a existência de ramificações em diferentes estados, o que pode ampliar o número de pessoas investigadas ao longo do inquérito.

O principal investigado na Operação Canudo já havia sido alvo de uma investigação da Polícia Federal em 2016. Na ocasião, uma operação apurou a atuação de uma organização criminosa envolvida em fraudes relacionadas a processos educacionais. A informação passou a integrar o histórico analisado pelos investigadores durante a atual apuração sobre a comercialização de documentos acadêmicos falsificados.

A Polícia Federal ainda trabalha para identificar quais instituições de ensino podem ter recebido documentos produzidos pelo grupo e em quais circunstâncias esses registros foram apresentados. A investigação deverá verificar possíveis pedidos de transferência, matrículas, aproveitamento de disciplinas e documentos posteriormente encaminhados a Conselhos Regionais de Medicina para obtenção do registro profissional.

Os nomes dos investigados presos nesta quarta-feira não foram divulgados. Também não foi apresentada publicamente a relação das pessoas já registradas como médicos que aparecem nas movimentações investigadas. A preservação dessas identidades ocorre enquanto são analisados os elementos reunidos no inquérito e a participação individual de cada pessoa no esquema.

O material apreendido durante os mandados de busca deverá ser submetido à análise da Polícia Federal. Documentos, dispositivos eletrônicos, registros financeiros e outras informações eventualmente recolhidas poderão ajudar a identificar novos envolvidos e dimensionar há quanto tempo o esquema funcionava, além do número de documentos que teriam sido produzidos ou comercializados.

A investigação também deverá estabelecer quanto dinheiro teria sido movimentado pelo grupo e quais valores eram cobrados pela documentação. Até o momento, não foi divulgado um montante total relacionado às transações suspeitas, nem uma estimativa do número definitivo de diplomas, históricos ou outros registros acadêmicos que podem ter sido falsificados.

A Operação Canudo segue em andamento e poderá ter novos desdobramentos a partir da análise do material apreendido e das informações financeiras encontradas durante a investigação. A Polícia Federal deverá aprofundar principalmente a apuração sobre o uso dos documentos, os pagamentos realizados ao grupo e a eventual obtenção irregular de registros profissionais na área médica.

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